Acho que não é ódio não flor 😉
CAPITULO 5
Pensamento
Acho que não é ódio não flor 😉
Conteúdo da publicação
PAOLA BITTENCOURT
Todos os dias, depois que saio daqui da escola, tenho ido até a cafeteria estudar coreano. Já estou, inclusive, treinando algumas palavras com Kim Ha-Jun. Ele tem sido um amor de pessoa e tem me ajudado bastante. Isso quer dizer que somos amiguinhos agora.
Quando se iniciarem as aulas com o Sr. Difícil, já saberei ao menos o básico. Ha-Jun disse que minha pronúncia é muito boa e que aprendo as coisas rapidamente. Não é novidade nenhuma: quando me empenho em algo, aprendo rapidamente.
Mas, falando sobre o Ha-jun, ele é tão lindo que parece uma pintura de Van Gogh. Sua pele é bronzeada, mas acho engraçado que suas bochechas estejam sempre rosadas. Seu cabelo é de um castanho-escuro, igual à cor de seus olhos. Acredito que o corte que ele usa seja o mullet alongado.
Ele me contou, em uma das minhas idas à cafeteria, que faz musculação. Seu porte é bem forte, mas a coisa mais linda nesse homem é o sorriso. Ele tem o sorriso mais lindo que eu já vi, com covinhas bem fundas nos dois lados das bochechas, uma fileira de dentes brancos e lábios bem contornados e rosados.
Tudo combina com aquele homem. Não sei muito bem dizer qual é o estilo dele, talvez um roqueiro romântico? Enfim, só sei que estou adorando esse nosso início de amizade.
Preciso me lembrar de convidar Ji-Yeon para ir ao shopping. Tenho que comprar alguns itens básicos, porque coloquei meio Brasil dentro da minha mala e esqueci as coisas essenciais, como xampu, sutiãs e produtos de skincare.
Minha mãe vai ficar louca quando souber que trouxe 15 pares de sapatos, todas as minhas tintas e pincéis, mas nenhum dos itens básicos.
Quando estava saindo da sala do Sr. Park, ouvi o choro desesperado de uma criança. Na hora, meu alerta de pedagoga apitou, e precisei verificar o que estava acontecendo.
Cheguei a uma sala onde a professora Woo Soo-Min estava desesperada com uma pequena aluna, pois a criança estava emocionalmente desregulada, e ela visivelmente não sabia como acalmá-la.
Pedi licença para tentar ajudá-la, mas a professora disse que não precisava da minha ajuda, pois aquela era apenas uma criança sem disciplina. Entendi essas palavras com meu coreano precário, mas não me importei. Fui me aproximando devagar, para não assustar a garotinha, e arrisquei algumas palavras em coreano.
— Gwaenchanayo (Tudo bem) — falei calmamente.
Ela me olhou assustada, deitou-se no chão e tampou os olhinhos. Com calma, deitei-me ao seu lado e, pouco a pouco, fui passando as mãos em seus cabelinhos, que estavam presos em duas maria-chiquinhas.
Ela se aconchegou em mim e ficou abraçada comigo por um longo período, até se acalmar.
Já mais calma, disse algumas frases que entendi com muita dificuldade.
— Areumdawoyo (Você é bonita) — disse-me, num fio de voz.
— Gamsahamnida (Obrigada) — respondi alegremente.
Nesse momento, pude perceber a expressão de raiva no rosto da professora Soo-Min. Não entendi. Será que ela ficou chateada por eu ter tentado ajudar?
Nós nos levantamos do chão. Ela me deu um abraço apertado, enrolou seus pequenos dedinhos em um dos meus cachos e disse:
— Meori saekkkal jeongmal meosjineyo (A cor do seu cabelo é muito legal).
Em seguida, saiu correndo da sala.
Confesso que só entendi as palavras "cabelo" e "cor". Depois, perguntaria ao Google Tradutor.
Fui andando pela escola para conhecer melhor os lugares onde trabalharia pelos próximos meses, até que comecei a ouvir uma melodia de piano acompanhada por uma voz ligeiramente grave.
Era algo intenso e, ao mesmo tempo, suave, que me levava a lugares onde nunca estive. Preciso confessar que amo música, apesar de não saber tocar nenhum instrumento. Mas canto muito bem, diga-se de passagem. É a música que me acalma nos momentos de estresse e ansiedade.
Confesso que o que mais me acalma é o nu metal. Amo aquela gritaria nos meus ouvidos; ela me faz me desprender de todos os meus problemas.
