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Em todo lugar

NattachaIank
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Sempre os olhos.

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Pensamento

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Essa parte do pão de queijo tendo cheiro de Amélia... isso é muito bom. Acordar e já saber quem chegou só pelo cheiro.

Essa parte do pão de queijo tendo cheiro de Amélia... isso é muito bom. Acordar e já saber quem chegou só pelo cheiro.

Conteúdo da publicação


Sempre os olhos.

Era o que Amélia encarava todas as manhãs enquanto escovava os dentes. Ela precisava admitir, eram belos pares de olhos! Mas em contraponto parecia errado, como se não fossem seus. Olhos roubados das estrelas. Profundos demais, devoradores demais.

E todas as manhãs eram os mesmos pensamentos, em looping. Levantar, passar um café, encarar o espelho e pensar de onde vinha aquela estranha admiração por si mesma.

Amélia era comum, você não tiraria os olhos do livro pra vê-la passar. Não tinha nada demais, uma menina comum, uma vida comum, mas olhos nada comuns. Ela não sustentava o olhar enquanto conversava, não por timidez, mas porquê era assombrada com um poder.

Quando menina tinha uma amiga, o nome dela era Dalila.

“Nome engraçado.” Ela disse quando conheceu a menina.

Dalila era linda, de alma. Aquele tipo de menina que caminha leve como o vento, se Dalila fosse uma cor ela seria amarelo. Amarelo clarinho, não aquele tom quente de amarelo. Dalila era sensível demais pra ser quente, leve demais pra carregar o sol consigo. Mas era linda de um jeito que só ela poderia ser.

Amélia sentou na grama ao lado dela sem mais nem menos, foi assim que se conheceram. Na grama da escola, com um dia de congelar os ossos esbofeteando o rosto das duas. Nesse mesmo dia, Amélia olhou nos olhos de Dalila. Levou um susto que a fez derrubar o lápis de cor que segurava.

“Que foi?” - Dalila perguntou assustada.

“Você vai ser importante demais pra mim.” - foi a resposta que recebeu.

Não era comum uma menina de dez anos falar naquele tom, mas era menos comum ainda olhar nos olhos de alguém e enxergar um universo de possibilidades e foi o que aconteceu quando Amélia encarou os olhos castanhos de Dalila.

Elas ficaram amigas, compartilharam segredos, mas Amélia nunca contou o que viu nesse primeiro dia. Há quem diga que foi Dalila que despertou esse dom, mas provavelmente foi algo mais profundo. Algo parecido com a sensação de pertencer a alguém e foi assim que ela se sentiu no gramado e todos os dias depois daquele. Pertencendo.

A parte difícil era olhar nos olhos das pessoas e enxergar além, sentir além. Era uma cócega, incomodava e despertava interesse em saber mais. Amélia nunca se acostumou, e sempre preferiu desviar o olhar. Não queria compartilhar nada profundo com ninguém. Exceto Dalila, que sempre foi uma constante.

Anos depois em uma manhã de domingo, o dia mais triste de todos os dias, em que Amélia acordou. Passou o café e foi em direção ao banheiro, como todas as manhãs. Lavou o rosto sem olhar para o espelho. Tentou fugir de si, mas o ritual não permitia. Olhou nos próprios olhos antes de colocar a escova de dentes na boca. O espelho trincou. Bem nos olhos.

Sentiu um arrepio no espinha. Alguma parte dela faltou e ela não sabia dizer quais das partes era. Pegou o celular e ligou para Dalila. Nada.

Ela sabia que algo estava errado, a atmosfera havia mudado. Era uma sensação, uma coisa no ar. Como se magicamente respirar tivesse se tornado mais pesado. Olhou para as mãos e havia uma luminosidade estranha, o ar tinha uma textura estranha. Se fosse possível andar dentro de uma gelatina assim Amélia descreveria. Uma enorme gelatina laranja. Tentou ligar novamente para Dalila. Nada.

Caminhou para fora do banheiro e depois para fora de casa. As coisas estavam fora de lugar. Casas onde antes existia apenas céu, mar onde havia grama. Amélia sentia seu corpo febril. Um desconhecido que era conhecido de alguma maneira segurou seu braço e ela olhou seus olhos.

