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Capítulo 4: Café, Carona e Confusão

hyan_amorim

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Quarta-feira, 19/02/2025

É de manhã e já estou de volta à empresa. Nós retornamos ontem à noite para a cidade, mas ainda sinto arrepios só de lembrar daquele estrangeiro esquisito... Enfim, acho que o negócio deu certo. Ele com certeza vai entrar em contato, ou pelo menos é o que todos esperam.

Neste momento estou na cozinha da empresa, preparando algo especial. Comprei materiais para fazer um capuccino para o senhor Daniel - e estou me dedicando mais do que nunca. Desenhei uma folha com a espuma do leite... ficou até que fofo. Será que ele vai gostar? Tomara que sim.

Respiro fundo e vou até a sala dele com a xícara fumegante nas mãos.

- Senhor, seu café. - digo, batendo na porta com delicadeza.

- Pode entrar. - responde ele com aquela voz calma e firme.

Abro a porta e entro com um sorriso, colocando a xícara na mesa com todo o cuidado do mundo.

- Aqui está. - digo, me afastando um pouco.

Ele arqueia uma sobrancelha, curioso.

- O que é isso? - pergunta, surpreso ao ver o capuccino com o desenho espumado.

- É que ontem eu fiz tanto capuccino... pra tanta gente... mas não fiz um sequer pro senhor. Aí fiquei com a consciência pesada. - digo meio envergonhado, coçando a nuca.

Ele observa a xícara por alguns segundos, e depois sorri, com suavidade, como se estivesse genuinamente tocado.

- Obrigado, Ariel. - diz ele, e sua voz soa diferente... mais suave, mais humana.

Eu então saio da sala do senhor Daniel com o coração disparado.

Eu não acredito... ele gostou. Ele realmente gostou.

Será que eu devo fazer outro capuccino amanhã? Talvez algo com um desenho mais elaborado... quem sabe um coração?

Aquele sorriso dele... ai.

É tão fofo que dá vontade de apertar as bochechas dele. Como alguém consegue ser tão sério e, ao mesmo tempo, sorrir daquele jeito?

- Ariel! - chama meu colega de trabalho, surgindo do nada e jogando o braço em volta do meu pescoço.

- Por que você está todo sorridente, hein? Tá até brilhando! - provoca ele com um sorriso malicioso.

- Por nada! Eu não posso sorrir, agora? - respondo, tentando disfarçar, mas minha voz sai num tom mais alto que o normal.

- Hmmm... eu te vi saindo da sala do chefe de novo. Me diz: por que você anda levando café pra ele todos os dias? - questiona, estreitando os olhos.

- Lembra que eu derramei café nele?

- Lembro, claro. Virou fofoca nacional aqui na empresa.

- Então... como forma de "compensar o prejuízo emocional" - digo fazendo aspas com os dedos - ele pediu que eu sirva café pra ele todos os dias... durante uns três meses.

- Nossa! Que malvado, esse senhor Daniel! Bem como dizem por aí, hein?

- Isso não é bem verdade... - rebato, meio na defensiva. - O senhor Daniel não é tudo isso que as pessoas dizem. Ele é... ele é só um pouco sério.

- Sério? Ele tem fama de ser um ogro temperamental! - diz ele com um tom dramático.

- São só boatos. - respondo, mas minha voz sai mais baixa dessa vez.

- Onde há fumaça, há fogo, querido Ariel... - provoca ele com um sorrisinho enquanto se afastava.

Finalmente, o expediente acabou - graças a Deus! - e o senhor Daniel me contou que o estrangeiro entrou em contato. Ele está interessado no café!

Não vou mentir: fiquei muito feliz. É um orgulho saber que contribuí para isso... mesmo que meu nome não esteja nos créditos oficiais.

Agora estou aqui, na parada de ônibus, esperando meu ônibus como um simples mortal.

De repente, um carro preto encosta bem devagar. O vidro começa a descer e, como em uma cena de filme, aparece ele... o próprio.

- Você quer uma carona? - diz o senhor Daniel, com aquele olhar sério de sempre, mas um leve brilho nos olhos.

- Eu aceito! - digo, me levantando rápido como se fosse um convite para entrar numa limousine de gala.

Entro no carro e, no caminho, claro que minha barriga resolve fazer o show da vergonha:

RONC-RONC. Um barulho tão alto que parecia vindo de um megafone.

- Nossa. - diz o senhor Daniel, surpreso, segurando uma risada.

- Se acalma, amiga! - digo, colocando a mão sobre a barriga. - Já estamos quase chegando em casa, segura firme.

Ele tenta disfarçar o riso, mas vejo o canto da boca dele subir discretamente.

De repente, o carro freia.

- Por que parou? - pergunto, confuso.

- Vamos jantar. Você está com fome, não está? - diz ele, já abrindo a porta.

- Não precisa, senhor, de verdade! - respondo, saindo do carro atrás dele.

