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AUTISMO E DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES SOCIAIS

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O artigo cita o decreto de outubro de 2025 e nenhuma contagem de professores da rede regular formados em TEA. Quantos, e em que ano?

O artigo cita o decreto de outubro de 2025 e nenhuma contagem de professores da rede regular formados em TEA. Quantos, e em que ano?

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AUTISMO E DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES SOCIAIS: ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS PARA PROMOVER A INTEGRAÇÃO ENTRE ALUNOS COM E SEM TEA

Por: Professor Psicopedagogo Institucional e Clínico Edson Carlos de Sousa Leal

RESUMO

A inclusão de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na escola regular ultrapassa a garantia de matrícula e exige a criação de condições concretas para participação, aprendizagem, convivência e desenvolvimento de habilidades sociais. Nesse contexto, a escola assume importante papel na construção de ambientes que favoreçam a interação entre estudantes com e sem TEA, evitando práticas segregadoras e promovendo experiências de cooperação, comunicação e pertencimento. Este artigo tem como objetivo analisar estratégias pedagógicas capazes de favorecer o desenvolvimento de habilidades sociais de estudantes autistas e ampliar sua integração com os demais alunos. A discussão fundamenta-se nas contribuições de autores como Del Prette e Del Prette, Mantoan, Orrú, Schmidt, Sassaki e outros pesquisadores da área da educação inclusiva e das habilidades sociais. São discutidas estratégias como aprendizagem cooperativa, atividades em pequenos grupos, tutoria entre pares, jogos, brincadeiras, rodas de conversa, projetos coletivos, utilização de recursos visuais, mediação docente e organização de situações de interação social. Defende-se que a inclusão não deve ser compreendida como simples presença física do estudante autista na sala comum, mas como processo que favorece sua participação efetiva nas relações escolares. Conclui-se que o desenvolvimento das habilidades sociais pode ser potencializado quando a escola cria oportunidades planejadas e significativas de interação, respeitando as singularidades de cada estudante e valorizando a diversidade como elemento constitutivo do processo educativo.

Palavras-chave: Autismo. TEA. Habilidades sociais. Inclusão escolar. Estratégias pedagógicas. Interação social.

1 INTRODUÇÃO

A escola é um dos principais espaços de desenvolvimento humano, não apenas por sua função de transmissão de conhecimentos acadêmicos, mas também por possibilitar experiências de convivência, comunicação, cooperação e participação social. Para estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), essa dimensão da escolarização assume importância particular, uma vez que as características do espectro podem envolver diferenças na comunicação e na interação social.

Isso não significa, entretanto, que estudantes autistas sejam incapazes de estabelecer vínculos, desenvolver amizades ou participar de atividades coletivas. Significa que alguns podem necessitar de diferentes formas de apoio, mediação e organização do ambiente para ampliar suas oportunidades de interação.

A educação inclusiva, nesse sentido, precisa ir além da matrícula. É necessário criar condições para que estudantes com e sem TEA aprendam juntos, participem das mesmas experiências e construam relações de respeito e colaboração.

A legislação brasileira estabelece o direito à educação inclusiva. A atual Política Nacional de Educação Especial Inclusiva, instituída pelo Decreto nº 12.686/2025, reafirma a garantia de acesso, permanência, participação e aprendizagem dos estudantes público da educação especial nas classes e escolas comuns, com os apoios necessários.

A literatura recente também demonstra que a inclusão de estudantes autistas na escola regular pode favorecer seu desenvolvimento social e cognitivo, desde que acompanhada de estratégias pedagógicas intencionais e formação adequada dos profissionais. Diante disso, surge uma questão fundamental: como a escola pode utilizar estratégias pedagógicas para favorecer o desenvolvimento das habilidades sociais de estudantes com TEA e, simultaneamente, promover sua integração com os demais alunos?

O objetivo deste artigo é discutir possibilidades pedagógicas para o desenvolvimento de habilidades sociais e para a construção de relações mais inclusivas entre alunos com e sem TEA.

2 AUTISMO, ESCOLA E DESENVOLVIMENTO SOCIAL

O Transtorno do Espectro Autista apresenta grande heterogeneidade. Não existe um único perfil de estudante autista, assim como não existe uma estratégia pedagógica universal que possa ser aplicada indistintamente a todos.

