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Baton cor de vinho/ capítulo 4

carolbraga
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Dentro do carro, seguimos em completo silêncio. Uma hora e meia depois, Dario estaciona o carro em frente a um buffet enorme, preparado para esse tipo de evento. O espaço é luxuoso. Aqui tem todo…

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tresCafes

que história pesada demais. é aquele tipo de situação que a gente escuta no balcão mas não sabe bem como termina.

que história pesada demais. é aquele tipo de situação que a gente escuta no balcão mas não sabe bem como termina.

Conteúdo da publicação

Dentro do carro, seguimos em completo silêncio. Uma hora e meia depois, Dario estaciona o carro em frente a um buffet enorme, preparado para esse tipo de evento. O espaço é luxuoso. Aqui tem todo tipo de empresários.

Antes de sair do carro, passo um batom cor vinho. Olho no espelho, não estava me reconhecendo. Estava linda.

Sigo até a entrada. Léo já estava nos aguardando. Quando me vê, abre um lindo sorriso:

— Você está linda, minha filha. Terei trabalho a noite toda.

— Foi o que disse anteriormente.

— Vocês dois podem ficar tranquilos, porque sei me cuidar. Agora vamos entrar?

Fico no meio dos dois, pego no braço de cada um e entramos pela grande porta. À medida que vamos entrando, todos que estavam ali param para observar nossa entrada.

Léo possui muitos patrimônios. Em cada país, tem uma afilhada. De todos que estão aqui, ele é o empresário mais rico. Mas a empresa que estou cuidando estava falida. Com meus conhecimentos, consegui reerguê-la, tornando-a lucrativa.

Hoje sou reconhecida. É por isso que o amigo de Dario me pediu ajuda. Porém, entre nós, pode haver alguém que seja dono de uma empresa multinacional. Léo, como sempre, está querendo conquistar mais espaço financeiro. Essa é uma ótima oportunidade para conseguir mais parceiros e, com isso, alavancar a empresa novamente.

Léo me apresenta a alguns amigos….

Tudo está muito lindo. As mesas estão fartas, com diversas variedades de petiscos. O que me chamou atenção foi o queijo disponível para degustação. Nem bem me aproximo para experimentar, minha paz acaba ao escutar uma voz familiar.

— É… Me parece que até aqui qualquer um pode entrar. Esses lugares já foram bem frequentados, mas pelo que vejo, caiu bem a qualidade. Agora qualquer um pode entrar…

Não dou atenção à alfinetada da Jade. Faço de conta que não existo para ela. Coloquei o queijo que havia pego na boca e resolvi me afastar, deixando-a com seu próprio veneno.

Dario chegou de surpresa, me fazendo assustar:

— Ah, aí está você! Eu estava lhe procurando… — diz Dario, que chegou por trás de Thayná.

— Pois é, você falou que ia cuidar de mim, mas na primeira oportunidade você sumiu…

Falo com um tom de brava. Ele me abraça, tentando amenizar a situação.

— Vem, quero te apresentar um amigo.

— O que precisa de ajuda?

— Sim. Vamos lá, ele está no jardim com outros investidores.

À medida que nos aproximamos do jardim, havia três homens. Dois estavam de frente para mim; o terceiro estava de costas. Dario me apresentou a todos:

— Pessoal, essa é a mulher que falei para vocês. Ela é muito boa no que faz, tem um talento inesquecível.

Os homens pararam de falar para me encarar. Confesso que estava com muita vergonha da forma como ele me apresentou, por isso retruquei:

— Você está me apresentando ou me vendendo?

— Só estou falando a verdade!

Me aproximei e estendi a mão para cumprimentar os homens. Quando falei meu nome, o homem que estava de cabeça baixa, mexendo no celular, rapidamente levantou o olhar para mim.

Era Daniel…

Ele pegou minha mão e segurou firme, como se não quisesse mais soltar. Mas eu puxei rapidamente, encarei Dario e falei:

— Vou ao banheiro.

Saí o mais rápido possível. Os homens ficaram sem entender nada. Já no banheiro, respirei fundo, pensando: “Será que é coincidência ou pegadinha do destino?” Poderia já ter imaginado que onde aquela mulher está, ele também estaria. Isso me fez lembrar do dia no shopping… Será que Daniel…

Coloquei a mão na boca. Será que Daniel teve contato com meu filho? Será que aquela mulher viu meu filho?

Molhei um pouco meu pescoço para tentar aliviar a intensidade. Sequei e respirei fundo. Quando estava saindo do banheiro, senti uma mão me puxando para um corredor ao lado:

— Precisamos conversar… — falava Daniel, segurando meu braço.

— Se for sobre a sua empresa, não tenho certeza se quero ajudar.

— Por que foi embora?

— O quê… Você achou que eu iria ficar correndo atrás de você, implorando para não me deixar? Isso nunca. Jamais farei.

— Eu fiz a pior besteira da minha vida!

— Isso já não é problema meu. Agora tenho que ir, Dario deve estar me procurando.

— Vocês estão juntos?

— Não lhe devo satisfação. Mas o que você acha?

Falo, deixando-o sozinho. Volto para o salão e me deparo com Jade. Atrás dela, Léo estava com seu amigo. Passo direto, sem paciência. Logo atrás estava Daniel.

— Aconteceu alguma coisa, filha?

— Não. Só quero ir embora.

Me viro, acompanhada de Léo, e vamos para fora. Pude ver Daniel ao lado de Jade me olhando. Virei o rosto para o lado, ignorando os olhares deles.

— É ele, né? O pai do Arthur, e o dono do seu coração.

