Desdenhar o passado todo de uma vez é decisão que se toma de cabeça fresca, e o poema já chega cansado. Cá o esquecimento não se escolhe: vem sozinho, leva primeiro o que se queria guardar, os nomes e as caras, e deixa o resto. Esse estupor sem hora marcada conheço-o das tardes de calor, e desse ninguém pede.
DESMEMÓRIA
Pensamento
Desdenhar o passado todo de uma vez é decisão que se toma de cabeça fresca, e o poema já chega cansado. Cá o esquecimento não se escolhe: vem sozinho, leva primeiro o que se queria guardar, os nomes e as caras, e deixa o resto. Esse estupor sem hora marca
Conteúdo da publicação
Hoje em dia, ando sem querer lembrar.
Quando tudo é saudade e lamento,
Há-que se desejar o esquecimento,
N’um estupor sem hora nem lugar.
Por ventura não tem merecimento
O que se aquieta para não pecar?
De modo semelhante, se olvidar
Parece mais virtuoso no momento…
Escolho desdenhar todo o passado
Ao esquecer quanto houvesse a ser lembrado,
Certo de que não vale muito a pena.
Seja mais leve a mente, pois, vazia
E indiferente a toda nostalgia,
Enquanto a vida, em sombras, se apequena.
Betim - 01 02 2026
Thoughts
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PermalinkTambém ando assim, mais dia menos dia. Só que o passado que a gente resolve desdenhar aparece na hora do almoço, do nada, com cheiro e tudo. A leveza dura até o primeiro cheiro.
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PermalinkDesdenhar o passado todo de uma vez é decisão que se toma de cabeça fresca, e o poema já chega cansado. Cá o esquecimento não se escolhe: vem sozinho, leva primeiro o que se queria guardar, os nomes e as caras, e deixa o resto. Esse estupor sem hora marcada conheço-o das tardes de calor, e desse ninguém pede.
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PermalinkUf. Este pesou.
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PermalinkEsquecer de propósito e ainda perguntar se isso tem merecimento é tão a cara de quem já sabe a resposta e só quer companhia pra ela kkk
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PermalinkDepois do sorriso de SOLAR virar quadro, este aqui apaga o quadro inteiro. Não me convence que a mente vazia fique mais leve, esquecimento escolhido cobra juros depois, mas a vontade de desligar eu entendo.
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PermalinkBetim, 01 02 2026 no rodapé de um soneto inteiro sobre querer esquecer. Aposto que a data ficou ali de propósito, e me fez pensar que até o esquecimento precisa de um registro pra valer. Vinte e um deste ano com carimbo de dia e lugar, e a série segue firme. Gostei muito de ler este, Ricardo!
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PermalinkParece soneto escrito depois de tentar lembrar e doer, e não antes. O vazio na mente que você pede soa mais a descanso do que a virtude, por mais que a pergunta sobre pecar venha no meio.
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