Alguns estudantes podem apresentar maior necessidade de apoio na comunicação; outros podem demonstrar dificuldades relacionadas à flexibilidade comportamental, interação social, autorregulação ou compreensão de determinadas situações sociais.

Essa diversidade precisa ser considerada pela escola.

Orrú (2016) defende uma perspectiva educacional que reconheça o estudante autista como sujeito capaz de aprender e participar de experiências sociais significativas. A autora questiona práticas que reduzem o indivíduo às suas dificuldades e enfatiza a importância de contextos educativos que valorizem suas potencialidades.

Nesse sentido, a escola precisa abandonar uma visão centrada exclusivamente no déficit.

O estudante autista não deve ser visto apenas como aquele que “não interage”, “não conversa”, “não brinca” ou “não acompanha” os demais.

É necessário investigar como ele se comunica, quais são seus interesses, quais situações favorecem sua participação e quais barreiras estão dificultando sua interação.

Essa mudança de perspectiva é fundamental para a construção de práticas pedagógicas inclusivas.

3 HABILIDADES SOCIAIS E EDUCAÇÃO

As habilidades sociais ocupam lugar importante no desenvolvimento infantil e na vida escolar.

Del Prette e Del Prette (1998) destacam que a escola constitui espaço privilegiado para o desenvolvimento interpessoal, uma vez que as experiências escolares envolvem constantemente relações entre alunos, professores e demais integrantes da comunidade.

Os autores discutem três dimensões fundamentais: as habilidades interpessoais do professor, as habilidades sociais dos estudantes e a relação dessas competências com os processos de ensino e aprendizagem.

As habilidades sociais podem envolver comportamentos como:

* iniciar e manter uma conversa;

* pedir ajuda;

* fazer pedidos;

* expressar sentimentos;

* compartilhar objetos;

* esperar a vez;

* cooperar;

* ouvir o outro;

* participar de brincadeiras;

* resolver conflitos;

* aceitar regras;

* fazer e manter amizades;

* demonstrar empatia;

* responder adequadamente a diferentes situações sociais.

No contexto escolar, essas competências não devem ser tratadas como aspectos secundários.

Aprender a conviver também faz parte da educação.

Del Prette e Del Prette (2008) desenvolveram um sistema de categorias de habilidades sociais educativas destinado a professores, pais e demais pessoas que atuam intencionalmente na promoção do desenvolvimento e da aprendizagem.

Isso significa que o professor não apenas ensina conteúdos curriculares.

Ele também organiza situações sociais.

A maneira como distribui os estudantes em grupos, conduz uma discussão, administra conflitos, estimula a cooperação e responde às diferenças influencia diretamente as relações estabelecidas na sala de aula.

4 O PROFESSOR COMO MEDIADOR DAS RELAÇÕES SOCIAIS

O professor possui papel fundamental na construção de um ambiente escolar favorável à inclusão.

Uma sala de aula pode ser organizada de modo a favorecer o isolamento ou, ao contrário, estimular a participação coletiva.

Quando as atividades são predominantemente individuais, as oportunidades de interação diminuem.

Quando o professor utiliza estratégias cooperativas, projetos coletivos, jogos e atividades em duplas ou pequenos grupos, cria situações concretas para o desenvolvimento das habilidades sociais.

Souza et al. (2022) demonstraram a importância das habilidades sociais educativas dos professores no contexto inclusivo. O estudo identificou que professores com repertório elaborado de habilidades sociais educativas utilizam estratégias que favorecem relações produtivas em sala de aula e contribuem para a inclusão.

Nesse sentido, o professor pode atuar como verdadeiro arquiteto das interações.

Ele organiza o espaço, seleciona as atividades, define agrupamentos, estabelece regras e cria oportunidades para que os estudantes aprendam uns com os outros.

5 A INCLUSÃO NÃO PODE SIGNIFICAR ISOLAMENTO

Um dos paradoxos da inclusão escolar ocorre quando o estudante autista está matriculado em uma classe regular, mas permanece socialmente isolado.

Ele pode estar sentado entre os colegas e, ainda assim, não participar das brincadeiras, conversas, trabalhos coletivos ou atividades recreativas.

Nesse caso, existe presença física, mas não necessariamente inclusão social.

