Acredito que nós morremos muitas vezes durante a vida
Acredito que nos percamos repetidamente em agonia
Nos dias em que nossas aflições afligem e nos vemos sem saída
Quando o peito aperta, o ar rarefeita, pergunto: "Antes eu sorria?"
Não me lembro de meus sorrisos, do bem estar, juro que não me lembro
Lembro-me bem que aconteceram, existiram, onde estão?
As festas juninas, o dia das crianças, as festanças e bonanças de dezembro
Onde estão? Eu lá estava, sim, mas memórias fogem em meio ao turbilhão
Elas não são tangíveis, não se preservam com o passar dos anos
Fotos, embora idênticas, despertam diferentes emoções
Vejo minha foto, eu sorria, tenra idade, enrolava-me em panos
Estava feliz, isso é notório, mas ver isto hoje não me trouxe felicidade
Trouxe-me nostalgia, vontade de tempos mais fáceis, saudade
Saudade de pessoas que partiram, levadas pelo tempo ou pelo ultimo suspiro
E eu suspiro, desde o primeiro é uma contagem regressiva, respiro
Respire profundamente, respire, até que não haja mais ar
Pois o peito aperta e o ar rarefeita...