— Apenas o pai do Arthur. Nada mais.

Dario vem até nós, ofegante, como se estivesse correndo.

— Aconteceu alguma coisa?

— Só estava correndo de uma mulher louca, rsrs.

— Então a festa acabou para vocês dois. Dario, leva Thayná para casa. Estou fechando uma nova parceria aqui e logo irei também.

Já dentro do carro, seguimos em silêncio. Até que resolvi quebrar o clima:

— Dario, o amigo do shopping era o Daniel? — perguntou sem rodeios.

— Sim. Ele e Arthur se deram muito bem. Sabe o que é mais impressionante? A semelhança dos dois.

Dario fala tudo o que aconteceu naquele dia. O que me deixou um pouco mais tranquila foi ele dizer que Arthur era seu sobrinho.

Sei que mentira tem perna curta, e a verdade sempre vem à tona.

— Por que a pergunta?

— Nada não. É apenas curiosidade.

— Eu sei que está acontecendo alguma coisa aqui. Mas veja bem: quando quiser conversar, estarei sempre aqui.

Acenei com a cabeça positivamente. Pensei comigo mesma…

Daniel, está diferente do homem que conheci anos atrás. Hoje pude ver que está um pouco mais magro, com muita olheira, sem contar a barba grande que ele detestava. Será que está bem? Sei que ele não come qualquer coisa… é chato pra caramba.

Dou risada ao lembrar quando ele chegava em casa, exausto, com dor de cabeça. Eu ia até a cozinha preparar uma sopa. Ele comia reclamando porque não gostava de cebola. Dava um remédio e, no outro dia, estava novinho em folha. Não fui boa o suficiente para ele.

DANIEL…

O Dia em Que Tudo Desabou…

Hoje é meu aniversário de casamento. Três anos. Três anos que, até então, eu vivi mais para a empresa do que para Thainá. Mas hoje… hoje eu queria fazer diferente. Queria celebrar com ela. Queria ser o homem que ela merecia.

Mas o destino, ou minha estupidez, decidiu outra coisa.

Meses atrás, Jade começou a trabalhar na empresa. Ambiciosa, sedutora, sempre com um olhar que parecia querer mais do que apenas uma promoção. Fechamos um grande negócio e, empolgado, fui comemorar com alguns colegas.

Liguei para Thayná, mas ela disse estar indisposta. Eu deveria ter ido para casa. Deveria ter cuidado dela. Mas não… o idiota aqui foi pra festa. No início, tudo parecia inofensivo. Risadas, brindes, música.

Até que meus amigos decidiram “apimentar” a noite e chamaram algumas garotas. Uma delas era Jade. Não lembro de ter ficado com ela. Juro que não lembro. Mas três semanas depois, ela apareceu no meu escritório com um sorriso venenoso e uma bomba:

— Estou grávida. E o filho é seu.

Neguei. Claro que neguei. Mas então ela mostrou um vídeo. Eu, visivelmente alterado, agarrando-a. E foi aí que veio o golpe final:

— Ou você se separa daquela mulherzinha e se casa comigo… ou vai pra cadeia. Prisão perpétua. A lei aqui não perdoa.

Minha cabeça girava. Thayná me esperava no restaurante que ela mesma escolheu. Ela queria algo simples. Queria nós dois. E eu… eu estava prestes a destruir tudo.

— Posso assumir a criança — disse, tentando negociar. — Mas casar com você? Isso é demais. Posso te oferecer uma mesada generosa.

— Não tem acordo. Ou casa comigo… ou apodrece atrás das grades.

Sem pensar, li

guei para meu advogado. Pedi os papéis do divórcio. Emergencial. Imediato.

Thoughts

  • tresCafes

    que história pesada demais. é aquele tipo de situação que a gente escuta no balcão mas não sabe bem como termina.

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  • duvidaHonesta

    Gostei de como você mostrou que Daniel não é nem herói nem vilão, é só um cara preso na própria fraqueza. A maioria de nós é assim quando o pânico bate, sabe? A gente faz coisa que depois a gente não acredita que fez.

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  • oquefaltadizer

    Falta quem fica cuidando de Arthur enquanto ele tá nisso tudo. Essa parte da história desaparece.

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  • perguntaAberta

    E a questão que fico com ela é: Thayná viu tudo aquilo no rosto dele e mesmo assim deixou ir. O que ela esperava que fosse acontecer depois naquela festa?

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  • mesaDeBar

    Uai, isso aí é a história toda certa. O cara prioriza a empresa durante anos, a mulher aguenta em casa, aí quando aparece o problema ele não tem lastro nenhum com ela pra conversar. Tá destruído, mas de pé.

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  • sofadasala

    Será que Daniel consegue contar a verdade pra Thayná agora? Como é que ele aguenta carregar isso sozinho?

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  • Rui_Salgueiro

    Léo como pai protetor é tão bom. Ele vê o drama e apenas deixa acontecer. 😔

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  • marcao77

    Torcei para que Daniel fosse realmente ruim. Mas aí você mostra que ele é vítima da própria fraqueza. Agora fico sem saber de quem é a culpa.

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  • contoBreve

    Isso me lembrou de um relacionamento que tive onde tudo girava em torno de promessas quebradas. Ele também dizia que iria consertar as coisas, mas o trabalho vinha primeiro. Depois descobri que não era tão simples assim.

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  • li_no_busao

    Como Daniel chegou naquele momento? Como você vai de estar em casa cuidando da esposa para estar em uma festa com Jade? Esse brinco ainda não fechou pra mim.

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