Schmidt et al. (2016), ao analisarem a inclusão escolar e as práticas pedagógicas relacionadas ao autismo, destacam que a presença do aluno com TEA na classe comum demanda condições efetivas para sua participação e não apenas sua inserção formal no espaço escolar.

A questão central, portanto, não é simplesmente:

“O estudante autista está na sala?”

Mas:

“O estudante autista está participando da vida social da sala?”

Essa segunda pergunta é muito mais importante.

6 APRENDIZAGEM COOPERATIVA COMO ESTRATÉGIA DE INCLUSÃO

A aprendizagem cooperativa pode constituir uma importante estratégia para promover a integração entre estudantes com e sem TEA.

Em vez de organizar a turma exclusivamente a partir de atividades individuais, o professor pode desenvolver tarefas nas quais os estudantes dependam uns dos outros para alcançar determinado objetivo.

Por exemplo:

* produção coletiva de histórias;

* construção de cartazes;

* experimentos científicos;

* jogos educativos;

* projetos de pesquisa;

* atividades artísticas;

* produção de vídeos;

* construção de maquetes;

* trabalhos de leitura;

* desafios matemáticos em grupo.

A cooperação precisa ser planejada.

Não basta colocar estudantes em grupos.

É necessário definir funções e criar condições para que todos tenham uma participação significativa.

Um estudante pode desenhar; outro pode escrever; outro pode pesquisar; outro pode organizar materiais; outro pode apresentar.

Dessa forma, diferentes habilidades podem ser valorizadas.

O estudante autista não precisa necessariamente desempenhar a mesma função que os colegas.

O importante é que tenha uma função real dentro do grupo.

7 TUTORIA ENTRE PARES

Outra estratégia relevante é a tutoria entre pares.

Nessa proposta, estudantes da própria turma são orientados a auxiliar os colegas em determinadas atividades.

O objetivo não é transformar um aluno em “cuidador” do estudante autista.

A finalidade é criar relações de cooperação.

Um colega pode ajudar a explicar uma regra de jogo, acompanhar uma atividade, compartilhar materiais ou convidar o estudante autista para participar de uma brincadeira.

A interação entre pares possui uma vantagem importante: ela ocorre em uma relação horizontal.

Enquanto a mediação do adulto é necessária em muitas situações, a relação entre colegas pode favorecer experiências mais naturais de amizade e pertencimento.

A literatura sobre inclusão destaca a importância das relações entre professor, aluno e pares para favorecer a participação de estudantes com TEA. Revisões sistemáticas identificam a relação professor-aluno e professor-família, além da capacitação docente, entre estratégias relevantes para a inclusão.

8 JOGOS E BRINCADEIRAS COMO INSTRUMENTOS DE SOCIALIZAÇÃO

O jogo constitui importante instrumento pedagógico para o desenvolvimento de habilidades sociais.

Por meio de brincadeiras e jogos, as crianças aprendem a:

* esperar a vez;

* seguir regras;

* lidar com perdas;

* compartilhar;

* negociar;

* comunicar desejos;

* solucionar conflitos;

* reconhecer emoções;

* cooperar.

Chicon et al. (2019) discutem aspectos relacionais da criança com autismo em experiências de brincar e aprender, reforçando a importância das situações lúdicas para o desenvolvimento de relações sociais.

Portanto, a brincadeira não deve ser compreendida como simples intervalo entre atividades “importantes”.

Ela também é uma experiência educativa.

O professor pode organizar jogos cooperativos em que o objetivo não seja derrotar o colega, mas alcançar uma meta coletiva.

Essa escolha pode ser particularmente interessante para estudantes que apresentam dificuldades em situações competitivas.

9 RODAS DE CONVERSA E EDUCAÇÃO PARA A EMPATIA

As rodas de conversa podem ser utilizadas para desenvolver comunicação e compreensão das diferenças.

O professor pode propor temas como:

* amizade;

* respeito;

* diferenças;

* emoções;

* bullying;

* solidariedade;

* convivência;

* conflitos;

* inclusão.

É importante evitar que o estudante autista seja constantemente colocado como “exemplo” ou objeto de discussão.

A educação inclusiva não deve expor a criança.

Em vez disso, a diversidade deve ser abordada como característica de toda a turma.

Uma possibilidade é trabalhar histórias infantis que apresentem personagens com diferentes características, necessidades e formas de comunicação.

