Eu nunca consegui dançar. A música tocava e eu ficava paralisado. Eu julgava que eu era tímido demais para isso.
Nas festas eu sempre ficava sentado à mesa quieto. Uma vez julgaram que eu me levava à sério demais, por isso não dançava.
Meu amor sempre quis dançar comigo. Tentou me ensinar, mas eu ficava travado. Não saía do lugar. Mas pegava ela pela cintura e bailava quando não tinha música. Ela nunca falou, mas acho que julgou fofo esse meu jeito.
Um dia peguei um violão. Tudo era difícil desde formar os acordes e trocá-los. Dedilhados e tudo o mais. Julguei que eu não servia pra música.
Persisti nem sei como. Eu sou ruim mesmo, porém me faz muito bem tirar qualquer som, mesmo os dissonantes. Com o tempo passei a formar os acordes mais fáceis e a trocá-los com mais rapidez. Mas eu não conseguia tocar nada. Faltava ritmo. Julguei que eu não o tinha.
Mas não parei. Tentei setinha pra baixo, baixo, cima-baixo, baixo-cima... Tentei solfejar, tentei metrônomo mas o ritmo nunca vinha. Julguei que estava perdendo meu tempo.
Um dia, e eu não sei quando nem como, acertei um ritmo simples e toquei a minha primeira música. Era simples e fácil, mas para mim eu acabara de me apresentar no Rock in Rio. Julguei que era um Rock Star!
A cada dia fui melhorando um pouco e bem aos lentamente aumentando o meu repertório com canções que eu amo e aprendendo a não julgar. Nem a mim nem aos outros.
Isso é sim sobre música e violão, mas pode ser sobre qualquer outra coisa que você esteja vivendo. Julgue menos, viva mais e não desista nunca!
E agora, às vezes, me surpreendo mexendo o meu corpo no ritmo das músicas. Me pego dançando sozinho pela casa e fico boquiaberto de que agora eu tenho ritmo.
Mas não tenho mais o meu amor... Só não vou julgar que a vida é injusta.