Conheço muitas pessoas que têm dinheiro e ficam seguindo gente que promete ajudá-las a montar um negócio.
Tem um conhecido do bairro que montou uma padaria gourmet. Comprou a melhor fatiadora, a melhor cozinha industrial, montou uma estrutura excelente para frios e bebidas e contratou um ótimo cozinheiro. No total, investiu mais de meio milhão de reais.
Seguiu os conselhos dos seus consultores, pessoas que já tinham ajudado outros negócios a dar certo. Mas existe um detalhe: muitos desses consultores ganham dinheiro justamente prestando consultoria, enquanto o investidor é quem assume o risco de colocar tudo em prática.
A maioria dos negócios precisa de tempo para amadurecer. São aluguéis, prestações, funcionários, fornecedores, impostos e uma infinidade de despesas que não esperam o negócio começar a dar lucro. Às vezes, são necessários três ou quatro anos para alcançar uma estabilidade financeira.
Mas será que todo investidor está preparado para isso?
A padaria do meu conhecido não durou nem seis meses.
O problema é que muita gente acredita que, por ter dinheiro para investir e contar com profissionais experientes, já tem tudo o que precisa para empreender. Depois, quando as coisas dão errado, coloca a culpa no governo, na economia ou em qualquer outra coisa, sem necessariamente olhar para as próprias decisões.
E não estou dizendo que o governo não tenha responsabilidade ou que todo consultor seja ruim. Estou dizendo que existe uma diferença enorme entre conhecer negócios que deram certo e compreender a realidade de quem está colocando o próprio dinheiro em risco.
Dinheiro não compra a rotina de um negócio. Não compra a experiência de enfrentar os problemas diários, a paciência para esperar os resultados e a capacidade de tomar decisões difíceis quando as coisas não saem como planejado.
E, às vezes, essas pessoas ainda se consideram mais inteligentes do que todo mundo.
Quando falo em vender um carro ou algum bem que fica parado, estou falando de ter consciência do que temos, do que precisamos e de onde queremos chegar. É entender que um bem também pode representar dinheiro imobilizado e que, dependendo da situação, abrir mão dele pode fazer mais sentido do que continuar mantendo algo que não contribui para os nossos objetivos.
É preciso ser realista, pensar com o cérebro, não com o fígado.
Eu mesmo estou fazendo isso. Mas sei onde quero chegar e estou tentando tomar decisões coerentes com esse objetivo. Não estou simplesmente me desfazendo das coisas porque preciso de dinheiro ou porque alguém me disse que deveria fazer isso. Estou avaliando o que faz sentido para a minha realidade e para o caminho que escolhi.
É justamente aí que está a diferença.
Nenhum consultor, coach ou especialista consegue tomar essas decisões por você. Ele pode ensinar, orientar e apresentar caminhos, mas não vive a sua rotina, não conhece todas as suas limitações e não vai enfrentar as consequências das suas escolhas no seu lugar.
A teoria pode ensinar você a montar um negócio. Mas é a realidade que vai mostrar se você sabe mantê-lo funcionando.
E isso não se aprende apenas ouvindo quem já teve sucesso. Aprende-se entendendo o próprio contexto, conhecendo os próprios limites, fazendo escolhas conscientes e tendo paciência para construir alguma coisa sem confundir investimento com garantia de resultado.
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