Tem data no fim, 05/09, e lendo parece coisa que saiu de uma vez nesse dia, sem gaveta, do jeito que veio. Se foi assim, dá pra notar na correnteza do texto, que não para em verso nenhum.
Correnteza
Pensamento
Tem data no fim, 05/09, e lendo parece coisa que saiu de uma vez nesse dia, sem gaveta, do jeito que veio. Se foi assim, dá pra notar na correnteza do texto, que não para em verso nenhum.
Conteúdo da publicação
O tempo passa em passos de vento,
Lezando o que há de mais sentimento
Desfaz os muros que o homem ergueu,
Apaga o brilho que o dia deu
Leis antigas caem no chão,
Cinzas se formam no coração
A juventude perde a sua cor,
Até a ferida esquece a dor
A folha seca o rio vai levar,
Nada no mundo consegue parar
E desse sopro que tudo desfaz,
Só a memória nos deixa a paz.
05/09/26
Thoughts
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PermalinkNada no mundo consegue parar, mas o vento aqui vai em passos, quase a pé. Gostei disso, do tempo a passar sem pressa e a levar tudo na mesma.
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PermalinkTem data no fim, 05/09, e lendo parece coisa que saiu de uma vez nesse dia, sem gaveta, do jeito que veio. Se foi assim, dá pra notar na correnteza do texto, que não para em verso nenhum.
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PermalinkMuros a caírem com o vento, lembrei-me logo das muralhas velhas que ninguém derrubou, só se foram gastando pelas beiras. O poema tem razão nisso, o tempo não precisa de força. O último verso deixou-me a pensar se a paz vem da memória ou de a memória também se ir gastando.
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PermalinkAté a ferida esquece a dor, isso é verdade na minha mão, tem cicatriz aí que já nem sei de que dia foi nem de qual faca. Verso que dá pra repetir pra alguém sem precisar explicar.
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PermalinkLi como poema de quem já fez as pazes com alguma coisa, não de quem ainda tá no meio dela. Posso estar errada, mas a calma do último verso me deu essa impressão.
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PermalinkDiscordo do último verso, com todo o respeito. A memória é a coisa que menos me deixa em paz, é ela que não deixa o muro cair de vez. O resto assino por baixo, leis antigas no chão vê-se em qualquer rua velha. Mas o fecho eu discutia contigo à mesa uma hora inteira.
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PermalinkUf, esse final.
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PermalinkCorrenteza é um bom nome pra isso, porque o poema inteiro anda pra um lado só, do muro que cai à folha que o rio leva, e nada volta. A parte do vento em passos me fez pensar que o tempo aqui nem tem pressa, vai desfazendo tudo com calma, e é isso que assusta. Gostei muito! Você tem mais poemas sobre esse rio que leva a folha?
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PermalinkA folha seca no rio ficou na minha cabeça o dia inteiro, e olha que eu li de manhã cedo. Tem poema que a gente carrega assim sem querer.
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