O trajeto até Lytharien não era longo, mas exigia intenção.
As árvores se afastavam levemente quando ela passava. Não por medo. Por respeito.
Lytharien era um pequeno povoado construído às margens da floresta, com casas de madeira clara, janelas amplas e telhados inclinados. Fumaça subia das chaminés, misturando-se à bruma.
Não era um lugar rico em ouro.
Era rico em trocas.
Ali, pessoas iam não apenas para comprar, mas para conversar, partilhar histórias e buscar soluções que nem sempre sabiam nomear.
E, de alguma forma, sempre acabavam encontrando Elarith.
A Casa de Trocas Naturais — “Raízes de Âmbar”
No centro do povoado havia uma construção maior, feita de madeira antiga e vigas aparentes.
Uma placa entalhada à mão dizia:
Raízes de Âmbar — Ervas, Infusões e Artefatos Naturais
Era o lugar onde o mundo se expandia além da floresta.
Lá encontravam-se:
Especiarias trazidas de terras distantes
Cristais polidos pelo mar
Óleos raros
Papéis artesanais
Frascos de vidro soprado
Tecidos naturais tingidos com pigmentos vegetais
Sementes que não cresciam naquela região
E também ervas que não nasciam sob as árvores da casa de Elarith.
Ela sempre levava algo em troca:
misturas exclusivas de chá,
pequenos frascos de memória seca,
e às vezes páginas copiadas de antigos ensinamentos.
A dona do local, uma mulher chamada Miren, sabia quem Elarith era, ainda que nunca tivesse feito perguntas diretas.
Algumas presenças não precisam ser explicadas.
Continua...