Mas aí percebo onde estamos: em frente a um restaurante super elegante.

Eu, de uniforme e cara de ônibus, e ele parecendo que saiu de um editorial de revista.

- Senhor, esse restaurante é...

- Você faz meu café todos os dias. Considera isso um agradecimento. E relaxa, ninguém vai te julgar se estiver com fome. - diz ele com aquele jeitão prático e direto, já abrindo a porta do restaurante. E eu? Eu só respiro fundo, olho pro céu e sigo ele.

A gente está sentado à mesa, e o senhor Daniel simplesmente pediu um banquete - sério, parece que ele encomendou tudo que existia no cardápio. Os pratos chegam um atrás do outro, cada um com uma aparência mais deliciosa que o outro.

- Senhor, isso é muita coisa! - digo maravilhado, olhando para a mesa lotada.

- Eu não sabia do que você gostava, então pedi tudo do cardápio. - diz ele, com a maior naturalidade do mundo.

- Mas é comida demais! Acho que não vou dar conta de comer tudo isso. - digo, tentando calcular quantos estômagos eu teria que ter pra dar conta.

- Só coma o que gostar. - diz ele, cruzando os braços, como se pedir cem pratos fosse a coisa mais lógica do universo.

- Não faça mais isso, senhor. Não podemos desperdiçar comida! - digo, com um olhar repreensivo.

- Então me diga. - ele me encara.

- O quê? - pergunto, confuso.

- As coisas que você gosta. Seu prato favorito, clima, cor... quero saber. - diz ele, com um tom mais leve e curioso.

- Hã... Bom, eu gosto de carne de porco, meu clima favorito é o quente - odeio passar frio. Minha cor preferida é roxo. E eu amo filmes de ação... desses cheios de tiroteio, perseguição, explosão. Sabe?

- Eu gosto de praticar exercícios, especialmente futebol. Também gosto de carne de porco. Não tenho uma cor favorita, mas costumo usar branco... acho que me deixa mais "sério". - responde ele, com aquele tom contido de sempre.

Enquanto a gente conversava, sem nem perceber, eu comi quase tudo da mesa. Sério. Venci o banquete.

Encostei na cadeira, suspirando, com as mãos na barriga como se estivesse grávido de trigêmeos.

- Obrigadíssimo, senhor... - digo, com a voz lenta de quem tá prestes a entrar em coma alimentar.

Ele me leva até em casa. Assim que o carro para, eu agradeço novamente.

- Até amanhã, Ariel. - diz ele, com um olhar mais suave que o habitual.

- Até, senhor. E... obrigado pela comida. De verdade. - digo enquanto entro, ainda abraçando a barriga como se ela fosse explodir a qualquer momento.

Quinta-feira, 20/02/2025

É de manhã e estou na cozinha da empresa, preparando um cappuccino bem especial para o senhor Daniel. Ele merece. Faço tudo com cuidado e, pra dar um toque a mais, desenho um coração de espuma no topo.

Dou um sorriso bobo enquanto observo o resultado. Ficou perfeito. Um cappuccino pela manhã, um café preto depois do almoço... Ele vai achar que tá sendo mimado - e está mesmo.

Coloco a xícara com carinho na bandeja e sigo rumo à sala dele, me sentindo o próprio barista de novela.

- Olha só se não é o melhor barista da empresa. - diz uma voz com sotaque atrás de mim.

Me viro devagar... e quase derrubo a bandeja. É ele, o estrangeiro - aquele do zoológico - e ao lado dele... o presidente da empresa.

- Bom dia, senhores. - digo, tentando parecer calmo, mas com o coração disparado.

- Que cappuccino lindo. - diz o estrangeiro, e antes que eu possa protestar, ele simplesmente pega a xícara da bandeja e começa a beber.

Sim, ele pegou o cappuccino do senhor Daniel. O que está acontecendo com o mundo?

- O café do seu funcionário é o melhor que já provei. - diz ele, saboreando o cappuccino como se tivesse descoberto o segredo da felicidade líquida.

- O café da nossa empresa é o melhor. - corrige o presidente, com aquele sorriso político.

- Sempre prezamos pela qualidade. - acrescenta, mantendo a pose de CEO calmo e controlado.

- Vou dar uma festa hoje à noite. Você vai, não é? - pergunta o estrangeiro, olhando diretamente pra mim.

- Eu? - digo, completamente perdido.

- Ele vai sim, pode contar com a presença dele. - responde o presidente por mim, com a maior naturalidade do mundo.

- Perfeito, Ariel. Às oito em ponto. Mando alguém buscá-lo na sua casa. - diz o estrangeiro com um sorriso charmoso e ligeiramente assustador.

O quê?

Como assim ele sabe meu nome? E pior... COMO ele sabe onde eu moro?!

Socorro.