Mas aquela melodia e aquela voz eram diferentes. Aquilo me tocava no fundo da alma. Segui o som, que vinha da sala de música. Quando olhei pelo vidro, deparei-me com Seo-Ho. Ele estava sentado em frente ao piano, com o cabelo preso em um coque samurai e roupas pretas. Só então percebi que ele tinha algumas argolas de prata nas orelhas.
Ele estava de olhos fechados, absorto enquanto tocava e cantava. Aquilo era a mais pura arte. A voz daquele homem era de outro mundo! Foi aí que percebi o quanto ele era bonito quando fazia algo de que realmente gostava.
Fechei os olhos e me deixei levar pela melodia. Quando ele tocou as últimas notas, abri os olhos e entrei na sala. Precisava dizer alguma coisa. Sei que ele me odeia, mas precisava falar algo.
— V-você, essa m-música... Isso foi... Quero dizer, você toca absurdamente bem — disse, gaguejando. Acho que desaprendi a falar.
Ele me olhou dos pés à cabeça, um pouco sem reação. Depois, deu um sorriso de canto. Cara, pela primeira vez, vi aquele homem sorrir! Que sorriso gengival mais lindo!
— É uma música japonesa do cantor Fujii Kaze. O nome é Shinunoga E-Wa.
— Essa música é do tipo que leva a gente para lugares onde nunca estivemos — disse, sorrindo.
— Que bom que gostou, Paloma.
— É PAOLA! VOU SOLETRAR PARA VOCÊ: P-A-O-L-A! — disse, sem paciência.
— Ah, tudo bem. P-A-L-O-M-A.
— Afff, você é muito Sr. Arrogante mesmo! Não dá para ter uma conversa civilizada com você — disse, saindo da sala. Posso jurar que ouvi uma gargalhada.
Ao chegar em casa, fui tomar banho. Precisava relaxar. Que homenzinho mais irritante! Prometi que iria ajudar o Sr. Park e não vou ceder às provocações dele. Mas, cara, que difícil!
Liguei o som em um volume bem alto e coloquei BTS para tocar. Um detalhe sobre mim: adoro BTS! Passei uma hora no banho, relaxando e escutando minha playlist ARMY. Acho que a água levou todo o meu estresse embora.
Escolhi uma roupa "básica" para usar. Digo básica entre aspas, pois não sou nada básica. Também coloquei para tocar a música que aquele irritante havia mencionado.
E como a música era boa! Muito boa mesmo.
Vesti um bermudão jeans, um cinto, uma camisa do Slipknot e um sobretudo. Precisava me acostumar a andar com aquilo, porque lá no Brasil não faz tanto frio assim.
Quando desci, Yeon já estava me esperando. Ela estava totalmente descontraída. Suas roupas eram básicas, porém ela continuava linda.
— Vamo, garota! Hoje é sexta, você vai curtir a cidade no estilo Ji-Yeon! — disse, animada e buzinando o carro.
Entrei, e fomos conversando animadamente sobre a Coreia, os costumes, a escola e várias outras coisas.
— Paola, mesmo que você ainda não tenha iniciado o projeto, todos na escola gostaram de você. Ainda mais depois que souberam da história da aluninha.
— Sério? — perguntei, surpresa.
— Sim. Acho que a única pessoa que ficou meio contrariada foi a Soo-Min.
— Ela ficou mesmo! Não queria me deixar ajudar. Acho que não foi muito com a minha cara!
— Sim, mas aquela vaca não vai com a cara de ninguém.
— Yeon, coitada! — disse, sorrindo. Não imaginava que Yeon fosse tão espontânea.
— Ela tem uma grande queda pelo Hong Seo-Ho.
— Pelo Sr. Difícil? — perguntei, surpresa.
— Ele mesmo! Ela vive atrás dele, sempre tentando impressioná-lo. Mas ele não liga, sempre a deixa falando sozinha! — Gargalhou alto.
— Ele morou no Brasil durante sete anos. Quando voltou, pedi que me ensinasse o idioma, pois queria passar uma temporada lá. Foi então que aquele ranzinza me deu algumas aulas.
— Será que ele vai ser um bom professor para mim também? — perguntei, esperançosa.
— Sim, ele é muito bom em ensinar. Não estou falando isso só porque ele é meu primo.
Na mesma hora, ela tampou a boca e me olhou assustada.
— PAOLAAAA, POR FAVOR, VOCÊ NÃO PODE CONTAR ISSO PARA NINGUÉM! SEO-HO ME MATA!
