Querida, você deve estar cansada das minhas rimas, das palavras cheias de promessas fáceis da vida.
O que posso dizer? Sou clichê, um romântico incurável.
Nunca gostei de muitas pessoas. Durante toda a minha vida, gostei de apenas duas.
Você me lembra essa paixão proibida, mas você supera todas as expectativas.
Eu me sinto um idiota. Deveria confessar quem sou, mas e se você não gostar de mim?
Penso em te mandar flores, só que sua esperteza faria com que descobrisse tudo.
Não estou pronto.
Pensei em doces, porém você nunca comeria algo vindo de um desconhecido.
Roupas? Não sei nem o seu tamanho.
Livros! Sim, pensei nisso. Mas eu só conheço os famosos.
Não quero parecer fútil. Tampouco tolo.
O que posso dar a você?
Pelúcias? Perfumes?
Eu não sei. Morro de medo.
Preciso contar a você, mas eu travo.
Sempre travo.
Eu nunca fui assim. Tímido, sim, mas hesitante? Nunca. Nenhuma vez.
Te conhecer trouxe outros lados meus à tona.
Não é uma paixão. Eu estou vendo além da emoção e, mesmo assim, é como se eu estivesse drogado.
É engraçado.
Somos engraçados.
Obrigado por não rasgar as cartas e por respondê-las.
Finalmente teremos um contato. Só nosso.
E obrigado por não ficar me procurando e por respeitar meu desejo de anonimato.
P.S.: Sei que, uma hora ou outra, você vai se cansar de não saber quem sou. Quando isso acontecer, vou pensar sobre me assumir.
P.S. 2: Talvez sim. Talvez não. Só o tempo dirá, minha beija-flor.
— Carta sem remetente nem data.