Assim, a turma aprende sobre diversidade sem transformar um colega específico em objeto de análise.

10 RECURSOS VISUAIS E ORGANIZAÇÃO DA ROTINA

Recursos visuais podem favorecer a compreensão das atividades e da rotina escolar.

Podem ser utilizados:

* quadros de rotina;

* imagens;

* cartões;

* pictogramas;

* sequências visuais;

* mapas de atividades;

* calendários;

* listas de tarefas.

Esses recursos podem beneficiar especificamente alguns estudantes autistas, mas também podem favorecer toda a turma.

Uma rotina visual, por exemplo, ajuda todos os estudantes a compreenderem a sequência das atividades.

Isso demonstra que estratégias inclusivas não necessariamente criam uma escola diferente para o estudante autista.

Muitas vezes, elas tornam a escola melhor para todos.

Pesquisas recentes sobre práticas docentes na inclusão de alunos com TEA destacam justamente a utilização de estratégias visuais e tecnológicas adaptadas, além da criação de ambientes acolhedores e seguros.

11 ENSINAR HABILIDADES SOCIAIS DE FORMA INTENCIONAL

Um erro frequente é imaginar que habilidades sociais se desenvolvem automaticamente apenas porque o estudante está convivendo com outras crianças.

Para alguns estudantes autistas, determinadas competências sociais podem precisar ser ensinadas de maneira explícita e sistemática.

O professor pode, por exemplo, ensinar como:

cumprimentar alguém: olhar ou orientar-se em direção à pessoa, dizer “oi” ou utilizar outra forma de comunicação adequada;

pedir ajuda: aproximar-se do professor, utilizar uma palavra, gesto, imagem ou dispositivo de comunicação;

entrar em uma brincadeira: observar o grupo, aproximar-se e perguntar ou sinalizar se pode participar;

esperar a vez: utilizar um marcador visual ou uma sequência de participantes;

resolver conflitos: identificar o problema, expressar o que aconteceu, ouvir o colega e buscar uma solução.

O ensino explícito não deve ser confundido com treinamento mecânico.

A finalidade é proporcionar instrumentos para que o estudante possa participar de situações reais.

12 HISTÓRIAS SOCIAIS E SITUAÇÕES COTIDIANAS

As histórias sociais constituem outro recurso que pode auxiliar determinados estudantes na compreensão de situações sociais.

O professor pode criar pequenas histórias ilustradas para explicar acontecimentos como:

* primeiro dia de aula;

* recreio;

* mudança de sala;

* festa escolar;

* visita pedagógica;

* ida à biblioteca;

* trabalho em grupo;

* participação em jogos;

* resolução de conflitos.

A estratégia pode ajudar o estudante a antecipar acontecimentos e compreender expectativas sociais.

Entretanto, deve-se evitar transformar toda situação social em um roteiro rígido.

A escola também precisa ensinar que as relações humanas são imprevisíveis.

O objetivo é aumentar a compreensão e a autonomia, não controlar todos os comportamentos.

13 O PAPEL DOS COLEGAS NA CONSTRUÇÃO DA INCLUSÃO

A inclusão não é responsabilidade exclusiva do professor.

Os colegas também participam da construção de um ambiente inclusivo.

Isso não significa atribuir às crianças a responsabilidade pela educação do estudante autista.

Significa ensinar valores e comportamentos de convivência.

A turma pode aprender que:

* cada pessoa possui características diferentes;

* algumas pessoas se comunicam de formas diferentes;

* algumas precisam de mais tempo;

* algumas preferem determinados estímulos;

* todos têm direito de participar;

* ninguém deve ser ridicularizado por ser diferente.

A educação para a diversidade deve envolver todos.

Sassaki (2010) defende uma perspectiva de inclusão social baseada na transformação da sociedade para que as pessoas com deficiência possam participar plenamente.

Aplicada à escola, essa concepção significa que não basta esperar que o estudante autista se adapte.

A própria comunidade escolar precisa se transformar.

14 O COMBATE AO BULLYING

A promoção das habilidades sociais também precisa estar associada à prevenção do bullying.

Estudantes autistas podem estar sujeitos a situações de exclusão, ridicularização ou isolamento justamente por apresentarem comportamentos percebidos pelos colegas como diferentes.

A escola precisa trabalhar preventivamente.