— Ele não quer que ninguém saiba do nosso parentesco, mas foi ele mesmo quem me indicou para ser advogada da escola.
Dei uma gargalhada e disse:
— Segredo de confissão, não direi a ninguém!
Juntamos os mindinhos e fizemos nosso juramento.
— Sabe o que estou achando muito estranho, Paaa? O Sr. Difícil nunca foi de implicar com ninguém. Não sei por que está agindo assim com você.
— Acho que foi ódio à primeira vista.
Chegamos ao shopping e passeamos por todas as lojas possíveis. Yeon me deu dicas de produtos de skincare. Compramos sutiãs, xampu e tudo de que eu precisava, além de várias coisas de que não precisava também.
Foi uma noite muito agradável. Conseguimos até assistir a um filme no cinema, comemos e conversamos bastante. Tínhamos várias coisas em comum.
Acredito que, a partir daquele dia, se firmou uma grande amizade entre nós duas.
— Paolaaaaa, vamos beber e comer churrasco! — disse Yeon, animada.
— Yeon, você está dirigindo!
— Perto da sua casa tem um restaurante legal. Vamos!
— Tá bem, mas você vai dormir na minha casa hoje.
Paramos em frente ao meu condomínio. Ela estacionou o carro, e caminhamos até o restaurante.
O lugar era pequeno, mas muito aconchegante. O senhor que nos atendeu me tratou super bem e disse que amava o futebol brasileiro.
Yeon bebeu várias e várias garrafas de soju, misturando a bebida com cerveja. Eu fiquei apenas na cerveja, porque sabia que tinha mais resistência a ela.
Fui enganada com sucesso! As cervejas coreanas eram mais fortes do que eu imaginava, então acabei ficando bêbada.
No dia seguinte, acordei com uma baita dor de cabeça.
— Ai, ai, que dor!
— Acordou, dorminhoca? Não era você que dizia ser resistente à cerveja? — perguntou, gargalhando.
— Faz tempo que não bebo. Tenho quase certeza de que você colocou soju no meu copo.
— Como você me trouxe para casa? — perguntei, curiosa.
— Paola, foi um sacrifício! Você gritava a plenos pulmões: "POR QUE AQUELE INSUPORTÁVEL NÃO GOSTA DE MIMMMM?". Enquanto eu tentava carregar você, um moço muito lindo, simpático e com um sorriso perfeito, que disse ser seu amigo, me ajudou. Acho que o nome dele é Ha... alguma coisa — disse ela, pensativa.
— Oh, droga! Que vergonha! Será que deixei escapar que o Sr. Difícil fazia meu tipo?
— É o dono da cafeteria aqui da frente, Kim Ha-Jun. Que vergonha!
— Preciso me recuperar, porque, mais tarde, vou ter aula com o Sr. Difícil.
— Mas hoje é sábado! — disse ela, bocejando.
— Eu sei! Ele faz isso para me irritar! — disse, irritada.
HONG SEO-HO
Acordei cedo hoje para terminar de preparar o material para a aula da Paola. Coloquei ração e água nas vasilhas do meu gato. Sim, eu tenho um gato chamado Batman. As pessoas não sabem, mas adoro gatos.
Adoro o jeito independente deles. Encontrei o Batman em um dia de chuva, há um ano, so consegui enxerga-lo por causa de seus grandes olhos verdes, pois a noite estava escura e ele tem a pelagem toda preta. Nunca tinha criado um bichinho antes, e a experiência tem sido bastante agradável.
Batman é um gato adorável e bastante carinhoso comigo. Com outras pessoas, ele não é nada dócil.
Ainda não acredito que o diretor Park me deu essa missão: dar aulas de coreano para Paloma/Paola! Como durante a semana não tenho tempo, marquei a aula para sábado à tarde.
A verdade é que tenho tempo durante a semana, sim, mas fiz isso justamente para irritá-la. Já que vou ser obrigado a dar essas aulas, que sejam da forma como eu quiser.
Ela também é irritante. Vive discordando de tudo o que eu falo. Acho isso tão engraçado! Mas agora dá para perceber o quanto essa garota é cabeça-dura e nunca dá o braço a torcer.
Preciso me acalmar com ela. O diretor já deixou bem claro que ficará até o fim. Então, vou irritá-la de todas as formas possíveis até lá. Quero só ver se ela realmente vai aguentar.
Reservei minha mesa favorita na cafeteria para as 16h. Esse é o melhor horário. Espero que ela venha disposta a aprender e seja uma aluna disciplinada. Não suporto pessoas que não prestam atenção.
