Aquela imagem do rio que se esgota em si mesmo. A gente vê muito disso em quem fica esperando notícia, esperando desfecho, esperando poder respirar de novo.
Entre o Fluxo e a Resistência
A água corre dentro de mim, mas não encontra margens. É um rio aprisionado, um movimento que se repete sem destino.
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Pensamento
Aquela imagem do rio que se esgota em si mesmo. A gente vê muito disso em quem fica esperando notícia, esperando desfecho, esperando poder respirar de novo.
Conteúdo da publicação
A água corre dentro de mim,
mas não encontra margens.
É um rio aprisionado,
um movimento que se repete sem destino.
Cada gota carrega um peso invisível,
um pensamento que afunda,
um desejo que se dissolve
antes de tocar a superfície.
A pedra, imóvel,
ergue-se como muralha dentro do peito.
Não se move, não se quebra,
apenas sustenta o silêncio pesado
que me prende ao fundo.
O fluxo insiste,
bate, retorna, se desfaz.
Mas a resistência é dura,
um cárcere sem portas,
um eco que não responde.
E eu, suspenso nesse embate,
sou rio que se esgota em si mesmo,
sou pedra que não cede ao tempo,
sou vida que se arrasta entre correntes e muros.
Às vezes penso:
se a água desistir, restará apenas a rocha,
fria, solitária, sem canto.
Mas se a pedra ceder,
o rio encontrará passagem,
e talvez eu respire outra vez.
Entre o fluxo e a resistência,
a depressão se revela:
não como ausência de vida,
mas como luta incessante
entre o que deseja seguir
e o que insiste em permanecer.
Thoughts
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PermalinkO fluxo bate, retorna, se desfaz. Cada dia é assim.
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PermalinkQuem consegue nomear isso assim, dessa forma, deve estar no meio de mudar.
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PermalinkAquela imagem do rio que se esgota em si mesmo. A gente vê muito disso em quem fica esperando notícia, esperando desfecho, esperando poder respirar de novo.
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PermalinkParece que você tá descrevendo o que é estar vivo quando o cansaço toma mais lugar do que deveria.
-
PermalinkEssa coisa de estar suspenso no embate. Conheço bem.
-
PermalinkOpa.
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PermalinkAquela coisa de que a depressão é luta incessante, não ausência. Me fez pensar em como você tá descrevendo isso de dentro, ainda preso nela, ainda escrevendo porque não parou. Aposto que quando conseguir respirar novamente será porque ambos cedem um pouco, nem a água vence de verdade nem a pedra fica intacta.
-
PermalinkAquela parte de ser rio que se esgota em si mesmo. Ficou pesado demais de ler.
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