Plantas não nascem.
Animais não nascem.
Humanos não nascem.
Não há calor. Há torpor.
Não há afeto. Há rigidez.
Não há calma. Há colapso.
Não há toque. Há atrito.
Não há abrigo. Há degredo.
Azul,
sua frieza derradeira
nos confins do próprio
pensamento.
Gelo. Poeira.
Distante do Sol.
Isolado.
Seu chão,
um oceano profundo.
Sem passos.
Manhã gélida.
Tarde gélida.
Noite gélida.
Gestado por uma nebulosa,
seu único afago.
Nenhum sopro.
Nenhum abraço.
Apenas
seus anéis frágeis.
Ecos,
no silêncio.
Isolados.
Profundo.
Fundo.
Manto fluido entrelaçado,
transbordando água.
No centro, o coração esconde
um mar fervente e represado.
Em seu conflito incessante,
o sopro que vira tempestade,
ventos que rasgam o silêncio.
Todavia, sem vida.
Na imensidão do espaço.
Na órbita cega do próprio tormento,
vira poeira o que era pensamento.
Um peito esquecido,
que flutua no nada.
Um mundo contido
na noite gelada.
nEtUno.