Meu material é bem prático. Tenho certeza de que vai ajudá-la. Fiquei acordado até as duas da manhã preparando tudo, para que ela consiga dominar o conteúdo.
Cheguei à cafeteria às 16h em ponto. Como esperado, ela ainda não estava lá. Preparei o ambiente e esperei. Já haviam se passado 45 minutos, e nada daquela mulher chegar!
Odeio atrasos. Na segunda-feira mesmo, vou falar com o diretor e pedir que procure outra pessoa. Não posso ensinar gente sem compromisso. Isso é um absurdo!
Fui até o balcão e pedi um café americano ao Ha-Jun, que estava distraído e não me escutou. Só pode ser brincadeira! Hoje as pessoas combinaram de me irritar.
— KIM HA-JUN! — gritei.
— Hã? Oi! Faz muito tempo que você está aí? — perguntou, distraído.
— Quero um café americano! O que está acontecendo com você, cara? Você é tapado, mas distraído nunca foi! — disse, impaciente.
— É que ontem, quando estava indo para casa, encontrei a Paola. Ela estava bêbada, e a amiga estava tentando levá-la para casa.
— Acho que aquela foi a cena mais linda que já vi — disse ele, pensativo. — Aquela mulher é perfeita até bêbada. Parecia um anjo!
— Um anjo, a Paola? Só se fosse um anjo caído, ou seja, Lúcifer! Eu já mandei você tirar os olhos dela. Não quero você de gracinha com a minha colega de trabalho! — disse, irritado.
Nunca me importei com as conquistas do Ha-Jun, mas ouvir aquele idiota falando da Paola me incomodava.
— Aishiiiiii! Não estou falando da Paola, mas da amiga dela! Já disse que a Paola vem aqui todos os dias tomar seu bom café com leite ou seu chá de camomila.
— Nós nos damos super bem. Ela é muito engraçada e espontânea, então nos tornamos grandes amigos.
— Eu não estou interessado nela. Se estivesse, você não iria me impedir, meu grande amigo! Acho que é você que está interessado na cerejinha e não quer admitir — falou, desinteressado.
— JÁ DISSE QUE NÃO ESTOU! — gritei. — Ela é só uma colega de trabalho irritante, a quem agora sou obrigado a dar aulas.
— Então é você o professor que ela está esperando? — perguntou.
— Como assim, esperando? Ela nem foi capaz de chegar! — falei, irritado.
— Ela está aqui desde as 14h. Estava com uma bolsa cheia de materiais de pintura, cadernos e um livro sobre a breve história da arte. Está sentada na última mesa da cafeteria, pois a sua já estava reservada.
Não acredito que ela já estava ali! E eu, irritado com a coitada... Mas a culpa é dela! Por que não veio no horário combinado?
Segui em direção à sua mesa e a vi debruçada sobre ela, com a cabeça apoiada no braço e os cachos formando uma cascata cor de sangue. Estava dormindo profundamente sobre uma pintura finalizada e um livro de arte entreaberto, aberto em uma página que falava sobre arte dadaísta.
Sentei-me à sua frente e a observei dormir. Ela realmente parecia um anjo e, sinceramente, estava longe de se comparar a Lúcifer. Peguei a pintura que estava diante dela e analisei cada traço. Ela realmente pintava bem.
A pintura retratava a pista em frente à escola, com o céu azul e as árvores de cerejeira, tudo com muitos detalhes. Parecia até que eu estava olhando para uma fotografia.
Fiquei tão distraído que só despertei quando a ouvi dizer:
— Há quanto tempo você está aqui? Acho que dormi! — falou, sonolenta.
— Cheguei há pouco tempo — menti. Nem sei por que menti.
Ela pegou o celular e me disse, com uma expressão assustada:
— Já são 17h15! Dormi demais! — Levantou-se rapidamente, mas acabou tombando na cadeira.
— Ai, ai, ai! Que dor de cabeça! — disse, sentando-se novamente. — Vamos iniciar a aula logo.
— Você não está em condições de ter aula. Com uma dor de cabeça dessas, não vai absorver nada!
— Não quero tomar seu tempo precioso! — disse, colocando as mãos nas têmporas.
— Vamos adiar a aula de hoje. Você leva o material para casa e lê. No próximo sábado, fazemos os exercícios sobre o conteúdo — disse, compreensivo.
— Haaaaa! Muito obrigada, Sr. Difícil! — disse ela, abraçando-me e dando pulinhos de felicidade.
