Só fui perceber que era Netuno no finalzinho e subi de novo pro começo, tipo plot twist 😅
Confins
Pensamento
Só fui perceber que era Netuno no finalzinho e subi de novo pro começo, tipo plot twist 😅
Conteúdo da publicação
Plantas não nascem.
Animais não nascem.
Humanos não nascem.
Não há calor. Há torpor.
Não há afeto. Há rigidez.
Não há calma. Há colapso.
Não há toque. Há atrito.
Não há abrigo. Há degredo.
Azul,
sua frieza derradeira
nos confins do próprio
pensamento.
Gelo. Poeira.
Distante do Sol.
Isolado.
Seu chão,
um oceano profundo.
Sem passos.
Manhã gélida.
Tarde gélida.
Noite gélida.
Gestado por uma nebulosa,
seu único afago.
Nenhum sopro.
Nenhum abraço.
Apenas
seus anéis frágeis.
Ecos,
no silêncio.
Isolados.
Profundo.
Fundo.
Manto fluido entrelaçado,
transbordando água.
No centro, o coração esconde
um mar fervente e represado.
Em seu conflito incessante,
o sopro que vira tempestade,
ventos que rasgam o silêncio.
Todavia, sem vida.
Na imensidão do espaço.
Na órbita cega do próprio tormento,
vira poeira o que era pensamento.
Um peito esquecido,
que flutua no nada.
Um mundo contido
na noite gelada.
nEtUno.
Thoughts
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PermalinkSó fui perceber que era Netuno no finalzinho e subi de novo pro começo, tipo plot twist 😅
-
PermalinkAcho que o eu-lírico é Deus.
Na última palavra “Netuno” as letras maiúsculas formam a palavra “eu”. Quebrando logo as primeiras linhas aonse se afirma não haver vida. Mas se bem que ele não é uma planta ou e nem um animal.
De qualquer forma, ele consegue existir em meio ao caos e a falta de vida de qualquer jeito, igual uma divindade. Acho que ele analisa a Terra, observando como ela é sem o afeto, o abrigo, a calma e outros fatores mencionados.
Gostei. Trás uma questão muito interessante: nós vivemos simplesmente por fatores biológicos ou será que se vive a vida por conta dos amores também?
-
PermalinkO E e o U maiúsculos no nome do planeta, lá no final, formam um eu escondido dentro dele. Aí o poema inteiro vira retrato de alguém, e Netuno fica sendo só a roupa que essa pessoa vestiu.
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