É de noite, e como o presidente disse que eu iria... então não tenho escolha. Quando termino de me arrumar, escuto o som de buzinas lá fora.

- Ariel, é o motorista. Ele veio te buscar. - diz minha mãe da cozinha.

- Nossa, que importante, hein? Agora tem até motorista particular. - debocha minha irmã Ariana, com aquele sorrisinho irritante.

Eu desço as escadas, todo arrumado, e dou de cara com um carro de luxo estacionado. O carro é lindo... e o motorista mais ainda. Sério, parecia ter saído direto de um comercial de perfume.

O motorista me leva até o local da festa - um bar chique, à beira do rio, todo iluminado com luzes pendentes e gente elegante por todo canto. Assim que chego, sou guiado direto até o estrangeiro, que está esparramado num sofá cercado por gente rindo alto e copos por todos os lados.

- Senta aqui do meu lado, Ariel. - diz ele com um sorriso exagerado enquanto me puxa como se fôssemos melhores amigos.

A mesa está lotada de bebida. Mas eu não tô nem um pouco confortável pra encher a cara com aquele povo esquisito.

- Aproveita, hoje é por minha conta. - diz o estrangeiro, levando um copo direto até minha boca.

- Não, obrigado, senhor. - respondo educadamente, recuando.

- Ah, vai! Só um golinho. - insiste ele, me olhando com cara de quem não aceita "não" como resposta.

Ele insiste tanto, mas tanto, que eu acabo cedendo. Tão logo percebo, já tomei um copo... depois mais um... e outro.

Passou um tempo e tudo começou a girar - copos, luzes, sorrisos estranhos. O estrangeiro ficava passando a mão no meu ombro, no meu cabelo, tentando me puxar mais pra perto.

Aí meu Deus... o que eu tô fazendo aqui? Por que eu aceitei vir? E por que eu tô aguentando esse cara grudento?

- Vocês são tão fofos juntos, senhor! - diz uma mulher rindo.

- Somos mesmo, né? - responde o estrangeiro, deslizando a mão pelo meu ombro como se já estivéssemos noivos.

- Você é tão fofinho, Ariel. Eu não tô resistindo mas, me dá um beijo. - diz ele, me puxava com os olhos brilhando de álcool.

- Beija! Beija! Beija! - começam a gritar as pessoas em volta, animadas com o circo.

- N-não, senhor... por favor, não faça isso... - digo, tentando me afastar enquanto ele se aproxima com a boca quase colada na minha.

E então...

Uma mão firme me puxa para trás, num movimento rápido.

- Você não está vendo que ele não quer fazer isso?! - diz uma voz conhecida, firme, com raiva.

É o senhor Daniel.

Ele me coloca atrás dele, como se fosse um escudo humano. Seu olhar fulminante encara o estrangeiro.

- O que está fazendo?! - grita o estrangeiro, visivelmente irritado.

- Impedindo uma tremenda falta de respeito. - diz o senhor Daniel com a voz firme, os olhos faiscando.

- Pelo que eu sei, o Ariel é solteiro... e pode fazer o que quiser. - rebate o estrangeiro, com um sorriso arrogante, como se estivesse num leilão onde eu era o prêmio.

- Vem pra cá, Ariel. - acrescenta ele, puxando minha mão com insistência.

- Solta ele! - grita o senhor Daniel, e, num piscar de olhos, acerta um soco no rosto do estrangeiro, que desaba no sofá como uma marionete sem fio.

Eu fico em choque, com os olhos arregalados. Ninguém nunca brigou por mim - pelo menos não de forma tão dramática e cinematográfica.

- Vamos embora, Ariel. - diz o senhor Daniel, pegando minha mão com firmeza, como se estivesse me resgatando de um navio afundando.

Saímos do bar deixando para trás o falatório e o estrangeiro cambaleando. O carro parecia um santuário silencioso até ele me deixar em frente de casa.

- Aquele estrangeiro é um idiota. - digo, completamente bêbado, tropeçando nas palavras e nas minhas próprias pernas.

- Você não devia ter ido. - diz o senhor Daniel, sério, mas com um leve tom de preocupação.

- O seu pai não me deixou escolha. Ele praticamente me empurrou! - reclamo, enquanto o mundo começa a girar na minha frente.

- Senhor, tá tudo girando... - digo, segundos antes de desabar no ombro dele, completamente entregue.

Ele me segura com aqueles braços fortes, e por um instante... meu coração bate mais rápido. A respiração dele tá perto da minha, quente... firme. E eu? Bom... não entendo por que estou com vontade de ficar ali por mais tempo. Ou talvez eu só esteja fingindo que não entendo.

#romanceviral

Thoughts

  • juh2012

    Desconfio que o presidente sabia direitinho pra que o estrangeiro queria o Ariel naquela festa, e mandou mesmo assim por causa do negócio do café. Pai do Daniel ou não, não confio nele.

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