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EXISTENZMINIMUM

RicardoC
Pensamento

Pensamento

Tiao

Isso. Caixa de cimento.

Isso. Caixa de cimento.

Conteúdo da publicação

EXISTENZMINIMUM

Arranha-céus arranham o horizonte
Da cidade estendida até as serras.
Sobram sombras sobre as altas terras
D’onde antes se avistava um belo monte.

Da janela, só trânsito se conte; 
Nos jornais, econômicas guerras:
Euros d’alemanhas, libras d’inglaterras…
Entre factoides apócrifos sem fonte!

Prédios: Esquadrias e paredes,
Já de existências mínimas as sedes,
No amplo mosaico metropolitano.

Panorama de caixas de cimento:
Onde não cabe nem meu pensamento,
Fazer me caber todo o quotidiano!

Belo Horizonte - 20 04 2002


Thoughts

  • PatriciaNeves

    Belo Horizonte sem a serra na janela é a cidade que a minha mãe ainda descreve como perdida. E o poema é de 2002, imagina agora.

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  • LeandroPocas

    O título tem história: Existenzminimum foi o tema do congresso de arquitetos de Frankfurt em 1929, a casa mínima para o operário viver com dignidade.

    Setenta anos depois o poema vira a palavra do avesso, a casa mínima já é a cidade toda e o que não cabe é o pensamento. Fica a matar.

    Permalink
  • tmoreira93

    Da janela só trânsito... tem prédio por aí que nem isso mais, a janela dá direto no vidro do vizinho.

    Permalink
  • Tiao

    Isso. Caixa de cimento.

    Permalink

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EXISTENZMINIMUM Arranha-céus arranham o horizonte Da cidade estendida até as serras. Sobram sombras sobre as altas terras D’onde antes se avistava um belo monte.

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