Não se deve esperar que ocorra uma situação de bullying para discutir respeito e diversidade.

Atividades de convivência podem ser desenvolvidas durante todo o ano letivo.

O professor pode criar campanhas, projetos, histórias, debates e atividades cooperativas que valorizem a diferença.

A inclusão precisa ser uma cultura escolar, e não uma atividade realizada apenas em datas comemorativas.

15 O PROFESSOR E AS HABILIDADES SOCIAIS EDUCATIVAS

O conceito de habilidades sociais educativas, desenvolvido por Del Prette e Del Prette, oferece contribuição importante para compreender o papel do professor.

Não basta que o docente domine determinado conteúdo.

Ele também precisa saber organizar relações.

Souza et al. (2022) identificaram que professores com repertório elaborado de habilidades sociais educativas tendem a utilizar estratégias facilitadoras da inclusão.

Nesse sentido, algumas competências docentes tornam-se especialmente importantes:

* comunicação clara;

* escuta;

* empatia;

* flexibilidade;

* capacidade de negociação;

* manejo de conflitos;

* reforço positivo;

* organização de atividades interativas;

* capacidade de incentivar a participação;

* respeito às diferenças.

O professor que sabe organizar relações favorece não apenas o estudante autista, mas toda a turma.

16 A FAMÍLIA COMO PARCEIRA

A participação da família também possui importância significativa.

Os familiares podem fornecer informações sobre interesses, formas de comunicação, preferências e situações que facilitam ou dificultam a participação do estudante.

Entretanto, essa relação precisa ocorrer sem culpabilização.

A família não deve ser vista como responsável por “ensinar o filho a se comportar” para que ele possa ser aceito pela escola.

O objetivo é construir parceria.

Estudos de revisão sobre inclusão de estudantes autistas apontam o envolvimento dos pais e a relação professor-família como elementos importantes no processo inclusivo. A escola pode realizar reuniões, registros compartilhados e momentos de diálogo com os responsáveis.

O conhecimento produzido pela família deve ser incorporado ao planejamento pedagógico, respeitando-se os limites e responsabilidades de cada área.

17 A ESCOLA COMO ESPAÇO DE DESENVOLVIMENTO PARA TODOS

É importante superar a ideia de que as estratégias utilizadas com estudantes autistas beneficiam apenas esse grupo.

Muitas práticas inclusivas beneficiam todos os estudantes.

Uma rotina visual pode ajudar uma criança com TEA e também uma criança com dificuldades de organização.

Uma atividade cooperativa pode favorecer um estudante autista e também desenvolver liderança, comunicação e empatia nos demais.

Um jogo de regras pode contribuir para a socialização de um estudante autista e, simultaneamente, desenvolver autorregulação em toda a turma.

A inclusão, portanto, não deve ser compreendida como adaptação da escola para uma minoria.

Ela pode representar uma oportunidade de transformar a escola em um espaço mais acessível e humano.

18 A IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO CONTINUADA

A formação docente é um dos elementos mais recorrentes na literatura sobre inclusão de estudantes com TEA.

Melo, Fernandes e Ferreira (2024), em revisão sistemática da literatura sobre experiências de inclusão, identificaram três grandes eixos: formação docente, estratégias didático-pedagógicas e experiências de escolarização. Os autores concluíram que a aprendizagem de estudantes com TEA na rede regular pode potencializar o desenvolvimento social e cognitivo, enquanto a formação docente favorece ações pedagógicas mais intencionais.

Lopes e Telaska (2022), em revisão sistemática de estudos brasileiros, também identificaram a capacitação dos professores, o envolvimento dos pais e a relação professor-aluno e professor-família entre as estratégias relevantes para melhorar a inclusão.

A formação continuada deve, portanto, abordar não apenas conceitos sobre autismo, mas situações concretas da prática escolar.

O professor precisa aprender a planejar experiências sociais.

Precisa aprender a observar.

Precisa aprender a identificar barreiras.

Precisa aprender a adaptar estratégias.

E, sobretudo, precisa aprender a acreditar que o estudante autista é capaz de aprender e participar.