“Chega! Acorda!”

Amélia acordou. Escuro. Estava um breu como as noites de domingo costumam ser. Discou o número de Dalila.

“Esse número não existe, disque novamente.”

Levantou, foi ao banheiro e encarou o espelho. Nada.

Amélia nunca existiu.

Ninguém para sentir sua falta, ninguém para lembrar da beleza de seu nome e como as letras pareciam dançar na boca até sair o sonoro “Amélia”. Ninguém para lembrar dos seus olhos, exceto Dalila.

Do outro lado do tempo, em um lugar distante da existência, Dalila sentiu.

Algo dentro dela quebrou. Não como um osso ou uma taça de vidro. Algo mais parecido com um graveto sob os pés de uma criança curiosa.

Dalila sentiu saudade de Amélia. Levantou, tomou seu chá e foi ao banheiro. Era sempre escuro pra ela. O som chegava antes do cheiro e as palavras sempre tiveram gosto. Ela contava isso para a mãe, que ria e bagunçava seu cabelo. Sua mãe tinha cheiro de terra molhada de chuva no final de dezembro.

Depois do chá de camomila - que com toda certeza era amarelo - Dalila passava perfume que tinha cheiro de nuvem. Assim que ela imaginava que as nuvens seriam.

Arrumava a mochila, muito arrumada inclusive, arrumava Eco e ambos saiam, mundo afora. Eco sempre na frente, sempre farejando e sem som algum dizendo o que era seguro e o que não era.

As coisas aconteciam nessa rotina, ir para o colégio, voltar do colégio. Nada incomum. Mas nessa segunda-feira de sol, sol quente como os pães que a mãe fazia e que tinham gosto de manteiga, Dalila sentiu. Lógico que sentiu. A presença de Amélia era tão forte como seu nome, tão ruidosa como uma tempestade.

“Sonhei que você não existia!” - disse ela antes de saber que estava sendo acompanhada.

“Como você sempre sabe que sou eu?”

“Você faz muito barulho e tem cheiro de café passado para acompanhar uma boa fornada de pão de queijo.”

“Isso é bom?”

“Eu amo pão de queijo.”

Dava para ouvir o sorriso de Amélia se abrindo. Era essa a parte que Dalila amava, o som antes da risada.

Amélia pegou sua mão e ambas foram tomadas por um silêncio que só a intimidade traz. Lógico que foi Amélia quem quebrou o silêncio.

“Como seria?”

“O que, Amélia?”

“Se eu não existisse, sabe? O que mudaria pra você?”

Essas conversas sempre apareciam. Amélia tinha tanto medo de não existir e Dalila tinha mais medo ainda de não ser o suficiente pra que Amélia acreditasse que existisse. Uma perseguindo a outra.

“Mudaria tudo.”

Amélia logo constatou que esse era o máximo de resposta que teria com aquela pergunta.

Ela se apaixonou por Dalila do mesmo jeito que alguém pega no sono. Quase sem querer. Fugiu desse sentimento por anos porque, não porque amar Dalila fosse difícil, mas porque ser amada que era. Ela sabia que se apaixonaria desde o dia em que a viu pela primeira vez. Não no gramado da escola. “Aquela vez não conta”. Mas no dia em que viu Dalila chorar e o motivo era tão banal como qualquer banalidade do dia a dia. Ela estava chorando porque Amélia disse que ela era linda. Linda como um sorvete de baunilha. Nesse dia elas se beijaram e tinha gosto de baunilha.

*****

Elas namoraram.

Casaram.

Não teve o drama. Amélia sempre foi o que os pais de Dalila queriam pra ela.

Dalila sempre foi o que a avó esperava para Amélia.

Uma história de amor, simples como o curso da água. Mas a vida não era simples.

Vez ou outra as inseguranças de Amélia começavam a abrir uma ruptura. Ela era demais, louca demais, profunda demais e falava DEMAIS. Uma hora ou outra Dalila acordaria e se cansaria dela.

“Eu te amo!” - Dalila dizia todas as noites embalada pelo sono.

“Onde?” - Amélia perguntava. Não como ou quanto, mas onde.

