Daí o castelo esperando, o conselho se mexendo, e o herdeiro sentado na mesa de pedra virando página kkk. Quero ver quantos dias de estrada tem dessa casa até esse castelo.
Capítulo 5 — Naara Lune D’Argent
Pensamento
Daí o castelo esperando, o conselho se mexendo, e o herdeiro sentado na mesa de pedra virando página kkk. Quero ver quantos dias de estrada tem dessa casa até esse castelo.
Conteúdo da publicação
Alguns dias haviam se passado desde que eu chegara à casa de Azrael.
Eu ainda não conseguia dizer que conhecia aquele lugar.
Na verdade, quanto mais tempo passava ali, mais parecia que eu entendia menos.
Alice era estranha.
Noir era ainda mais estranha.
E Azrael...
Azrael era impossível de compreender.
Ele passava boa parte do tempo lendo, caminhando pelo jardim ou simplesmente desaparecendo por algumas horas.
Nunca parecia ter pressa.
Nunca parecia preocupado.
Era como se o mundo pudesse desabar ao seu redor e, ainda assim, ele continuaria tranquilamente virando as páginas de um livro.
Aquilo me intrigava.
Meu irmão confiava nele.
As pessoas daquela casa confiavam nele.
E havia alguma coisa no próprio Azrael que me fazia sentir que ele escondia muito mais do que simplesmente um passado complicado.
Naquela tarde, decidi procurá-lo.
Não pretendia falar com ele.
Só queria observá-lo.
Talvez assim pudesse descobrir alguma coisa.
Caminhei pelo jardim até ouvir vozes.
Parei.
Uma mulher estava falando.
— Você ainda não pretende voltar?
A voz era feminina.
Mas diferente de qualquer voz que eu tivesse ouvido naquela casa.
Havia irritação nela.
Não uma irritação explosiva.
Era controlada.
Fria.
Como alguém que já havia repetido aquela mesma pergunta muitas vezes.
Continuei andando devagar.
Então a ouvi novamente.
— Azrael, estou perguntando seriamente.
Meu coração acelerou.
Ele estava ali.
Escondi-me atrás de uma árvore.
Consegui enxergar os dois.
Azrael estava sentado próximo a uma mesa de pedra.
Um livro estava aberto diante dele.
Ele parecia completamente tranquilo.
À sua frente estava uma mulher que eu nunca havia visto.
Ela aparentava ser uma jovem adulta.
Seus cabelos eram longos e brancos como a neve.
A pele extremamente pálida contrastava com seus olhos azuis.
Ela vestia um sobretudo amarelo-alaranjado, cuidadosamente alinhado, com detalhes prateados.
Em seu pescoço havia um pingente dourado com uma runa entalhada.
Ela não parecia alguém comum.
Havia alguma coisa em sua presença.
Algo pesado.
Antigo.
E, apesar de sua aparência jovem, senti uma estranha impressão de que ela era muito mais velha do que parecia.
— Não é a hora ainda — respondeu Azrael.
A mulher estreitou os olhos.
— Você sempre diz isso.
Azrael virou uma página.
— Porque ainda não é.
— O castelo está esperando.
Ele não respondeu.
— O conselho está se movimentando.
Silêncio.
— Nain e Zenith estão segurando os membros do conselho como podem.
Azrael finalmente fechou o livro.
— Eu sei.
— Então deveria voltar.
— Ainda não.
A mulher respirou profundamente.
— Por quê?
Azrael ficou em silêncio por alguns segundos.
Então respondeu:
— Tenho uma promessa para cumprir.
A expressão dela endureceu.
— Essa promessa novamente.
Ele não respondeu.
— Até quando pretende continuar se escondendo atrás dela?
Azrael levantou os olhos.
— Não estou me escondendo.
— Está.
O silêncio entre os dois ficou pesado.
Eu observava sem respirar direito.
Havia uma familiaridade estranha entre eles.
Ela falava com Azrael de uma maneira que ninguém mais havia falado.
Não parecia ter medo dele.
E, mais estranho ainda...
Azrael permitia.
— Se o rei desapareceu — continuou ela —, então é dever do herdeiro assumir.
Meu coração disparou.
Herdeiro?
Olhei para Azrael novamente.
O homem que eu conhecia parecia ter apenas dezoito anos.
Como poderia ser um herdeiro de alguma coisa tão importante?
A mulher continuou:
— O conselho não pode continuar governando no lugar dele.
— Eles não estão governando.
— Estão tentando.
— Então deixe que tentem.
Ela pareceu perder a paciência.
— Azrael.
Ele a encarou.
— Naara.
Foi a primeira vez que ouvi seu nome.
Naara.
Ela permaneceu em silêncio.
Então algo aconteceu.
A temperatura caiu.
Repentinamente.
Não foi uma simples mudança no clima.
O ar ficou gelado.
Meu corpo inteiro arrepiou.
Minha respiração ficou visível.
As folhas das árvores começaram a adquirir uma fina camada de gelo.
