Eu não odeio seu namorado atual. Na verdade, eu me vejo muito nele, quando era mais novo, óbvio.
Dito isso, eu meio que entendo ele.
A aliança grossa, as crises de insegurança, o medo de traição e o aconchego nas tristezas e tragédias da vida humana.
E eu entendo bem ele.
Mesmo assim, vou criticar ele, sim, senhorita, assim como criticaria você se percebesse algo assim.
Enfim, não vejo nada de errado em você continuar trocando cartas comigo, porque você não tem interesse em mim e, se as coisas continuarem como estão, bom, ele e você, daqui a alguns anos, vão estar morando juntos, casando, tendo filhos ou viajando pelo mundo, e uma hora eu serei deixado para trás.
Além do que, vamos falar hipoteticamente. Eu só me sentiria inseguro com algo assim se não oferecesse mais do que a pessoa que te escreve as cartas.
Eu te conheço. Você não trai, a não ser que a pessoa peça, com todas as palavras, para você fazer isso. Aí você faz porque foi a pessoa que você ama quem pediu, e você quer agradar e ser boa para ela.
Inclusive, assim que der, vou te arranjar um psicólogo e um psiquiatra. Precisamos tratar isso pelo seu próprio bem, minha beija-flor.
Mas é basicamente isso: se fosse minha namorada trocando cartas como as nossas, e minha namorada fosse como você, eu não ficaria preocupado. Com um pouco de ciúmes? Sim. Mas nada grave. Seria só aquilo que eu falei: a minha carência de atenção básica.
— Carta sem remetente ou data.