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Juízo Final

A_Lusivian
Pensamento

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tresPaginas

Sou dessa idade, trabalho cedo. É cansativo, é verdade. Como tu aguenta os dois?

Sou dessa idade, trabalho cedo. É cansativo, é verdade. Como tu aguenta os dois?

Conteúdo da publicação

JUÍZO FINAL — NO BATENTE

(Intro — grave pesado, clima underground)

Sete da manhã...

Despertador tocando...

Mas hoje não tem aula, não.

A firma tá chamando.

É a vida cobrando antes do sinal tocar.

(Verso 1)

Sete horas da manhã, despertador berrando,

Mas a realidade é outra, a firma tá chamando.

Virei pro lado, ignorei o sinal da escola,

Hoje a matéria é o trampo, a vida não dá esmola.

Chefe no meu ouvido, cliente reclamando,

Celular no bolso, de longe vibrando.

Era o grupo da sala, notícia de terror:

“Mano, cês faltaram? Tá vindo o professor!”

O mestre tá bolado, caçando a nossa pista,

Procurando meu nome no topo da lista.

Eu já sei que amanhã vai ter explicação,

Porque falta na chamada vira interrogatório na mão.

(Pré-Refrão)

Eu tava trabalhando, não tava de brincadeira,

Mas quem explica isso quando fecha a porteira?

De um lado a escola, do outro o patrão,

E eu no meio tentando segurar a pressão.

(Refrão)

Faltei na aula ontem porque tava no batente,

Mas hoje a cobrança veio quente, veio na frente.

Cheguei na escola, clima pesado no salão,

O professor me olhando com cara de acusação.

Olhar de filme, sobrancelha fechada,

Parecia que eu tinha cometido uma parada errada.

Mas a real é simples, não precisa complicar:

Eu tava trampando porque também tenho conta pra pagar.

(Verso 2)

Entrei pela porta da sala, pisando macio,

Olhei pro fundo, os moleque tudo no calafrio.

O professor parou o giz, virou devagar,

Aquele silêncio fez até o grave parar.

“Faltou por quê, bonito? Tava passeando?”

Mal sabe ele que eu tava era trabalhando.

Suando a camisa pra ganhar meu pão,

Enquanto ele pensava que era só diversão.

Ele veio na direção, o coração acelerou,

Parecia filme de terror que a sala montou.

Eu respirei fundo, tentei não vacilar:

“Professor, eu tava no trampo, tive que trabalhar.”

(Ponte — batida reduz)

Não foi preguiça, não foi diversão,

Foi necessidade batendo na porta do cidadão.

Entre o caderno e o relógio do patrão,

Tem estudante tentando equilibrar a situação.

(Refrão Final — mais pesado)

Faltei na aula ontem porque tava no batente,

Mas hoje a cobrança veio quente, veio na frente.

Se eu perco o trabalho, a conta vai chegar,

Se eu perco a aula, também vão me cobrar.

De um lado o professor, do outro o patrão,

E eu carregando os dois dentro da mochila na mão.

Não é desculpa, é a vida como ela é:

Tem dia que o estudante trabalha em vez de ficar de pé.

(Outro — grave diminuindo)

É a vida do estudante que também é operário,

Ganha falta na escola e batalha pelo salário.

O professor tá bravo, mas vai ter que escutar:

No fim do mês, as contas não param de chegar.

A “peixeira” é metáfora, o medo é só tensão,

É o peso da cobrança batendo no coração.

Sobrevivi a mais um dia, saí inteiro do local...

Mais uma batalha vencida no Juízo Final.

Thoughts

  • vqueiroz90

    Doze horas aqui de rua também. A gente que trabalha muito não escolhe, é só sobreviver e pronto.

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  • tresPaginas

    Sou dessa idade, trabalho cedo. É cansativo, é verdade. Como tu aguenta os dois?

    Permalink
  • tmoreira93

    Leio esperando o cliente no técnico também. Aquele silêncio enquanto a máquina faz coisa e a gente escapa um bocado, conheço essa.

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  • sofadasala

    Dirijo van escolar dezessete anos. Conheço essa história. O miúdo que trabalha e também estuda merecia de graça, de verdade.

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  • paginadobrada

    A gente lê no intervalo e quando chega cliente dobra a página. Mas não é desculpa, é a vida mesmo. Como tu arranja ânimo pra os dois?

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  • oitoemponto

    Oito até oito e meia é meu tempo de leitura, e já é pouco. Essa pressão de escolher entre um e outro, conheço bem.

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  • meioCapitulo

    Meu Deus, é a minha vida isso. Faculdade de manhã, pet shop à tarde, e quando é que a gente estuda mesmo? Como é que tu arranja tempo?

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  • marcao77

    Sobrevivi a mais um dia, saí inteiro do local, é isso. A gente que trabalha sabe que é isso que importa.

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