“Em todo lugar.” E elas se beijavam. Às vezes faziam amor, às vezes Amélia se ajeitava nos braços de Dalila e nunca era chato ou cansativo. Era apenas como era.

Em uma dessas noites preguiçosas, depois do trabalho, elas se deitaram e como era de costume Amélia lia pra Dalila.

“Sempre amei o som do seu nome, sabia?”

Parando a leitura, Amélia refletiu antes de responder. Era sempre assim que as conversas mais profundas começavam, sem um porquê, sem uma ponta solta. Sempre foi fácil ouvir o que Dalila tinha pra falar.

“O som do meu nome? O que tem de bonito nisso, Dalila?” Ela ria enquanto falava, e Dalila sabia disso.

“Combina com você.”

“Há quem discorde.”

“Por quê?”

“Amélia é nome de flor, não é?”

“E é bem aí que está o contraponto. Quando falo Amélia nem passa pela cabeça uma mulher vestindo jaqueta de couro e usando coturno. Isso é exatamente quem você é. Um contraponto. Gosto dessa palavra tanto quanto gosto de Amélia.”

Amélia ficou em silêncio.

*****

Eco ocupava muito espaço na cama. Era um cachorro velho e teimoso, mas fazia parte da vida delas e ambas sabiam o tamanho da falta que ele faria.

Dalila sempre pensava nessa falta antes de perder.

Foi dessa falta que veio o medo. Sabia que Amélia a amava. Sentia que amava. Mas os silêncios foram ficando mais pesados. O som da risada demorava mais a chegar. Os “onde” foram parecendo mais distante.

A perda da avó criou um muro e ela sentia. Sabia que Amélia estava triste e que se recusava a falar sobre essa tristeza. Existia uma cadência na sua voz que antes não existia. Um cheiro de nublado que permeava toda a casa quando ela chegava. Amélia chegou antes que a tempestade naquela dia e algo no som dos seus passos preocupou Dalila.

“O que houve?” Perguntou enquanto Amélia tirava os sapatos.

“Nada. Eu só caí de moto, a rua estava molhada. Não foi nada grave.” Disse enquanto beijava a testa de Dalila. Naquele beijo tinha frio.

“Você foi ao médico?”

“Não precisa. Foi algo bobo.”

“Deixa eu sentir você.”

“Não se preocupa comigo. Eu estou bem, prometo. Vou só tomar um banho e vamos ler.”

De alguma forma Dalila sentia que as palavras pareciam fugir de Amélia. Como se cada sílaba precisasse ser encontrada antes de ser dita.

Amélia leu. Dalila não prestava atenção na história, mas sim no quanto as palavras pareciam pesadas, difíceis de serem ditas.

“Eu te amo!” Ela disse abruptamente.

Amélia fechou o livro.

“Até as partes que faltam?”

Essa pergunta era nova. Demorou uns segundos até Dalila processar.

“Principalmente as que faltam.”

Silêncio.

Amélia levantou. Deixou um vazio no sofá.

“Vou passar um café. Quer?”

Aquela pergunta foi a mais estranha. Ela não bebia café. Dez anos dividindo a vida toda, Amélia sabia disso.

Eco latiu. Ele nunca latia.

Amélia voltou da cozinha, sem café.

“Estou com sono, quer deitar?”

E elas foram.

Naquela noite não teve conversa, houve apenas um beijo terno. Amélia pedia socorro em silêncio. Dalila sentia. Enquanto compartilhavam o silêncio da noite, Dalila sentiu as lágrimas de Amélia quentes em seu braço.

*****

Amélia diminuía de tamanho ao passo que a saudade de Dalila aumentava.

Elas compartilhavam a mesma cama, algumas piadas ao decorrer do dia, mas a noite chegava e entre elas uma ausência. Eco havia partido no mês anterior. No final da vida ele tinha cheiro de água oxigenada e cinza. Não doeu como Dalila imaginou que doeria. Foi silencioso e calmo. A morte o recebeu com os braços abertos.

Amélia chorou baixo. O tipo de choro de quem aprendeu desde cedo a não incomodar, mas incomodou. Não o choro em si, mas a falta das palavras. Ela sempre tinha algo a dizer, uma grande constatação, mas só chorou.

