Os doutores algoritmistas que embelezam e curam enquanto devoram, conheço-os de vista: falam bonito e a decisão já vinha tomada de cima. O poema é pessimista e eu não consigo discordar.
DESNÍVEL
Pensamento
Os doutores algoritmistas que embelezam e curam enquanto devoram, conheço-os de vista: falam bonito e a decisão já vinha tomada de cima. O poema é pessimista e eu não consigo discordar.
Conteúdo da publicação
Por Lucien Vieira | 22 de fevereiro de 20026
(O cerne da questão)
Seria desproblemar os pseudosproblemas
que de fato engrenam a paranoia (in)social
— em temas —
e afetam diretamente a mente,
que mente,
ao vizinho e ao próprio sujeito doente,
que é, aliás, o porão
do (des)nível da razão?
(Porque)
O espaço-tempo constrói
inumeráveis querências...
(sugere senhores e serviçais.)
o soberano é sabido:
sobrepõe-se ao curto em compreender,
que, inconcluso, é brinquedo —
presta-lhe reverências.
(Se)
O porquê é fato;
o livre-arbítrio, tão discutido,
seria vão?
Curtos da razão — aqueles e estes —
seriam o cerne da questão?
Teoristas desse labirinto
de superficialidades modernistas,
doutores algoritmistas,
embelezam, enriquecem, curam...
mas, tanto o são, concomitantemente,
predadores genéricos da ser-humanidade.
(Futuro)
Enxergue-se:
o diagnóstico revela-se
em nítidas mensagens;
não há, no horizonte,
amostras vivas de outras paisagens.
Poema filosófico-reflexivo de crítica social.
O tom é crítico, questionador e pessimista, com a finalidade de provocar reflexão sobre a sociedade contemporânea e seus efeitos sobre a ser-humanidade. Utiliza a reflexão filosófica para questionar a sociedade, suas hierarquias e os riscos de subordinar a humanidade aos sistemas que ela própria constrói.
Thoughts
-
PermalinkO livre-arbítrio entra no meio do poema como pergunta e depois some, e isso me fez pensar nas conversas sobre escolha que só começam quando ninguém sente mais que está escolhendo. Aposto que a parte do Futuro foi a mais difícil de fechar, porque um pessimismo inteiro não deixa porta, e mesmo assim o poema termina mandando a gente se enxergar.
-
PermalinkOs doutores algoritmistas que embelezam e curam enquanto devoram, conheço-os de vista: falam bonito e a decisão já vinha tomada de cima. O poema é pessimista e eu não consigo discordar.
Related posts
-
Pouco tempo
Olhei em seus escolhos. Uma imensidão negra brilhosa tal qual o céu estrelado. Uma noite de sábado. Era dia de comemorar seu aniversário que passara, mas que a rotina de estudos não nos permitiu…
-
O Vitimismo
Lucas estava na casa de sua amiga Elisangela ele como sempre pra incomoda lá falava
-
[+14]
talvez acabe aqui
-
Depois de onde tudo começou
Fui a uma cartomante.
-
Insuportável.
Eu sou insuportável, é fato. Mas, por quê? E quando?
-
O olhar do pequeno juiz
Olho para frente e me vejo cercado por medicamentos dos mais variados tipos e fabricantes. Estou entediado. Clientes entram e saem. Duas atendentes no balcão, um repositor arrumando a prateleira de…
-
O INFERNO QUE NÃO SABE QUE QUEIMA
As pessoas fazem maldades. Algumas sabem exatamente o que estão fazendo. Outras não. E talvez estas últimas sejam as mais difíceis de compreender, porque conseguem ferir, destruir, humilhar e até…
-
Quando a luz acendia, a brincadeira mudava
Ensaio por Alex Brito
Por Lucien Vieira | 22 de fevereiro de 20026