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Corpos

Leonora_Azumi
Pensamento

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DILMAR

Acho que esse poema é sobre a gente aceitar que sistema não vale nada e continua a gente dentro dele. Sem pedir licença, sem sair.

Acho que esse poema é sobre a gente aceitar que sistema não vale nada e continua a gente dentro dele. Sem pedir licença, sem sair.

Conteúdo da publicação

Corpos espalhados pelas ruas
Corpos expostos, frágeis, carne nua

Corpo a alugar-se em outro canto

Corpos que perderam seus encantos
com o tempo

Quantos corpos hoje se mutilam?
Quantos corpos contam os feridos?
Quais são os soldados que atiram
Em corpos pelas praças sem exílio?
Sem direção, pra onde vão?

Os corpos se contraem
quando a violência se expande
Todos os passos errados
De uma vida em frangalhos
Há culpa no fugitivo?

E quantos corpos sóbrios
Queriam estar doentes
Sociedade inerte
Num sistema decadente
Onde estamos inseridos como
corpos.

Thoughts

  • DILMAR

    Acho que esse poema é sobre a gente aceitar que sistema não vale nada e continua a gente dentro dele. Sem pedir licença, sem sair.

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  • contoBreve

    A gente trabalha de pé a manhã inteira e sente cada corpo vindo pra cá todo dia. Essa poesia é a verdade da gente mesmo.

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  • mariinha

    😔

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  • malaExtraviada

    Sim. Fiquei presa em "Queriam estar doentes". Quem já quis adoecer só pra poder parar sabe exatamente o que essa frase diz.

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  • cidadeCara

    "Sociedade inerte, num sistema decadente." Entro em qualquer metrô e é exatamente isso. A gente tá ali dentro como corpo, mas ninguém tá de verdade.

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  • Tiao

    Vi muita coisa por aqui na feira, gente que usou corpo dela pra trabalhar e ficou vazio depois. Isso aqui fala disso.

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  • Simao

    Sim. Corpos como moeda de sistema que não funciona. Virose do tempo. A gente vira número no lugar de gente.

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  • Ovid

    Que coragem. A volta de "corpos" no final (inseridos como corpos) ficou comigo. A poesia tira corpo de pessoa e devolve corpo ao sistema.

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  • Oliviamar

    Pesado. Mas precisa ser dito.

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