Helena permaneceu diante da porta.
Sua mão ainda estava sobre a maçaneta.
Do outro lado, a voz da criança continuava chorando.
— Helena... por favor.
Ela olhou para Nox.
— É a minha voz.
— Eu sei.
— Então é uma parte de mim.
Nox baixou as orelhas.
— É exatamente por isso que você não deve abrir.
Helena olhou para Amara.
— Você também sabia disso?
Amara não respondeu.
Helena percebeu.
— Todos vocês sabiam.
Morgana surgiu no corredor.
— Helena, afaste-se da porta.
— Não.
— Você não entende o que está fazendo.
— Então expliquem!
Morgana ficou em silêncio.
Helena colocou a mão sobre a maçaneta novamente.
— Passei a vida inteira sem saber quem eu era. Descobri que meu pai está vivo. Descobri que existe uma parte de mim presa nesta casa. E agora vocês querem que eu simplesmente não abra uma porta?
Eva se aproximou.
— Porque algumas portas não levam a lugares.
Helena olhou para ela.
— Aonde essa leva?
Eva respondeu:
— Ao que você tentou esquecer.
A maçaneta começou a girar sozinha.
Nox arregalou os olhos.
— Helena!
A porta abriu.
Uma escuridão absoluta apareceu do outro lado.
Helena deu um passo.
E caiu.
Ela despertou em uma sala circular.
As paredes eram cobertas por espelhos.
No teto havia uma lua negra.
No centro da sala havia uma cadeira.
E sentada nela estava uma menina.
A pequena Helena.
Ela levantou os olhos.
— Você veio.
Helena se aproximou lentamente.
— Você é a Sétima Lua?
A menina balançou a cabeça.
— Não.
— Então quem é você?
— Sou a Helena que você deixou para trás.
Helena sentiu os olhos arderem.
— Por que você está presa aqui?
A menina apontou para o chão.
Havia um círculo desenhado ao redor da cadeira.
— Porque você me colocou aqui.
— Eu?
— Você pediu para esquecer.
Helena se ajoelhou.
— Por quê?
A menina respondeu:
— Porque tinha medo de lembrar que foi você quem escolheu a Sétima Lua.
Helena congelou.
— Escolhi?
A menina sorriu tristemente.
— Você não foi vítima.
Uma voz masculina surgiu atrás dela.
— Ela está dizendo a verdade.
Helena virou-se.
Seu pai estava parado diante de um dos espelhos.
Dessa vez, não havia sombra cobrindo seu rosto.
Ele parecia cansado.
— Pai...
Ele se aproximou.
— Eu queria ter contado tudo antes.
— Então conte agora.
Ele olhou para a menina.
— A Sétima Lua não nasceu sozinha.
Helena esperou.
— Ela nasceu quando você tentou salvar sua mãe.
Helena sentiu um arrepio.
— Minha mãe?
— Ela estava morrendo.
— O que aconteceu?
O pai de Helena respirou fundo.
— Você era pequena. Tinha apenas oito anos. Encontrou sua mãe caída na floresta. Você implorou para que ela não morresse.
A menina começou a chorar.
— Eu não queria ficar sozinha.
O pai continuou:
— Você encontrou a mansão. Encontrou as Sete Luas. E pediu que elas salvassem sua mãe.
Helena olhou para Amara, que havia surgido do outro lado da sala.
— E elas salvaram?
Amara respondeu:
— Não.
O silêncio foi absoluto.
— Então o que fizeram?
Amara abaixou os olhos.
— Tiraram a doença de sua mãe.
Helena respirou aliviada.
— Então funcionou.
Amara balançou a cabeça.
— A doença precisava ir para algum lugar.
Helena entendeu.
— Para mim.
— Sim.
A pequena Helena começou a desaparecer.
— Não!
Helena tentou alcançá-la.
Mas a menina sussurrou:
— Eu aceitei.
Então desapareceu.
No chão ficou apenas uma pequena lua negra.
Helena a pegou.
No instante em que tocou nela, ouviu uma voz:
— Agora você sabe por que me criou.
A Sétima Lua estava falando.
Helena fechou a mão.
— Você salvou minha mãe?
A voz respondeu:
— Sim.
— Então por que todos têm medo de você?
Silêncio.
Depois:
— Porque eles não sabem o que aconteceu depois.
A sala inteira tremeu.
O pai de Helena olhou para Amara.
— Ela está acordando.
Amara respondeu:
— Não.
As paredes começaram a rachar.
— Ela já acordou.