19 UMA PROPOSTA DE ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS

A escola pode organizar um conjunto de ações permanentes para favorecer a integração entre estudantes com e sem TEA:

•Estratégia: Jogos cooperativos

•Objetivo: Desenvolver cooperação e comunicação

•Estratégia:Tutoria entre pares •Objetivo:Favorecer interação entre colegas

• Estratégia:Trabalhos em pequenos grupos

•Objetivo:Criar oportunidades de participação

•Estratégia:

Rodas de conversa •Objetivo:Desenvolver comunicação e escuta

•Estratégia:Histórias sociais •Objetivo:Trabalhar situações sociais específicas

•Estratégia:Rotinas visuais •Objetivo:Aumentar previsibilidade e autonomia

•Estratégia:Projetos coletivos •Objetivo:Promover pertencimento

•Estratégia:

Brincadeiras dirigidas •Objetivo:Estimular interação

•Estratégia:Atividades artísticas •Objetivo:Ampliar formas de expressão

•Estratégia:Mediação de conflitos •Objetivo:Ensinar resolução de problemas

•Estratégia: Ensino explícito de habilidades sociais

•Objetivo:Desenvolver repertórios específicos

•Estratégia: Educação para diversidade •Objetivo:Combater preconceito e bullying

O mais importante é que essas estratégias não sejam utilizadas de maneira isolada.

Elas devem fazer parte de um planejamento pedagógico contínuo.

20 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O desenvolvimento de habilidades sociais de estudantes com Transtorno do Espectro Autista constitui uma dimensão importante da educação inclusiva.

A escola não deve limitar sua função à transmissão de conteúdos acadêmicos. Ela também é espaço de convivência, construção de vínculos, desenvolvimento da autonomia e preparação para a participação social.

Entretanto, não basta colocar o estudante autista em uma sala regular e esperar que a interação aconteça espontaneamente.

É necessário criar oportunidades.

É necessário planejar.

É necessário ensinar.

É necessário mediar.

É necessário envolver os colegas.

É necessário formar professores.

As contribuições de Del Prette e Del Prette demonstram a importância das habilidades sociais e das habilidades sociais educativas no contexto escolar. Mantoan contribui para compreender a inclusão como transformação da própria escola. Orrú destaca a necessidade de reconhecer o estudante autista como sujeito de aprendizagem. Sassaki amplia a compreensão da inclusão como transformação das estruturas sociais. Pesquisas recentes reforçam que estratégias pedagógicas intencionais, formação docente e ambientes acolhedores são elementos fundamentais para a escolarização inclusiva de estudantes com TEA.

Nesse processo, estratégias como aprendizagem cooperativa, tutoria entre pares, jogos, brincadeiras, rodas de conversa, histórias sociais, recursos visuais e projetos coletivos podem favorecer experiências concretas de interação.

Contudo, é fundamental compreender que nenhuma estratégia deve ser aplicada de maneira padronizada.

Cada estudante possui características, interesses, necessidades e potencialidades próprias.

Portanto, o planejamento precisa ser individualizado sem ser segregador.

A inclusão deve aproximar, e não separar.

Deve construir pontes, e não criar novas barreiras.

Deve permitir que estudantes com e sem TEA aprendam não apenas conteúdos escolares, mas também valores fundamentais para a vida em sociedade.

Em última análise, uma escola verdadeiramente inclusiva é aquela em que a diferença deixa de ser percebida como problema e passa a ser reconhecida como parte da própria condição humana.

Quando a escola cria oportunidades para que crianças diferentes aprendam juntas, ela não está apenas incluindo o estudante autista.

Está ensinando todos os seus estudantes a viver em uma sociedade plural.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Presidência da República, 1996.

BRASIL. Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Brasília, DF: Presidência da República, 2012.

BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Brasília, DF: Presidência da República, 2015.

BRASIL. Decreto nº 12.686, de 20 de outubro de 2025. Institui a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva e a Rede Nacional de Educação Especial Inclusiva. Brasília, DF: Presidência da República, 2025.

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CHICON, José Francisco et al. Brincando e aprendendo: aspectos relacionais da criança com autismo. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 41, n. 2, p. 169-175, 2019.

DEL PRETTE, Almir; DEL PRETTE, Zilda Aparecida Pereira. Desenvolvimento interpessoal e educação escolar: o enfoque das habilidades sociais. Temas em Psicologia, v. 6, n. 3, p. 217-229, 1998.

