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Encaixando a traseira.

Antonio_Goncalves
Pensamento

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Olavo

Ela segurou o elevador já com o andar e o número escolhidos. Aposto que a aflição na vaga, naquele primeiro dia, também tinha a sua parte de teatro.

Ela segurou o elevador já com o andar e o número escolhidos. Aposto que a aflição na vaga, naquele primeiro dia, também tinha a sua parte de teatro.

Conteúdo da publicação

Diz um velho ditado que quem faz o bem, recebe o bem. Não é uma fórmula infalível, mas às vezes funciona.

Fazia eu um serviço num condomínio quando vi a dificuldade de uma certa dona em estacionar seu carro numa vaga na rua. Acompanhei aquela cena por um tempo, quase como quem assiste àquelas cassetadas da TV. Depois de me divertir bastante, resolvi ajudar.

— A senhora quer ajuda?

— Não. Não precisa.

— Desculpa, mas parece que precisa, sim.

— É que a vaga é apertada, e o pessoal não colabora.

— Tudo é questão de calma. Nervosa assim, a senhora não vai conseguir. Olha, vai um pouco para frente...

— Eu sei: emparelha o carro, move até tal ponto, esterça para cá e para lá, e blá-blá-blá. Eu sei, mas me confundo.

— Calma, eu tenho umas dicas mais simples e fáceis de lembrar. A vaga realmente está apertada, mas vai para frente, emparelha o carro, esterça tudo para o lado do passageiro e desce o carro até metade da vaga. A senhora vai ver que a bunda quase encaixou. Agora, esterça tudo para o lado do motorista e desce o carro até a bunda encaixar direitinho. Aí vai indo para frente e para trás, até acertar o carro. Agora tenta.

— Encaixar a bunda? Ir para frente e para trás? Sério isso, moço?

— Dona, vai por mim. Só tenta.

Ela seguiu minhas dicas e o carro entrou como uma luva. Antes de ela descer e me agradecer, entrei ligeiro no prédio, pois já estava atrasado para mais um dia de labuta.

Dias depois, cheguei e a vi terminando de acertar o carro. Pelo visto, ela aprendeu. Entrei no prédio e um erro no cartão de visita me fez ter que aguardar. Nisso, aquela dona passou por mim, mas me viu falando com o porteiro e seguiu logo pela catraca. Em seguida, autorizaram minha entrada. Corri até o elevador ao ver que uma mão o segurava. Quando entrei, era aquela dona me esperando.

— Obrigado por segurar. Tudo bem com a senhora?

— Sim. E que bom que nos encontramos. Eu não consegui lhe agradecer aquele dia. Obrigada, sua dica me salvou. Já não erro mais a baliza.

— Bom saber que ajudou. Baliza é meio chatinha mesmo. Mas, com prática, a gente aprende a fazer de olhos fechados. E é só encaixar a bunda, ir para frente e para trás, e não tem erro.

— Sei... Safadinho o senhor. Mas, mudando de assunto, acho que já o vi outras vezes por aqui.

— Bem provável. Eu faço muitos trabalhos no condomínio. Sou eletricista.

— Ah, sei. É o senhor que mexe com força... Seria pedir muito se eu lhe pedisse para ir até meu apartamento no fim do dia?

— Claro, posso passar lá, sim. Mas a senhora tem algum problema elétrico?

— Meu problema, na verdade, é falta de quem me acenda. Quem sabe o senhor indo até lá não possa me mostrar o quanto mexe com força, e eu aproveito para treinar melhor como encaixar a bunda e ir para frente e para trás? É no sétimo andar, apartamento 73.

Pois é, às vezes o universo conspira a nosso favor. Faça sempre o bem e o bem retornará a você.

Thoughts

  • camila_release

    Discordo um pouco da moral do fim. O bem que ele fez foi a dica da baliza, e isso ela pagou ali no elevador com o obrigada. O convite pro 73 é outra conversa, que começou quando ele resolveu repetir a piada da bunda na cara dela. Quem conspirou foi ele mesmo, o universo só ficou segurando a porta.

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  • Olavo

    Ela segurou o elevador já com o andar e o número escolhidos. Aposto que a aflição na vaga, naquele primeiro dia, também tinha a sua parte de teatro.

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  • mora_aqui_ja

    Mano o cara explicou baliza usando bunda como unidade de medida e achou que ia sair ileso KKKKK

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