Fiquei imóvel.
Naara também percebeu.
Mas não olhou para mim.
Azrael olhou diretamente na minha direção.
— Pode sair, Eriel.
Meu coração quase parou.
Eu havia sido descoberta.
Saí lentamente de trás da árvore.
— Desculpa...
Azrael sorriu.
— Não precisa se desculpar.
Naara finalmente virou o rosto.
Seus olhos azuis encontraram os meus.
O frio aumentou.
Foi como se todo o jardim tivesse sido mergulhado em inverno.
Então percebi Noir.
Ela estava sentada no colo de Azrael.
Eu não havia percebido sua presença antes.
Ela segurava um doce nas mãos.
E estava sorrindo.
Um sorriso pequeno.
Quase imperceptível.
Noir parecia completamente confortável naquele frio.
Azrael passou a mão pelos cabelos negros dela.
— Você veio me procurar?
Noir assentiu.
— Sim.
— Por quê?
— Queria ficar com você.
Azrael sorriu.
— Entendi.
Naara observou aquela cena por alguns segundos.
Seu olhar voltou para Azrael.
— E a promessa?
Azrael não respondeu.
— Você pretende me dizer algum dia?
Silêncio.
Naara soltou um suspiro.
— Imaginei.
Ela se virou.
— Então, por quanto tempo Nain e Zenith precisarão continuar segurando os membros do conselho?
Azrael permaneceu calado.
— Você sabe que isso não pode continuar indefinidamente.
— Eu sei.
— Então sabe também que, enquanto você permanecer aqui, eles estarão sendo obrigados a fazer o seu trabalho.
Azrael fechou os olhos por um instante.
— Essa conversa deveria ser discutida em um local adequado.
Naara o encarou.
— E em uma hora adequada.
— Sim.
Ela ficou alguns segundos olhando para ele.
Então assentiu.
— Como quiser.
Naara começou a caminhar em direção à saída.
Passou por mim.
E parou.
O frio voltou.
Dessa vez, foi muito mais intenso.
Senti meus dedos começarem a ficar dormentes.
Naara virou lentamente o rosto.
Seus olhos azuis percorreram meu rosto.
Ela não parecia surpresa.
Parecia estar me examinando.
Como se já soubesse alguma coisa sobre mim.
Então disse:
— Eu pensei que o Tempo fosse mais forte.
Fiquei sem entender.
— O quê?
Naara não respondeu.
Apenas continuou andando.
Não esperou uma explicação.
Não pediu licença.
Não olhou para trás.
O frio desapareceu pouco a pouco.
Fiquei parada.
Azrael permaneceu sentado.
Noir continuava em seu colo, comendo tranquilamente o doce.
Olhei para ele.
— Quem é ela?
Azrael ficou em silêncio.
— Naara?
Ele assentiu.
— Naara Lune D’Argent.
— Ela parece conhecer você muito bem.
— Conhece.
— E você conhece ela há quanto tempo?
Azrael não respondeu.
— Ela falou sobre um castelo.
Silêncio.
— Sobre um rei.
Nada.
— E chamou você de herdeiro.
Azrael simplesmente abriu o livro novamente.
— Você ouviu bastante coisa.
— Eu fiz uma pergunta.
Ele passou os dedos pela página.
— E eu ouvi.
— Então vai responder?
Azrael levantou os olhos.
Havia um pequeno sorriso em seu rosto.
— Um dia.
Aquilo me irritou.
— Você sempre responde assim?
— Frequentemente.
Noir olhou para mim.
— Ele faz isso.
Olhei para ela.
— Você não poderia ajudar?
Noir pensou por alguns segundos.
Então sorriu.
— Poderia.
— E vai?
— Não.
Voltei meu olhar para Azrael.
Ele estava sorrindo.
Pela primeira vez, percebi uma coisa.
Talvez aquela casa não fosse apenas o lugar onde Azrael vivia.
Talvez fosse um lugar onde pessoas extremamente poderosas haviam escolhido permanecer ao lado dele.
E Naara...
Naara não parecia apenas alguém que o conhecia.
Ela parecia alguém que estaria disposta a fazer qualquer coisa por ele.
Mesmo que precisasse enfrentá-lo.
E aquela frase continuava presa em minha cabeça.
"Eu pensei que o Tempo fosse mais forte."
Eu não sabia o que ela queria dizer.
Mas começava a suspeitar que Naara sabia exatamente quem eu era.
E, pior ainda...
Talvez Azrael também soubesse.
Thoughts
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PermalinkDaí o castelo esperando, o conselho se mexendo, e o herdeiro sentado na mesa de pedra virando página kkk. Quero ver quantos dias de estrada tem dessa casa até esse castelo.
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PermalinkSim, Naara é a minha personagem favorita. Eu estou gostando das teorias que estão comenando…. Digamos que, nem eu sei o que vem a seguir… (Mentira, sei sim hehe)
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Alguns dias haviam se passado desde que eu chegara à casa de Azrael.