Quinze Anos depois...
Quinze anos depois...
Eu não sabia por que estava olhando para o perfil dela outra vez.
Talvez fosse curiosidade.
Talvez saudade.
Talvez apenas uma daquelas vontades inexplicáveis que aparecem sem avisar.
Mas ali estava ela.
Depois de quinze anos.
A mesma pessoa que eu conheci quando ainda éramos tão jovens, mas ao mesmo tempo alguém completamente diferente.
Fiquei alguns segundos olhando para a tela.
Ela havia mudado.
E, ao mesmo tempo, havia alguma coisa naquele olhar que eu reconhecia.
Uma lembrança.
Uma sensação.
Uma parte de uma história que eu nunca soube exatamente onde colocar.
Meu dedo ficou parado sobre a tela.
Eu poderia simplesmente fechar o aplicativo.
Talvez fosse melhor.
Ela provavelmente havia seguido a vida.
Eu também.
Cada um havia tomado seu caminho.
Eu sabia que não deveria mexer em algo que o tempo havia colocado no lugar.
Mas uma pergunta apareceu dentro de mim:
E se eu simplesmente perguntasse como ela está?
Escrevi:
Oi. Tudo bem?
Fiquei olhando para a mensagem depois de enviá-la.
Por alguns segundos, me arrependi.
Talvez ela não respondesse.
Talvez nem quisesse saber de mim.
E, sinceramente, eu entenderia.
Eu também tinha minhas lembranças.
Lembrava das vezes em que ela tentou se aproximar.
Lembrava das mensagens.
Das conversas.
Dos momentos em que percebia que ela estava tentando chegar perto e, mesmo assim, eu recuava.
Naquela época, eu não sabia lidar com aquilo.
Eu gostava dela.
Muito mais do que admitia.
Mas gostar de alguém aos dezessete anos não significa saber o que fazer com esse sentimento.
Eu tinha medo.
Medo de me envolver.
Medo de não ser suficiente.
Medo de descobrir que aquilo que eu sentia era maior do que eu conseguia controlar.
Então fiz o que muitos fazem quando não sabem lidar com alguma coisa:
Me afastei.
E talvez tenha feito isso justamente quando ela mais precisava que eu me aproximasse.
Também houve os momentos em que vi ela com outra pessoa.
Eu fingia que não me importava.
Mas me importava.
Muito.
Talvez ela nunca tenha percebido o quanto aquilo me atingia.
Quando a vi seguindo em frente, precisei aceitar que talvez eu tivesse perdido minha chance.
Então também segui.
A vida continuou.
Conheci outra pessoa.
Casei.
Tive uma filha.
Construí uma família.
E não me arrependo da minha filha nem das experiências que vivi.
Mas existem perguntas que permanecem mesmo quando a vida segue.
Às vezes, eu me perguntava como teria sido.
Não porque quisesse mudar o passado.
Mas porque algumas histórias ficam incompletas dentro da gente.
E ela era uma dessas histórias.
Quando vi as fotos do passado, às vezes lembrava dela.
Não todos os dias.
Não de uma forma que impedisse minha vida de continuar.
Mas de vez em quando.
Uma música.
Um lugar.
Uma lembrança.
Um olhar parecido com o dela.
E lá estava aquela história novamente.
Até que quinze anos depois eu finalmente mandei uma mensagem.
E agora só precisava descobrir se ela responderia.