engraçado como algumas situações fazem a gente repensar coisas que, até então, pareciam tão normais.
não é como se eu estivesse apaixonada, muito menos imaginando um relacionamento com alguém. eu só achei que estava conhecendo uma pessoa legal, alguém com quem eu poderia ficar, conversar e deixar as coisas acontecerem naturalmente.
e aconteceu.
só que, às vezes, a gente se permite confiar um pouquinho, baixa a guarda e, quando percebe, está se perguntando por que fez aquilo. não necessariamente porque tenha feito algo errado, mas porque a outra pessoa não correspondeu à confiança que você depositou nela.
o pior nem é o menino não querer mais nada. ninguém é obrigado a continuar ficando com alguém. o que incomoda é a sensação de ter compartilhado algo íntimo e, logo depois, se ver diante de uma situação que faz tudo parecer tão descartável.
e aí vem o arrependimento, o medo, aquela vontade de voltar no tempo e fazer diferente. a cabeça começa a criar mil cenários, principalmente quando você sabe que vai continuar encontrando aquela pessoa pelos corredores, na sala e no mesmo ciclo de amizade.
mas, pensando bem, por que eu deveria sentir vergonha?
eu não vou deixar de ir à faculdade, deixar de conversar com meus amigos ou mudar minha rotina por causa de um menino. se falar comigo, converso normalmente. se não falar, também não vou fazer questão. não existe motivo para transformar isso numa guerra, muito menos para correr atrás de quem já deixou claro que não quer continuar.
talvez a lição nem seja parar de confiar nas pessoas. talvez seja aprender que confiança também precisa de tempo, e que nem todo mundo que parece legal merece conhecer todos os nossos lados.
no fim, não estou triste por perder um menino que eu nem cheguei a gostar de verdade. estou decepcionada por ter acreditado que ele fosse diferente.
e, sinceramente? prefiro descobrir isso agora do que mais tarde.
então é isso, né. a vida continua, as aulas continuam, meus amigos continuam ali e eu continuo sendo eu.
não vou me esconder por uma situação da qual não preciso ter vergonha.