Fui procurar foto minha com meu pai depois de adulta, por causa da parte da fotografia. Achei uma. Formatura de 2014, cada um olhando pra um lado.
Enquanto Eles Ainda Estão Aqui.
E, sem perceber a porta do quarto se fecha, o mundo fica do lado de fora e passamos horas olhando para uma tela, sem perceber que, do outro lado da parede, existem duas pessoas que dariam tudo para…
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Pensamento
Fui procurar foto minha com meu pai depois de adulta, por causa da parte da fotografia. Achei uma. Formatura de 2014, cada um olhando pra um lado.
Conteúdo da publicação
E, sem perceber a porta do quarto se fecha,
o mundo fica do lado de fora
e passamos horas olhando para uma tela,
sem perceber que, do outro lado da parede,
existem duas pessoas
que dariam tudo
para ter mais alguns minutos conosco.
Pai.
Mãe.
Duas palavras tão pequenas,
mas que carregam
uma vida inteira de amor.
Talvez hoje você ache normal
ouvir sua mãe chamar seu nome.
Talvez ache normal
seu pai perguntar se você está bem.
Talvez até responda sem olhar nos olhos,
porque está ocupado,
porque está no celular,
porque está no quarto,
porque pensa:
“Depois eu converso.”
Mas cuidado com esse “depois”.
Porque a vida não promete
que haverá outro dia.
Hoje sua mãe pode estar aí.
Amanhã, talvez uma cadeira vazia
ensine aquilo que você não aprendeu
quando ainda havia tempo.
Hoje seu pai pode bater na sua porta.
Amanhã, talvez você daria tudo
para ouvir aquela voz novamente.
E é por isso que eu escrevo:
saia um pouco do quarto.
Deixe o celular de lado.
Sente perto deles.
Pergunte como foi o dia.
Ajude dentro de casa.
Dê um abraço sem precisar de motivo.
Diga “eu amo você”
mesmo que pareça estranho.
Porque o amor não deve ser guardado
para o último momento.
Nossos pais envelhecem
enquanto nós crescemos.
Essa é uma verdade
que quase ninguém percebe.
Enquanto você aprende a caminhar
para longe de casa,
eles aprendem a caminhar
um pouco mais devagar.
Enquanto você constrói seus sonhos,
eles envelhecem esperando
ver você realizá-los.
E talvez aquela pessoa
que um dia segurou sua mão
quando você não sabia andar,
hoje precise que você segure a mão dela.
Talvez aquele pai
que trabalhou cansado
para colocar comida na mesa,
tenha escondido suas próprias dores
para que você pudesse sorrir.
Talvez aquela mãe
que passou noites acordada
cuidando de você,
tenha colocado seus sonhos de lado
para ajudar você a construir os seus.
E você pode nunca saber
quantas lágrimas eles esconderam
para que as suas não fossem maiores.
Por isso, valorize.
Não espere a saudade
para reconhecer a presença.
Não espere o silêncio
para sentir falta da voz.
Não espere a fotografia
para perceber a pessoa.
Não espere o funeral
para dizer aquilo
que poderia ter dito em vida.
Abrace enquanto eles estão aqui.
Converse enquanto eles podem responder.
Sente à mesa enquanto ainda existe
um lugar reservado para você.
Ajude enquanto aquelas mãos
ainda conseguem receber sua ajuda.
E quando você tiver dinheiro,
não esqueça quem dividiu o pouco
quando você não tinha nada.
Quando você vencer,
olhe para trás.
Talvez seus maiores troféus
não estejam em uma estante.
Talvez estejam sentados
na sala de sua casa.
Talvez tenham cabelos brancos.
Talvez tenham mãos marcadas pelo tempo.
Talvez estejam cansados.
Mas estarão olhando para você
com aquele orgulho silencioso
de quem pensa:
“Eu faria tudo novamente
se fosse para ver meu filho chegar até aqui.”
Então, filho,
antes de procurar o mundo inteiro,
olhe para dentro de casa.
Antes de querer milhões de seguidores,
valorize quem sempre esteve ao seu lado
quando ninguém estava olhando.
Antes de procurar alguém
que diga que ama você,
lembre-se de quem
já provou esse amor
milhares de vezes.
E se hoje você está trancado
dentro do seu quarto,
abra a porta.
Não apenas a porta do quarto.
Abra o coração.
Vá até sua mãe.
Vá até seu pai.
Diga alguma coisa.
Nem que seja:
“Como você está?”
Porque talvez essa simples pergunta
seja uma das coisas mais bonitas
que eles ouvirão naquele dia.
A juventude passa.
O dinheiro passa.
Os problemas passam.
As redes sociais passam.
As modas passam.
Mas o tempo com quem amamos
não volta.
Por isso, enquanto eles estiverem aqui,
ame.
Enquanto eles puderem ouvir,
diga.
Enquanto puder abraçar,
abrace.
Enquanto puder ajudar,
ajude.
Porque um dia você pode olhar
para aquele quarto vazio
e perceber que trocou
uma conversa com seus pais
por horas que nem consegue lembrar.
E nesse dia,
não será o celular que você vai querer.
Não será o dinheiro.
Não será a casa.
Não será nada disso.
Você vai querer apenas
mais cinco minutos.
Mais um abraço.
Mais uma conversa.
Mais uma chance de dizer:
“Mãe, eu te amo.”
“Pai, obrigado por tudo.”
Então não deixe para depois.
Eles estão aqui.
E talvez o maior presente
que você possa dar a eles
não seja comprar alguma coisa.
Seja simplesmente
estar presente.
Autor: João Guilherme Guimarães de Souza
Thoughts
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PermalinkFui procurar foto minha com meu pai depois de adulta, por causa da parte da fotografia. Achei uma. Formatura de 2014, cada um olhando pra um lado.
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PermalinkCaminhar para longe de casa enquanto eles aprendem a caminhar mais devagar. São duas coisas acontecendo ao mesmo tempo, e cada um só enxerga a sua. Fiquei pensando que os pais também não veem o filho crescer do outro lado da porta. Gostei muito de o texto terminar numa pergunta tão pequena! Tem mais textos seus sobre família publicados por aqui?
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PermalinkMainha partia um pão em três e dizia que já tinha comido. Hoje quem paga a luz da casa dela sou eu, e ela ainda liga pra dizer que não precisava, visse.
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