Quando percebeu o que havia feito, ficou extremamente envergonhada. Não pude deixar de sentir o cheiro de seu cabelo cor de cereja. Ele cheirava muito bem.
— Desculpe! Até mais! — disse, juntando suas coisas e correndo em direção à porta.
— Essa mulher ainda vai me matar de estresse — falei, olhando para a pintura que ela havia esquecido em minhas mãos na pressa de sair.
PAOLA BITTENCOURT
Como o final de semana passou rápido! Hoje já é segunda-feira, e acordei bem cedo para ir ao trabalho e chegar sem me atrasar. Preciso confessar que só vivo atrasada.
Hoje vou conhecer as crianças e os pré-adolescentes que participarão do projeto.
Cheguei à escola, estacionei minha moto o mais longe possível da moto de Hong Seo-Ho e me encaminhei para a sala dos professores.
Quando abri a porta, Ji-Yeon veio até mim, dando pulinhos e me abraçando, toda sorridente.
— Paaaaaa, marquei um encontro às cegas para a gente! — disse, animada. — Você vai, não é mesmo?
— Bom, eu não sei... Tenho tantas coisas para fazer. Não sei se é uma boa ideia. Preciso organizar as coisas do projeto — disse, tentando escapar daquela situação.
— Não aceito não como resposta! A gente vai! Eles são legais e bonitos. Não tanto quanto o dono das covinhas perfeitas da cafeteria, mas acho que dão para o gasto.
— Hã... Não sei, Ji. Não estou muito a fim de conhecer pessoas para me relacionar — disse, sem graça.
A verdade é que, no Brasil, já havia tido um relacionamento tão desastroso que quase não consegui me recuperar. Por isso, fechei-me para qualquer tipo de relação amorosa.
— Vamos, Paaaaaaa! Prometo que vai ser legal. Se você não gostar, a gente vai embora na hora! — disse, beijando os dedinhos em sinal de juramento.
— Tudo bem! E quando vai ser? — perguntei, dando-me por vencida.
— No sábado. Marquei para as 16h.
— Sábado...
— Sábado ela não vai a lugar nenhum — disse Hong Seo-Ho, entrando na sala.
— Ora, e quem é você para dizer se ela vai a algum lugar ou não? — perguntou Ji-Yeon, sarcástica.
— O professor dela aos sábados! — disse Seo-Ho, de forma enfática. — Neste sábado, já não tivemos aula por causa da bebedeira de vocês, então não vou mais aceitar desculpas esfarrapadas.
Como ele sabe da nossa bebedeira? Quem contou?
— Então, Paola, vou remarcar para quinta ou sexta, às 20h — disse Ji-Yeon, falando comigo.
— Ela também não vai poder. Nós teremos aula nesse horário.
— Como assim? O Sr. Park disse que seria apenas uma vez por semana para não irritar você — afirmei.
— Pois eu mesmo irei falar com o diretor. Ninguém aprende um idioma tendo aula apenas um dia por semana. Teremos aulas de domingo a domingo, Paloma! Anote isso nos seus 300 cadernos — disse e saiu batendo a porta.
— É Paola, babaca! P-A-O-L-A... — falei, irritada.
Não acredito nesse cara! O humor dele está pior do que nunca.
— Não acredito nisso! — disse Yeon, irritada. — O humor dele está pior do que sempre foi.
Não estou acreditando! Vou ter que conviver com esse babaca sete dias por semana. Isso é um carma! Mas já disse e repito: se estou no inferno, vou abraçar e até beijar, se necessário, o diabo!
Thoughts
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PermalinkMacho, o Seo-Ho marcou aula todo dia logo depois de ouvir falar do encontro às cegas. A Ji-Yeon, que é prima e conhece ele, vai sacar o motivo bem antes da Paola.
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PermalinkQuem nunca? Se entrar no shopping e não comprar uma coisinha a mais, não, impossível mesmo 💸
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PermalinkAcho que não é ódio não flor 😉
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PermalinkEles são primos???? Que mundo pequeno, adorei esse detalhe
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PermalinkVilã e rival? Nossa, a vida da Paola acabou de complicar mais ainda 🫠
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PermalinkChegou nossa vila 🙃
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PermalinkNoite das garotas? Vcs merecem 😘
Enfrentar o Sr Difícil é bem cansativo 🫠
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PermalinkUm sorriso e uma gargalhada no mesmo capítulo? Amei 😍💞
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PermalinkPuxando a Maria Chiquinha de novo 🤣
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PermalinkMilagres acontecem 🤣😍
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