Essas telas que multiplicam a pessoa soam como alguém que se vê espalhado em vinte grupos de zap ao mesmo tempo, cada um com uma versão diferente dele.
Cidade que me habita
Pensamento
Essas telas que multiplicam a pessoa soam como alguém que se vê espalhado em vinte grupos de zap ao mesmo tempo, cada um com uma versão diferente dele.
Conteúdo da publicação
Caminho entre antenas que captam silêncios,
paredes respiram como pulmões elétricos,
sou grafite borrado na pele da metrópole,
um código que insiste em não traduzir.
O tempo me mastiga em engrenagens ocultas,
e eu me reinvento no atrito das ruas.
Sou palavra que se dobra no concreto,
relâmpago arquivado em cabos subterrâneos,
um rio digital que corre sem margens,
desaguando em telas que me multiplicam.
No encontro comigo, descubro o circuito:
sou humano, mas também cidade.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)
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