Eu me perdi na boemia da morte
Eu esqueci o que era ser forte
Na verdade eu nunca soube
Quem que sou eu pra saber?
Eu me ponho onde couber
Em um garfo, faca ou colher
Não tenho lugar pra me pôr
Como as vagens no prato:
Aceito, mas sem amor
Entre as vagens e a morte há nada
É tudo só uma semelhança
Nossa vida é como piada
Eu perdi as minhas esperanças
Ser aceito não é ser amado
O vermelho não é a cor do pecado
Eu e você estamos entrelaçados
E o futuro? Já determinado
Boemia, eu não quero te perder pra mim
Poesia, eu só quero te ver assim
Reflita seus olhos, me diga o que vê
Eu não vivo sem ter você
Mas se um mar de sangue jorrar
O jarro que tu quer sereis
Eu vou pra sempre chorar
Escorrendo o sangue outra vez
Ser aceito não é ser amado
A vagem é o erro passado
A morte é a cor do agrado
Desgraça é o lamento sagrado
Vermelho é a cor do pecado
Nas vagens há tudo de errado
Desgraça é o lamento sagrado
Sufoca meus erros passados
Eu vivo em intensidade
Os homens corroem minha alma
Eu sinto uma ambiguidade
De tudo esvair da minha palma
Eu não sei nem mesmo quem sou
Mas afinal quem sou eu pra saber?
Não preciso saber onde vou
Sou um jarro tentando valer
Eu vivo, como a vagem no prato
E eu vivo, como o jarro no lago
Eu me perdi na boemia da morte
E eu esqueci o que era ser forte