O Reino da Lua Negra começou a desaparecer.
As árvores se transformaram em cinzas.
O céu se abriu.
As Sete Luas surgiram acima de Helena.
Amara apareceu.
Selene.
Morgana.
Isolde.
Luna.
Eva.
E, por último, a Sétima Lua.
Helena olhou para todas.
— Vocês mentiram para mim.
Amara respondeu:
— Sim.
— Por quê?
— Porque tínhamos medo do que você faria quando lembrasse.
Helena olhou para Luna.
— E você?
Luna se aproximou.
— Eu nunca menti.
— Você disse que minha mãe estava viva.
— Ela estava.
Helena olhou para o espírito de sua mãe.
Luna continuou:
— Morta não significa esquecida.
Helena virou-se para a mãe.
Ela sorriu.
— Você precisa escolher, filha.
— Escolher o quê?
— Voltar para o mundo dos vivos.
Helena ficou confusa.
— E vocês?
— Nós ficaremos aqui.
— E a Sétima Lua?
A mãe olhou para ela.
— Ela precisa voltar para você.
Helena sentiu medo.
— E se ela me destruir?
A Sétima Lua respondeu:
— Eu nunca quis destruir você.
— Então o que você quer?
Ela estendeu a mão.
— Ser inteira.
Helena olhou para Gabriel.
— Se eu aceitar, o que acontece?
Gabriel respondeu:
— Você vai lembrar de tudo.
— Tudo?
— Tudo.
— Inclusive minha morte?
Ele assentiu.
Helena olhou para a mãe.
— E depois?
A mãe respondeu:
— Você terá que decidir se quer continuar vivendo.
Helena fechou os olhos.
Pensou em tudo.
A mansão.
Nox.
Amara.
Selene.
As Sete Luas.
Seu pai.
Sua mãe.
A criança que havia sido.
A mulher que se tornou.
Então estendeu a mão.
A Sétima Lua tocou seus dedos.
Uma explosão de luz atravessou o reino.
Helena gritou.
Todas as suas memórias voltaram.
Ela viu seu nascimento.
Sua infância.
Sua mãe.
Seu pai.
A cerimônia.
A mansão.
Sua morte.
Seu renascimento.
E finalmente descobriu a verdade.
A Sétima Lua não era uma criatura criada por magia.
Não era um demônio.
Não era uma maldição.
Era a parte da alma de Helena que havia sido sacrificada para salvá-la.
As duas começaram a se unir.
A luz ficou branca.
Depois negra.
Depois prateada.
Quando tudo terminou, Helena estava sozinha.
O Reino da Lua Negra havia desaparecido.
Sua mãe também.
Gabriel estava ajoelhado diante dela.
— Helena...
Ela olhou para ele.
Seus olhos agora brilhavam como prata.
— Eu perdoo você.
Gabriel começou a chorar.
— Obrigado.
— Mas não quero esquecer.
Ele assentiu.
— Não esqueça.
Nox apareceu ao lado dela.
— Está na hora.
Helena olhou para trás.
A mansão estava distante.
As Sete Luas brilhavam no céu.
Seis começaram a desaparecer.
Uma permaneceu.
A Lua Negra.
Nox olhou para ela.
— Você sabe o que isso significa?
Helena assentiu.
— A Sétima Lua ainda está comigo.
— Não.
Helena olhou para ele.
— Então?
Nox sorriu.
— Agora você é a Sétima Lua.
Helena ficou em silêncio.
O vento soprou.
A mansão começou a desaparecer.
As paredes ruíram.
Os retratos se desfizeram.
Mas antes que a última janela desaparecesse, Helena viu algo.
Um novo retrato estava surgindo.
Não havia uma mulher nele.
Havia Helena.
E ao lado dela...
Nox.
Abaixo do retrato apareceu uma frase:
“A história nunca termina onde a Lua desaparece.”
Helena sorriu.
— Nox?
— Sim?
— Para onde vamos agora?
O gato olhou para a floresta.
Seus olhos prateados brilharam.
— Para encontrar as outras.
Helena franziu a testa.
— As outras?
Nox começou a caminhar.
— Você achou que existiam apenas sete?
Helena ficou imóvel.
— Quantas existem?
Nox olhou para trás.
— Treze.
E, muito longe dali...
Uma nova lua surgiu no céu.
Depois outra.
E outra.
Helena percebeu que a mansão não era o fim da história.
Era apenas a primeira porta.
Fim da primeira parte.