Esses ecos, ah, esses ecos sem nome,
Que vagueiam pelas galerias da noite morta,
Jamais me dizem de que abismos nasceram,
Nem de qual sepultura esquecida retornam.
Apenas chegam,
Como dedos frios sobre a nuca,
Como um sussurro perdido entre as cortinas do além.
Não sei o que me aguarda
Por trás da porta que o destino mantém cerrada;
Não sei qual espectro contempla meus passos
Das sombras acumuladas nos corredores do tempo.
Sei apenas que eles vêm,
Sempre vêm,
E encontram abrigo em minha audição fatigada,
Como corvos famintos pousando sobre um mármore antigo.
E temo segui-los.
Temo descer os degraus invisíveis
Que conduzem à origem de seus chamados.
Pois há convites que não pertencem aos vivos,
E há vozes cuja resposta exige mais
Do que um coração pode oferecer.
O silêncio da noite me aterroriza.
Vejo outros sorverem sua quietude
Como se degustassem um vinho celestial,
Mas para mim ela possui o sabor da cripta,
O perfume da madeira encerrada,
O hálito úmido dos túmulos
Que jamais conheceram a luz da aurora.
Na vastidão desse silêncio,
Ouço ausências.
E entre todas elas,
Há uma cuja forma ainda reconheço.
Tenho saudade de um fantasma.
Mas todo fantasma foi, outrora,
Carne aquecida pelo sangue,
Olhos iluminados pelo afeto,
Lábios capazes de pronunciar ternuras.
Toda aparição foi um dia humana,
Antes de tornar-se memória,
E toda memória é apenas um cadáver
Que insiste em permanecer vivo.
É ela.
O espectro materno.
A primeira voz que conheci,
O primeiro abrigo contra a tempestade,
A primeira luz antes de todas as noites.
Agora resta-me apenas sua sombra,
Tecida no plasma das lembranças,
Flutuando sobre os destroços de minha alma,
Como um véu branco atravessando um cemitério ao luar.
E desde sua partida,
Algo em mim também partiu.
Pois agora minha função parece reduzida
À de uma besta presa ao jugo:
Arrastar os dias,
Consumir o tempo,
Mover-me entre auroras e crepúsculos
Sem compreender a razão do caminho.
Tal qual um boi conduzido por mãos invisíveis,
Avanço.
Enquanto os ecos me seguem.
Enquanto o silêncio me observa.
Enquanto o fantasma de minha mãe,
Mais vive que muitos vivos,
Ele caminha eternamente
Pelos corredores escuros
De meu coração.