“Acho que meus olhos mudaram de cor.” Amélia disse uma noite. Dalila tomava banho e sentiu medo na frase da esposa.

“Que cor são agora?”

“Ainda verdes, mas outro tom de verdes.”

“Tem cheiro de que?”

“Bolo queimado.”

Essa descrição pairou na mente de Dalila o jantar inteiro. E a cada garfada sentia cheiro de bolo queimado.

*****

“Você não achava que me falta algo?” A pergunta doeu como um soco no estômago. Elas estavam deitadas, corpos nu, suadas e desajeitadas como só o amor é capaz de deixar alguém.

“Como o que Amélia?”

“Como um sentido.”

“Sentido?”

“Sabe, uma finalidade. Não para nós duas. Para a vida. Por que fazemos o que fazemos?”

Uma pontada de luz quente e com cheiro de fim de tarde atravessou o coração de Dalila. Era essa Amélia que lhe faltava.

“Acho que descobrimos ao longo do percurso.”

“Sinto falta da minha avó, Dali”

“Eu sei, amor.”

“Sinto falta de mim. Dos meus olhos sendo meus olhos.”

Dalila queria dizer que sentia falta também. Não dos olhos, ela sabia que eram os mesmos, mas achou injusto, então permaneceu em silêncio. Abraçou Amélia e sentiu o cheiro do seu pescoço, era quente, era familiar.

“Eu te amo!”

“Mesmo quando não for mais eu?”

“Eu te amo agora.”

*****

Amor não se aprende.

Dalila amava Amélia.

Amélia amava apesar.

Apesar de não se reconhecer olhando no espelho, apesar de sentir que existiam quilômetros de distância entre a menina que a fez derrubar o lápis na primeira vez que se viram. Amava apesar dos contratempos, das brigas, das fugas, das noites mal dormidas. O apesar de Amélia parecia mais profundo do que somente o amor de Dalila. Aos olhos dela o amor de Dalila parecia mais com amor e isso queimava.

“No amor, precisa alguém amar mais?” Ela perguntou enquanto afagava os cabelos amarelos agora como raios de sol, de Dalila.

“Acho.”

Não era a resposta que ela queria, mas conhecia Dalila o suficiente pra saber que era o que teria e ficou em silêncio.

“Amélia, eu te amo.”

Não era o simples eu te amo de sempre. Era carregado de verdade absoluta. Ela esperou.

“Até nos dias em que te amo menos?”

“Eles me fazem te amar mais.”

****

No dia em que tudo aconteceu havia um cheiro insistente de madeira molhada. Dalila não sabia de onde vinha. Fez suas tarefas do dia a dia. Chegou em casa, tirou os sapatos. Foi para o banho na vã tentativa de afastar aquele cheiro de si.

A casa estava em silêncio. Ligou o chuveiro e sentiu a água. Ouviu o barulho da chave destrancando a porta e a atmosfera mudou.

“Me perdi.” Amélia disse ao abrir a porta do banheiro.

Dalila percebeu o território em que estava prestes a pisar.

“Do trabalho até em casa?”

“Não Dali. De mim.”

“Você não se perdeu, Méli.”

Sapatos sendo tirados - estranho, ela nunca entrava calçando sapatos - calça caindo no piso frio.

“Me perdi porque passo todo tempo que tenho tentando te alcançar, te entender.”

Amélia entrou debaixo do chuveiro e Dalila notou que seu rosto estava molhado antes de tocar a água.

“Me alcançar?”

“Você nunca vai saber o peso que é ser amada por você.”

“Eu te amo.”

“Mesmo se eu deixar de te amar?”

“Ainda que não me ame.”

E elas dançaram embaixo do chuveiro. Algo íntimo, que somente elas conheciam. Sem música.

Foram dormir mais tarde e quando Amélia acordou, Dalila não estava na cama.

*****

Dalila acordou antes que o sol.

Tomou banho, bebeu chá.

Encostou no batente da porta enquanto sentia Amélia sonhar. Ela estava no sono justo de todos os bêbados.

Ficou recorrente. Beber, divagar, amar, dormir. Era a nova rotina.

