Fui a uma cartomante.
Eu tenho ido a cartomantes, oráculos e todo tipo de coisa.
Tenho tentado entender o que me liga a você.
Quanto mais procuro saber, mais próximo me sinto.
Me disseram que temos muitos caminhos, que nossa amizade poderia ser um belo início.
Eu fui um canalha com você.
Nossa, que novidade vindo de alguém como eu.
Sabe, você já conheceu tantas pessoas como eu que até já esqueceu de como tudo começou.
Quer dizer, depois de onde tudo começou.
Eu tinha acabado de perder a minha segunda mãe, minha avó.
Sabe, eu passei muito tempo com ela e meu vô no interior. Estava no trabalho quando me ligaram e falaram o que havia acontecido.
Passou um tempo, fiquei depressivo.
Me esforçava, entregava tudo de mim.
Mas, no fundo, nada importava.
A vida tinha perdido a graça.
Então, uma noite, eu peguei e aproximei aquilo do meu pulso. Foi o começo de um corte, quando você segurou.
Você me implorou para parar, disse que doía muito.
Me falou que entendia, mas que eu não devia me deixar levar. Você me abraçou, disse que me amava sem nem mesmo me conhecer.
Foi você, minha beija-flor, que me deu força, devolveu o sabor e me fez voltar a ficar de verdade bem.
Fui um canalha com você.
Sabia que não gostava dela e, mesmo assim, me envolvi.
Menti, falhei.
Não mereço você.
Mesmo assim, eu não consigo te deixar, não dá.
Não quero, não posso.
Me perdoa, nunca serei o mocinho dos seus livros.
— Carta sem remetente nem data.