No meu aniversário nunca fui das comemorações, sempre fui das reflexões. E assim insisto… Há várias décadas por aqui e ainda tentando juntar os pedaços que me faltam. Mas sigo muito grata em ter aprendido a andar mesmo com tantas partes que me faltam.
Sigo caminhando e sendo oposição…
Eu escrevo à mão, enquanto aspiram um iPhone. Eu não trato e não modifico minhas fotos, enquanto engolem a IA.
Eu me contento com o meu SUV velho e com a minha moto barulhenta, enquanto se matam pelo vil metal.
Eu não tenho plásticos para preencher as rugas. Gosto mesmo é das marcas.
Eu me retiro quando eles se juntam. Eu saio quando eles chegam.
Eu desço enquanto eles sobem. Eu piso na grama enquanto eles estão nos elevadores.
Eu encho meu copo enquanto eles malham. Eu malho enquanto eles se distraem.
Eu durmo enquanto eles trabalham. Eu bordo enquanto eles rolam a tela.
Eu sento à sombra da árvore, enquanto existe árvore. Eu beijo meus bichos.
Eu não gosto de ar condicionado, eu gosto de chuva.
Eu tenho conversas cósmicas com meus antepassados, porque já tenho muito mais gente do lado de lá.
Eu fico quieta, lambendo minha própria ferida. Meu analista garante que não sou louca, mas também não afirma que sou normal.
Eu ouço meu rock antigo. Eu cultivo minhas ervas.
O dinheiro que tenho no banco não realiza nem um terço dos meus sonhos. Aliás, dependendo de quem somos, não se pode sonhar. Então, só me resta ser quem eu posso ser. Portanto, não sonho! Eu vivo atenta e forte, sem tempo para temer a morte.
Eu estou na contramão e sigo orgulhosa em atrapalhar o trânsito.