Você está me ignorando outra vez.
Tudo bem, não me responda, só lê.
Ela e eu tivemos um romance. É verdade que eu gostava dela, ainda gosto, mas é diferente.
Droga, minha beija-flor. Eu tive uma vida. Já sei, já sei que não é isso que te deixou brava.
Vou parar de arruinar os seus casinhos. Se você arranjar alguém que te respeite minimamente.
Calma, larga a caneta! Espera eu terminar, não gasta papel à toa. Acha que papel cresce em árvore? Meio que sim, mas você entendeu que eu estava me referindo à poluição e etc...
A qual E? Não consegui nem um sorrisinho de deboche?
Tudo bem, certo. Ela era uma grande amiga. Eu sempre achei ela linda, talentosa e superincrível como pessoa. Sim, a gente teve uma relação íntima e, sim, tivemos uma relação amorosa, mas já acabou. Somos amigos, só isso.
Não era para você descobrir assim. Meio que é culpa minha por ter deixado escapar. Me desculpa.
Eu errei, te magoei.
Sinto muito, me perdoa, beija-flor.
Me perdoa. Tenta entender que foi apenas um romance. Eu precisava tentar te esquecer. Quero dizer, como eu poderia conseguir ficar com você? E ela parece com você, tipo, o seu jeito e trejeito. Eu realmente só estava tentando tirar o fardo da minha existência de perto de você.
Sou um babaca. Um idiota, um grandioso idiota. Eu vou me arrastar em um vulcão para você me perdoar.
Eu ainda amo, eu ainda sou completamente devoto a ti, minha beija-flor. Ninguém consegue te substituir, nem mesmo ela.
Por favor, volta a mandar cartas para mim.
Eu ainda sou o seu jabuti, lento, mas que consegue ser agitado e ir para lá e para cá.
Ainda sou o seu jabuti que não faz questão de carinho, mas adora um.
Eu ainda sou o mesmo.
O mesmo cara que você salvou, que se apaixonou, que passou boa parte da vida imaginando se você era real.
Minha beija-flor, não diga adeus para mim.
Por favor, tenha piedade.
— Carta sem remetente ou data.