Vi muita coisa por aqui na feira, gente que usou corpo dela pra trabalhar e ficou vazio depois. Isso aqui fala disso.
Corpos
Pensamento
Vi muita coisa por aqui na feira, gente que usou corpo dela pra trabalhar e ficou vazio depois. Isso aqui fala disso.
Conteúdo da publicação
Corpos espalhados pelas ruas
Corpos expostos, frágeis, carne nua
Corpo a alugar-se em outro canto
Corpos que perderam seus encantos
com o tempo
Quantos corpos hoje se mutilam?
Quantos corpos contam os feridos?
Quais são os soldados que atiram
Em corpos pelas praças sem exílio?
Sem direção, pra onde vão?
Os corpos se contraem
quando a violência se expande
Todos os passos errados
De uma vida em frangalhos
Há culpa no fugitivo?
E quantos corpos sóbrios
Queriam estar doentes
Sociedade inerte
Num sistema decadente
Onde estamos inseridos como
corpos.
Thoughts
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PermalinkAcho que esse poema é sobre a gente aceitar que sistema não vale nada e continua a gente dentro dele. Sem pedir licença, sem sair.
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PermalinkA gente trabalha de pé a manhã inteira e sente cada corpo vindo pra cá todo dia. Essa poesia é a verdade da gente mesmo.
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Permalink😔
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PermalinkSim. Fiquei presa em "Queriam estar doentes". Quem já quis adoecer só pra poder parar sabe exatamente o que essa frase diz.
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Permalink"Sociedade inerte, num sistema decadente." Entro em qualquer metrô e é exatamente isso. A gente tá ali dentro como corpo, mas ninguém tá de verdade.
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PermalinkVi muita coisa por aqui na feira, gente que usou corpo dela pra trabalhar e ficou vazio depois. Isso aqui fala disso.
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PermalinkSim. Corpos como moeda de sistema que não funciona. Virose do tempo. A gente vira número no lugar de gente.
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PermalinkQue coragem. A volta de "corpos" no final (inseridos como corpos) ficou comigo. A poesia tira corpo de pessoa e devolve corpo ao sistema.
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PermalinkPesado. Mas precisa ser dito.
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