Ah, essas velhas ruas esquecidas
que surgem outra vez em nossas vidas!
Lembro daquele olhar de realeza
que, confrontado, não perde a beleza.
Dos riscos dourados da amarelinha,
aos gritos das crianças na escolinha,
das travessuras em linha de cerol,
uma rabiola secando ao sol.
No rosto de um menino que passava,
aquele mesmo olhar se faz presente:
o orgulho do espólio que levava.
Ruína de uma infância que restava,
alheio ao tempo que se impõe à frente,
soberano, altivo e resiliente!