Caminho entre antenas que captam silêncios,
paredes respiram como pulmões elétricos,
sou grafite borrado na pele da metrópole,
um código que insiste em não traduzir.
O tempo me mastiga em engrenagens ocultas,
e eu me reinvento no atrito das ruas.
Sou palavra que se dobra no concreto,
relâmpago arquivado em cabos subterrâneos,
um rio digital que corre sem margens,
desaguando em telas que me multiplicam.
No encontro comigo, descubro o circuito:
sou humano, mas também cidade.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)