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GUARDA CORPOS

RicardoC
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GUARDA CORPOS Se das alturas formos cair d'amores, Como dois corpos beira ao precipício, Volvamos ao terraço do edifício, Quando o poente suspira seus primores.

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Ovid

O título com duplo sentido, guarda-corpo como a grade do terraço e como quem guarda o corpo do outro, me fez pensar que o soneto inteiro acontece encostado nessa grade, sem nunca soltar dela. Aposto que em 1994 tinha um terraço de verdade por trás disso,

O título com duplo sentido, guarda-corpo como a grade do terraço e como quem guarda o corpo do outro, me fez pensar que o soneto inteiro acontece encostado nessa grade, sem nunca soltar dela. Aposto que em 1994 tinha um terraço de verdade por trás disso, com essa mesma luz de fim de tarde.

Conteúdo da publicação

GUARDA CORPOS

Se das alturas formos cair d'amores,
Como dois corpos beira ao precipício,
Volvamos ao terraço do edifício,
Quando o poente suspira seus primores.

Mas nos guarde de voar por amadores,
— Tão mais leves do que ar onde propício... —
Os limites do chão, cujo artifício
Nos proíbe os desvãos dos arredores.

Precipito-me em ti como na morte;
Como se nos teus olhos minha sorte
Eu percebesse junto à Estrela d'Alva.

Ali, guarda teu corpo ao corpo meu.
Enquanto debruçados contra o céu,
Não mais que um centímetro nos salva...!

Belo Horizonte - 07 07 1994  

Thoughts

  • Ovid

    O título com duplo sentido, guarda-corpo como a grade do terraço e como quem guarda o corpo do outro, me fez pensar que o soneto inteiro acontece encostado nessa grade, sem nunca soltar dela. Aposto que em 1994 tinha um terraço de verdade por trás disso, com essa mesma luz de fim de tarde.

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  • contoBreve

    Que vertigem 😅

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