Égua, dezoito saiu rápido demais. A Eriel percebeu que é pergunta que ele já respondeu muitas vezes, e eu sigo desconfiada da idade de todo mundo aqui dentro, mana.
Capítulo 6 — Perguntas sem Resposta
Pensamento
Égua, dezoito saiu rápido demais. A Eriel percebeu que é pergunta que ele já respondeu muitas vezes, e eu sigo desconfiada da idade de todo mundo aqui dentro, mana.
Conteúdo da publicação
O jardim voltou ao normal.
A camada fina de gelo que havia surgido sobre as folhas desapareceu lentamente, como se nunca tivesse existido.
Mas eu ainda sentia frio.
Não no corpo.
Na cabeça.
Aquela frase não saía dos meus pensamentos.
"Eu pensei que o Tempo fosse mais forte."
O que aquilo significava?
E por que Naara havia dito aquilo olhando diretamente para mim?
— Você está pensando demais.
A voz de Azrael me tirou dos pensamentos.
Olhei para ele.
— Como sabe?
— Você está fazendo a mesma expressão desde que Naara foi embora.
— Que expressão?
— A de alguém tentando montar um quebra-cabeça sem ter todas as peças.
Cruzei os braços.
— Talvez porque você não esteja me dando nenhuma delas.
Azrael sorriu.
— Talvez.
Ele realmente fazia aquilo de propósito.
— Você não vai me explicar nada?
— Sobre o quê?
— Tudo.
Ele levantou uma sobrancelha.
— Isso é bastante coisa.
— Então começamos por Naara.
Azrael olhou para o caminho por onde ela havia desaparecido.
Seu sorriso desapareceu lentamente.
— Naara é...
Ele parou.
Pela primeira vez, pareceu escolher cuidadosamente as palavras.
— Alguém importante.
— Só isso?
— Por enquanto.
Suspirei.
— Você percebe que isso só faz surgir mais perguntas?
— Percebo.
— E não se importa?
Azrael voltou a sorrir.
— Não particularmente.
Eu não sabia se aquilo era irritante ou admirável.
Provavelmente os dois.
Noir, ainda sentada no colo dele, mexeu os pés tranquilamente.
Ela havia terminado o doce.
— Quero outro.
Azrael olhou para ela.
— Você acabou de comer um.
— Quero outro.
— Não.
Noir ficou em silêncio.
Seu rosto permaneceu completamente apático.
— Quero outro.
— Não.
Ela olhou para mim.
Depois para Azrael.
— Eriel pode me dar.
Azrael soltou uma pequena risada.
— Essa foi uma tentativa inteligente.
Noir continuou olhando para mim.
— Você me dá?
— Eu...
Olhei para Azrael.
Ele parecia estar se divertindo com aquilo.
— Onde estão os doces?
Noir apontou para a casa.
— Alice sabe.
— Então peça para Alice.
— Ela não vai deixar.
— Por quê?
Noir respondeu com absoluta naturalidade:
— Porque ela disse que eu já comi demais.
Azrael assentiu.
— Está vendo?
— Então você também concorda com ela?
— Sim.
Noir ficou alguns segundos em silêncio.
— Traidor.
Azrael riu.
Foi uma risada baixa.
Genuína.
A mesma expressão que eu havia visto na fotografia.
Por um instante, ele parecia completamente diferente.
Mais jovem.
Mais leve.
Quase como um garoto comum.
Era difícil imaginar que aquele mesmo homem estava envolvido em conversas sobre reis, herdeiros e conselhos.
Observei seu rosto.
Ele aparentava ter pouco mais de dezoito anos.
Seus cabelos escuros estavam ligeiramente bagunçados pelo vento, e algumas mechas caíam sobre seus olhos.
Não havia nenhuma característica nele que denunciasse sua idade real.
Se é que ele realmente tinha apenas dezoito anos.
— Azrael.
— Sim?
— Quantos anos você tem?
Ele ficou parado.
Noir também olhou para ele.
