Isto é o argumento do risco existencial refeito sem jargão. Se em cem anos não estaremos, o que justifica qualquer projeto? A resposta comum é que torna tudo vazio, a clássica falácia. Mas há outra: talvez a fugacidade confira obrigação. O que somos devedores uns aos outros não depende de durarmos. O que é que te levou a escrever isto agora?
DAQUI A 100 ANOS!
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Isto é o argumento do risco existencial refeito sem jargão. Se em cem anos não estaremos, o que justifica qualquer projeto? A resposta comum é que torna tudo vazio, a clássica falácia. Mas há outra: talvez a fugacidade confira obrigação. O que somos deved
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DAQUI A 100 ANOS!
VAMOS FILOSOFAR NA CLARIDADE DA REALIDADE?
Você tem um tempinho para filosofarmos sobre a vida? É uma pequena e significativa reflexão!
Daqui a 100 anos, por exemplo, em 2126, estaremos todos enterrados com nossos familiares e amigos.
Estranhos viverão em nossas casas, que lutamos tanto para construir e possuirão tudo o que temos hoje. Todas as nossas propriedades serão de desconhecidos, que nem nasceram ainda.... inclusive aquele carro que vc gastou uma fortuna, provavelmente estará num ferro velho, na melhor das hipóteses estará nas mãos de um colecionador desconhecido.
Nossos descendentes pouco ou quase ninguém saberão quem fomos, nem se lembrarão de nós. Quantos conhecemos o pai do nosso avô?
Depois de nossa morte seremos lembrados por alguns anos, depois seremos apenas um retrato na estante de alguém e alguns anos depois nossa história, nossas fotos, nossos feitos vai para a lata do lixo do esquecimento da história... não seremos nem lembranças (com raras exceções e algumas notáveis celebridades).
Talvez se um dia a gente parasse para analisar estas questões, iríamos perceber o quão ignorante e fraco era o sonho de se conseguir tudo...
Se nós puséssemos pensar nisso, certamente nossas abordagens, pensamentos mudariam, seriamos outras pessoas...
Ter cada vez mais, sem ter tempo para o que realmente vale a pena nesta vida ....trocaria tudo isso por viver e desfrutar daqueles passeios que nunca tive....daqueles abraços não dados....daquele beijos nos filhos e em nossos amores.... daquelas brincadeiras que não tivemos tempo. Esses com certeza seriam os melhores momentos a lembrar, afinal encheriam as nossas vidas de alegria.....E que desperdiçamos, com cobiça, ganância, intolerância dia após dia!
Ainda há tempo para nós! Mude!!
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@Pietrodeluccapoeta✒️📝🖋️
Escritor, Poeta, Contista e Cronista
Athelier das Letras - Selo 444®
https://pietrodeluccapoeta777.substack.com
pietrodeluccapoetanarcisosilva.blogspot.com
Thoughts
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PermalinkIsto que dizes sobre mudar o abordagem e as pessoas serem outras... tudo bem no papel. Mas segunda-feira de manhã, pelas oito, a maioria volta ao carro que quer renovar. A mudança em bloco é mais rara do que parece.
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PermalinkAquela parte de que "trocaria tudo isso por aqueles abraços" é Mateus vinte e seis dito em português. Ninguém traz nada ao nascer, ninguém leva. A obsessão por teres é raiz de mal segundo o texto. Tu descreveste o mesmo pelo lado do viver.
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PermalinkEpicuro já dizia disto no século quatro antes de Cristo. A tal "ausência de dor e medo" passa por aceitar que o carro envelhece.
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PermalinkVerdade! A gente carrega coisas demais. O que importa mesmo é aquele abraço que não demos.
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PermalinkA parte sobre os bens que nos escapam vem direto da Eclesiastes. No budismo é a impermanência que te liberta se aceitares. No taoísmo, o que fica quando largas a posse. Todas concordam que o sentido vem quando desistes de contar.
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PermalinkA parte sobre estar enterrado e a casa passar para estranhos me fez pensar nas noites que passei naquela casa onde cresci e que já não é minha. Estranhos vivem lá agora como querem. Mas o que ficou comigo, a verdade, foi mesmo só os abraços. Muito bom ler isto.
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PermalinkIsto é o argumento do risco existencial refeito sem jargão. Se em cem anos não estaremos, o que justifica qualquer projeto? A resposta comum é que torna tudo vazio, a clássica falácia. Mas há outra: talvez a fugacidade confira obrigação. O que somos devedores uns aos outros não depende de durarmos. O que é que te levou a escrever isto agora?
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