DEL PRETTE, Zilda Aparecida Pereira; DEL PRETTE, Almir. Um sistema de categorias de habilidades sociais educativas. Paidéia, Ribeirão Preto, v. 18, n. 41, p. 517-530, 2008. DOI: 10.1590/S0103-863X2008000300008.

DEL PRETTE, Almir; DEL PRETTE, Zilda Aparecida Pereira. Psicologia das habilidades sociais na infância: teoria e prática. 6. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.

DEL PRETTE, Almir; DEL PRETTE, Zilda Aparecida Pereira. Competência social e habilidades sociais: manual teórico-prático. Petrópolis, RJ: Vozes, 2017.

FORNAZARI, Silvia Aparecida et al. Programa informatizado para capacitar professores em habilidades sociais: contribuições para a inclusão. Psicologia da Educação, n. 38, p. 17-34, 2014.

LOPES, Daniele Ardigo; TELASKA, Tatiele dos Santos. Inclusão de crianças com transtorno do espectro autista: revisão sistemática da literatura. Revista Psicopedagogia, São Paulo, v. 39, n. 120, p. 425-434, 2022. DOI: 10.51207/2179-4057.20220040.

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? por quê? como fazer? São Paulo: Moderna, 2003.

MELO, Sandra Cordeiro de; FERNANDES, Jéssica Cristina Mascarenhas; FERREIRA, Adriana Teixeira. Autismo e educação: uma revisão da literatura sobre experiências de inclusão. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, v. 19, 2024. DOI: 10.21723/riaee.v19i00.18360.

ORRÚ, Sílvia Ester. Aprendizes com autismo: aprendizagem por eixos de interesse em espaços não excludentes. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016.

SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro: WVA, 2010.

SCHMIDT, Carlo et al. Inclusão escolar e autismo: uma análise da percepção docente e práticas pedagógicas. Psicologia: Teoria e Prática, v. 18, n. 1, p. 222-235, 2016. DOI: 10.5935/1980-6906/psicologia.v18n1p222-235.

SOUZA, Iriene Ferraz de et al. Habilidades sociais educativas de professores de alunos público-alvo da educação especial. Interação em Psicologia, v. 26, n. 2, 2022. DOI: 10.5380/riep.v26i2.76622.

Thoughts

  • fribeiro71

    Tirar a derrota do jogo pra proteger quem sofre com competição resolve o sintoma e adia o problema. Eu aprendi a perder perdendo, com alguém do lado. Por que não mediar a derrota em vez de tirá-la?

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  • flima82

    A família entra no artigo só como quem fornece informação. Quem já ouviu na porta da escola que o filho não acompanha chega bem antes disso.

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  • emailSemLer

    Quatro leis, mesma sala.

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  • dividendoMagro

    O artigo cita o decreto de outubro de 2025 e nenhuma contagem de professores da rede regular formados em TEA. Quantos, e em que ano?

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  • dedeco

    Rain Man, 1988, ainda é o que meia sala pensa quando ouve a palavra autismo, e o artigo gasta vinte seções desmontando esse retrato. Eu fico com a parte mais modesta: ensinar a pedir ajuda e a esperar a vez.

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  • dsiqueira67

    Não transformar o menino autista em exemplo pra turma discutir é a parte que eu assino embaixo, meu bem. Na minha casa ninguém senta pra explicar quem acredita em quê, a mesa junta todo mundo e é comendo que se aprende a conviver. Escola devia funcionar mais como mesa e menos como palestra.

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  • largoECalcada

    Conheço a versão adulta da presença física sem participação: gente que entra numa sala pública todos os dias, senta-se no mesmo lugar e sai sem uma palavra. Depois dos dezoito, ninguém desenha o grupo por nós.

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  • Ovid

    A distinção entre estar sentado na sala e participar da vida da sala me fez pensar em como isso vale pra qualquer grupo, inclusive os grupos aqui na plataforma: tem gente inscrita em dez e falando em nenhum. Aposto que a tutoria entre pares é a parte que mais funciona, porque não depende de um adulto. Valeu por publicar o texto completo aqui!

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  • cita_a_fonte

    A tese de que a matrícula não basta já estava na Declaração de Salamanca, em 1994, quase palavra por palavra. Três décadas depois um artigo brasileiro volta a concluí-la com autores novos. Para mim o diagnóstico está feito há muito; o que falta estudar é por que razão as escolas não o aplicam.

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