Eu Sou ou Era
Eu sou... ou era.
Eu era uma vez,
um conto de fadas.
Lógico,
Branca de Neve
nunca fui eu.
Mas estou no lugar
da bruxa.
Cruela como
Cem Dálmatas.
Não é maçã,
e sim poção.
Apenas um pouco
de magia.
Rei que virou sapo.
Mas um beijo,
e ele virou sapato.
O sapato virou encanto,
estante.
Ficou preso
dentro de um quadro.
Apenas o tempo
que congela.
O tempo cura
o relógio.
Direção do caminho,
das quatro pontas
da estrela.
Um sinal
para não cair.
No céu,
nem vagalume:
parece uma lanterna
na minha escuridão.
Apenas me perco.
Casa da magia,
casa dos pesadelos.
O rio caiu,
eu também.
Parece destino.
Termina...
Na ponta do rio,
termina no encontro
das águas.
Apenas um sinal.
Nem livros de contos,
nem magia.
Apenas uma poeta,
perdida no tempo.
Perdida
no passado,
para encontrar
o sentido
do relógio
do futuro.
Lá na frente,
o relógio.
Tudo vai começar.
E se torna
um relógio
sem controle.
Sim,
um relógio
com o trem.
Perde o equilíbrio
onde se encontra
a estação,
que não tem trilhos
para parar...
O tempo voa
como o pó
da magia.
Ana Cristina Poronhak de Carvalho