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Capitulo 6 -A Versão Dele

AllyneMaia
Pensamento

Pensamento

Doralice

Uai, teve um hóspede aqui que passou dois dias na varanda olhando o celular antes de mandar uma mensagem pra alguém da cidade dele. Mandou, saiu pra andar e voltava toda hora perguntando se tinha chegado resposta. Essa parte de se arrepender uns segundos

Uai, teve um hóspede aqui que passou dois dias na varanda olhando o celular antes de mandar uma mensagem pra alguém da cidade dele. Mandou, saiu pra andar e voltava toda hora perguntando se tinha chegado resposta. Essa parte de se arrepender uns segundos depois de enviar eu reconheci na hora, sô.

Conteúdo da publicação

Quinze Anos depois...

Quinze anos depois...

Eu não sabia por que estava olhando para o perfil dela outra vez.

Talvez fosse curiosidade.

Talvez saudade.

Talvez apenas uma daquelas vontades inexplicáveis que aparecem sem avisar.

Mas ali estava ela.

Depois de quinze anos.

A mesma pessoa que eu conheci quando ainda éramos tão jovens, mas ao mesmo tempo alguém completamente diferente.

Fiquei alguns segundos olhando para a tela.

Ela havia mudado.

E, ao mesmo tempo, havia alguma coisa naquele olhar que eu reconhecia.

Uma lembrança.

Uma sensação.

Uma parte de uma história que eu nunca soube exatamente onde colocar.

Meu dedo ficou parado sobre a tela.

Eu poderia simplesmente fechar o aplicativo.

Talvez fosse melhor.

Ela provavelmente havia seguido a vida.

Eu também.

Cada um havia tomado seu caminho.

Eu sabia que não deveria mexer em algo que o tempo havia colocado no lugar.

Mas uma pergunta apareceu dentro de mim:

E se eu simplesmente perguntasse como ela está?

Escrevi:

Oi. Tudo bem?

Fiquei olhando para a mensagem depois de enviá-la.

Por alguns segundos, me arrependi.

Talvez ela não respondesse.

Talvez nem quisesse saber de mim.

E, sinceramente, eu entenderia.

Eu também tinha minhas lembranças.

Lembrava das vezes em que ela tentou se aproximar.

Lembrava das mensagens.

Das conversas.

Dos momentos em que percebia que ela estava tentando chegar perto e, mesmo assim, eu recuava.

Naquela época, eu não sabia lidar com aquilo.

Eu gostava dela.

Muito mais do que admitia.

Mas gostar de alguém aos dezessete anos não significa saber o que fazer com esse sentimento.

Eu tinha medo.

Medo de me envolver.

Medo de não ser suficiente.

Medo de descobrir que aquilo que eu sentia era maior do que eu conseguia controlar.

Então fiz o que muitos fazem quando não sabem lidar com alguma coisa:

Me afastei.

E talvez tenha feito isso justamente quando ela mais precisava que eu me aproximasse.

Também houve os momentos em que vi ela com outra pessoa.

Eu fingia que não me importava.

Mas me importava.

Muito.

Talvez ela nunca tenha percebido o quanto aquilo me atingia.

Quando a vi seguindo em frente, precisei aceitar que talvez eu tivesse perdido minha chance.

Então também segui.

A vida continuou.

Conheci outra pessoa.

Casei.

Tive uma filha.

Construí uma família.

E não me arrependo da minha filha nem das experiências que vivi.

Mas existem perguntas que permanecem mesmo quando a vida segue.

Às vezes, eu me perguntava como teria sido.

Não porque quisesse mudar o passado.

Mas porque algumas histórias ficam incompletas dentro da gente.

E ela era uma dessas histórias.

Quando vi as fotos do passado, às vezes lembrava dela.

Não todos os dias.

Não de uma forma que impedisse minha vida de continuar.

Mas de vez em quando.

Uma música.

Um lugar.

Uma lembrança.

Um olhar parecido com o dela.

E lá estava aquela história novamente.

Até que quinze anos depois eu finalmente mandei uma mensagem.

E agora só precisava descobrir se ela responderia.

Thoughts

  • IsauraBrandao

    Ele fala em ter perdido a chance como se fosse azar. Viu ela com outro, fingiu que não ligava e recuou toda vez que ela chegou perto. Isso eu chamo de largar, e desde o capítulo 2 eu estou do lado dela.

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  • EsquinaDaLeitura

    Égua, a gente já sabe desde o capítulo 5 que ela responde e mesmo assim eu fiquei nervoso junto com ele na hora de fechar ou não o aplicativo. E essa filha que ele diz que não se arrepende deve ser a mesma que a mãe dele botou no colo dela no capítulo passado. Quero ver ele contar pra filha quem é essa moça.

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  • Doralice

    Uai, teve um hóspede aqui que passou dois dias na varanda olhando o celular antes de mandar uma mensagem pra alguém da cidade dele. Mandou, saiu pra andar e voltava toda hora perguntando se tinha chegado resposta. Essa parte de se arrepender uns segundos depois de enviar eu reconheci na hora, sô.

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  • AmandaPeixoto

    Ele lista tudo do que não se arrepende, a filha, as experiências, e a esposa não entra na frase. Quem conta só o lado dele costuma pular um detalhe e acertar o resto. Foi de propósito tu deixar ela de fora?

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  • versodemadrugada

    No capítulo 5 o silêncio entre eles não pesava. Aqui, antes do oi, pra mim pesou tudo, a lista de medos aos dezessete, o dedo parado na tela. Gostei de ler o mesmo homem pelo avesso.

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  • tresPaginas

    Segunda noite nisto e adormeci com o dedo dele parado em cima do ecrã. Amanhã vejo se ele fecha a aplicação ou não.

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  • Ovid

    Obrigado por postar a versão dele, @AllyneMaia! Esse medo de não ser suficiente aos dezessete explica muita coisa do que ele fez depois, e me fez pensar em quanta gente manda um oi assim e nunca conta o resto. Meu palpite: ela também guardou uma versão dessa história que ele nunca ouviu.

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  • academiadobairro

    Quinze anos guardando isso e o que saiu foi um oi tudo bem 😅 Já apaguei mensagem dessas antes de mandar, ele ao menos apertou o enviar.

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Eu não sabia por que estava olhando para o perfil dela outra vez.

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