VI - CARPE DIEM
para Domingos Caldas Barbosa, o Lereno Selinuntino
Curtos os dias vãos que a Hora destrói:
Grão a grão de areia verte na ampulheta...
Há que se buscar fogo santo em meta,
Libertando do Cáucaso outro herói.
Curtos os dias sós... Pois, desconstrói
Verso a verso a poesia na gaveta...
Há que se verter fogo santo ao poeta,
Inflamando a palavra que o corrói.
Curtos os dias, mas d’isso eu me furto
Ao ouvir o que me vem da própria boca:
— “Curte o dia que é, poeta: O dia é curto!”
A vida vale àquele que os céus toca
E nem a Hora lhe alcança o verso surto
Nos corações de quem o amor evoca.
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