ESTILO
Eu, estilo.
Eu, estilo
da própria
personalidade.
Da minha própria.
Sou cafona.
Sou revoltada.
Foram tantos traumas.
Fui tabu
de preconceito.
Meu cabelo, desde que nasci,
atraía inveja.
Por favor, não toque
meu cabelo.
Ele está cheio de piolho.
Tem inveja
que chupa minha cabeça.
Meu estilo, inveja.
Poder das inimigas.
São presas aos rótulos
de cabelo.
Eu já tenho família.
Imagina respeito.
Sou quase qualquer.
Não sou garota
de programa,
porque sou religiosa.
Não nasci para convento.
A mesma roupa.
Imagina, inimigas
dizem que me visto mal.
Roupas baratas,
quase lixeira,
mas não uso roupa
de brechó.
Tenho pavor de lixo
reciclável.
Mas ainda meu corpo
também foi alvo
de preconceito.
Como tive anorexia,
porque emagreci,
porque me senti
linda pela primeira vez.
Mas elas, para diminuir,
sempre são as pedras
do caminho.
Hoje rezo para sair
meu caminho.
Ana Cristina Poronhak
de Carvalho