Quando Amélia acordou Dalila tinha saído. Esses desencontros faziam parte dessa nova rotina.

Quando reuniu coragem para sair de cama, encarou o reflexo no espelho. Seus olhos devoradores a engoliram. Sentiu vergonha. Mas passa. Tudo que se sente também se passa.

“Eu te amo.” Ela disse primeiro naquela noite. Uma das poucas noites sóbria para ler, sóbria para falar.

“Mesmo não se amando?”

Essa pergunta entrou pelos ossos. Amélia levantou e deixou o silêncio de companhia à Dalila.

*****

“Você não sabe o quanto dói!”

Dalila não sabia.

“Você não sabe o que é olhar no fundo dos seus olhos e não reconhecer mais o que vê, Dalila.”

De fato, Dalila não sabia. Mas deixou Amélia falar.

“Eu sinto muito não ser a pessoa que você amou!”

“Você é a pessoa que eu amo, Amélia.” Foi a resposta cortante que deu.

“Onde?” A pergunta que sempre foi a certa.

“Em todo lugar.”

E era verdade.

As lágrimas de Amélia faziam barulho, Dalila ouviu cada uma delas caindo no chão da sala.

“O que eu preciso fazer pra você parar de me amar e me deixar ir?”

Dalila pensou por um segundo e disse.

“Voltar no tempo e nunca ter existido.”

*****

Não houve separação.

Ninguém desistiu de ninguém. A saída não foi uma opção. Elas permaneceram. Fosse benção ou maldição.

Amélia parou de beber.

Em uma noite enquanto voltava para casa encarou olhos mais assustadores que os dela. Frios. Permanentes.

Em um delírio entre a consciência e o torpor viu sua avó.

“Você não se perdeu, mas precisa se encontrar, menina. Tudo que se sente, se passa.”

O celular de Dalila tocou e ela sentiu cheiro de sangue. Não precisaria nem atender para saber do que se tratava. Mesmo assim atendeu.

Nunca foi de rezar, mas pediu. “Não a leve, por favor. Ainda não.”

Quando Amélia acordou a primeira coisa que sentiu foi Dalila. Sua mão quente a segurando como se a qualquer momento fosse escapar.

Não houve ressentimento, cobrança ou discussão. Dalila não gritou “eu avisei” ou qualquer coisa do tipo. Apenas permaneceu.

Quando voltaram para casa, Dalila sentiu cheiro de café, ela nunca gostou de café, mas sempre gostou do cheiro que Amélia ficava.

“Eu te amo.”

“Em todo lugar.” Amélia completou.

Thoughts

  • oitoemponto

    Amei o final com ela segurando a mão de Amélia. Tá tudo dito ali.

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  • sofadasala

    Lembrei do meu marido. Trinta e dois anos junto, e tem dias que eu não sei se é ele que sumiu ou se fui eu que perdi a visão dele.

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  • contoDeSexta

    Aquele final com Eu te amo, Em todo lugar ficou comigo desde ontem. Simples e tudo ali.

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  • contoBreve

    Em todo lugar, mas quando tudo dói fica difícil acreditar.

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  • atepagina50

    Como são as paredes da casa delas? Consigo imaginar Dalila em qualquer espaço mas Amélia... Amélia tá em nenhum lugar de verdade.

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  • Simao

    Terror não é vampiro, é você acordar e a pessoa que tá do lado não ser quem você pensa. Amélia se tornando um estranho na cama dela. Isso é mais assustador que qualquer coisa.

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  • Rui_Salgueiro

    Quando ela caiu de moto aquilo era um aviso pro que tava vindo, ou já era o fim e ninguém teve coragem de dizer?

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  • Marina

    Eu amei Dalila. Como é passar tempo com alguém que tá desaparecendo e não saber o que fazer pra trazer de volta?

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  • vqueiroz90

    A história é pesada. Um pedindo pra partir, o outro tentando segurar. Lê como quem tá vendo alguém se afundar e a mão não chega.

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  • tresPaginas

    Essa parte do pão de queijo tendo cheiro de Amélia... isso é muito bom. Acordar e já saber quem chegou só pelo cheiro.

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