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Eithan...

Seraphine

Conteúdo da publicação

Assim que terminei meu almoço, me levantei da mesa e olhei ao redor, percebendo que Neithan já parecia inquieto demais para continuar sentado. Eu conhecia meu irmão melhor do que qualquer pessoa naquela casa e sabia que aquele silêncio todo não significava absolutamente nada de bom. Mesmo assim, preferi não provocá-lo. Apenas segui meu próprio caminho, curioso para explorar um pouco mais o lado de fora da casa.

O jardim chamou minha atenção assim que atravessei a porta. As rosas se espalhavam por toda parte, balançando suavemente com a brisa, e os raios de sol atravessavam as folhas, iluminando os bancos de madeira espalhados pelo caminho.

Foi então que a vi.

A filha da cuidadora estava sentada em um dos bancos, observando atentamente as rosas. Por algum motivo, aquela cena me fez sorrir de leve. Caminhei tranquilamente até ela, mantendo as mãos nos bolsos.

—Então, parece que você também gostou daqui.

Comentei, parando ao lado do banco.

Esperei alguns segundos antes de me sentar, deixando que o silêncio ocupasse o espaço entre nós. Não era um silêncio desconfortável, pelo menos não para mim. Havia algo estranhamente tranquilo naquele lugar, algo que fazia até mesmo os pensamentos mais barulhentos parecerem distantes.

— Sabe, eu venho aqui desde pequeno.

olhei para as rosas à nossa frente:

— Mas acho que nunca tinha reparado em como esse jardim é bonito.

Soltei uma risada baixa, percebendo o que acabará de dizer.

— Não conta isso para o Neithan. Se ele descobrir que estou falando essas coisas, vai passar o resto do dia me chamando de sentimental.

Balancei a cabeça, divertido, mas logo voltei minha atenção para ela.

— Posso te perguntar uma coisa? Você gostou de ficar aqui com a gente? Digo... sei que você acabou de chegar, e meu irmão não é exatamente a pessoa mais fácil de se conhecer.

Deixei escapar um pequeno sorriso, lembrando da expressão fechada de Neithan durante o almoço.

— Mas não liga muito para ele. Às vezes, ele age como se o mundo inteiro estivesse contra ele, mas, no fundo, acho que só não sabe muito bem como lidar com as pessoas.

Por alguns instantes, fiquei observando uma rosa vermelha que se destacava entre as demais. Havia algo naquela flor que me chamou a atenção, embora eu não soubesse explicar exatamente o quê.

Estendi a mão na direção dela, mas parei antes de tocá-la. Uma sensação estranha percorreu meus dedos, como se o ar ao redor da flor estivesse mais frio do que deveria.Franzi a testa e recolhi a mão devagar.

— Que estranho.

Murmurei para mim mesmo:

Olhei para os lados, tentando encontrar alguma explicação, mas tudo parecia perfeitamente normal. O vento continuava soprando, os pássaros cantavam nas árvores e a garota permanecia sentada ao meu lado.

Talvez eu estivesse imaginando coisas.

Voltei a me sentar direito e olhei para ela com um sorriso discreto, tentando disfarçar minha inquietação.

— Acho que essa casa é mais esquisita do que parece.

Eu disse aquilo em tom de brincadeira, mas, no fundo, não tinha tanta certeza de que estava brincando.

E, enquanto continuávamos ali, aproveitando a tranquilidade daquele jardim, uma única pergunta começou a se formar em minha mente: por que eu tinha a sensação de que a chegada daquela garota mudaria alguma coisa entre nós três?

Thoughts

  • Simao

    Mais uma coisa fria nesta casa, agora numa rosa. Já vão duas em dois capítulos e eu quero saber o que é isto.

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  • meiaTarde

    O mesmo almoço contado pelo outro irmão. O Eithan julga conhecer o Neithan melhor do que ninguém, e se calhar conhece, mas o outro estava à janela a vê-los e ele nem deu por isso.

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