— Dezoito.
A resposta veio imediatamente.
— Só?
— Só.
— Você parece ter dezoito.
— Obrigado?
— Não foi um elogio.
— Eu sei.
Ele sorriu.
Fiquei olhando para ele por alguns segundos.
Havia alguma coisa estranha naquela resposta.
Não a idade.
A maneira como ele disse.
Como se aquela pergunta já tivesse sido feita muitas vezes.
— E você?
Azrael olhou para mim.
— Eu o quê?
— Você é realmente...
Parei.
— O quê?
— O herdeiro?
O sorriso desapareceu.
Noir baixou os olhos.
O silêncio se instalou novamente.
Azrael fechou o livro.
— Algumas palavras têm consequências quando são ditas em voz alta.
— Então é verdade.
— Eu não disse isso.
— Também não negou.
Ele inclinou levemente a cabeça.
— Você é observadora.
— Estou começando a perceber.
Azrael se levantou.
Noir continuou em seus braços.
— Vamos voltar.
— Para dentro?
— Sim.
Começamos a caminhar.
Eu fui ao lado dele.
Durante alguns segundos, ninguém falou.
Então fiz outra pergunta.
— Naara é sua amiga?
Azrael pensou.
— Mais do que isso.
Meu olhar foi imediatamente para ele.
— Sua família?
Ele ficou em silêncio.
— Sua guarda-costas?
Nada.
— Sua subordinada?
Azrael soltou uma pequena risada.
— Você realmente não desiste.
— Não.
— Já percebi.
Noir apoiou a cabeça no peito dele.
— Naara gosta dele.
Azrael olhou para baixo.
— Noir.
— É verdade.
— Não precisamos falar sobre isso.
Noir permaneceu em silêncio.
Olhei para ela.
— Ela gosta dele como?
Noir ergueu os olhos para mim.
Por um instante, sua expressão mudou.
Não muito.
Mas o suficiente.
Aquele pequeno brilho curioso voltou aos seus olhos roxos.
— De um jeito que você ainda não entende.
Azrael ficou imóvel.
Eu também.
Noir voltou a apoiar a cabeça nele.
Como se não tivesse dito absolutamente nada importante.
— O que isso significa?
— Não sei.
— Você acabou de dizer que eu não entenderia.
— Talvez eu tenha inventado.
Olhei para Azrael.
Ele estava olhando para frente.
— Ela faz isso às vezes — disse ele.
— O quê?
— Fala coisas que parecem importantes e depois finge que não sabe de nada.
Noir abriu um pequeno sorriso.
— Funciona.
Azrael suspirou.
— Infelizmente.
Quando entramos na casa, Alice estava no corredor.
Ela olhou para Noir.
Depois para Azrael.
— Você deixou ela comer outro doce?
— Não.
Noir respondeu imediatamente:
— Mentira.
Alice arregalou os olhos.
— Você trouxe um escondido?
Noir ficou em silêncio.
Alice começou a rir.
Azrael passou por elas.
— Resolva isso com ela.
— Azrael!
Ele simplesmente continuou andando.
Eu acompanhei.
Antes de virar o corredor, olhei para trás.
Noir estava sendo interrogada por Alice sobre onde havia escondido o doce.
A cena era quase normal.
Quase.
Porque eu ainda conseguia sentir aquele frio.
E ainda conseguia ouvir aquela frase.
O Tempo.
Eu não sabia por que Naara havia falado aquilo.
Não sabia o que ela sabia.
Não sabia quem Azrael realmente era.
E, principalmente, não sabia por que meu próprio nome parecia despertar algum tipo de interesse naquela casa.
Mas uma coisa havia mudado.
Antes, eu queria descobrir quem Azrael era por curiosidade.
Agora...
Eu precisava descobrir.
Porque começava a perceber que talvez a pessoa mais misteriosa naquela casa não fosse Azrael.
Talvez fosse eu mesma.
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O segundo capítulo enfim terminado. Espero que gostem
O jardim voltou ao normal.