Você tem mais textos como esse publicados por aqui?
Aquela mulher, minha doença
Pensamento
Você tem mais textos como esse publicados por aqui?
Conteúdo da publicação
Quando ainda bem jovem me disseram: “um dia você vai conhecer uma mulher por quem você vai fazer coisa que nem sabia que era capaz”. Veio de um cara vivido, mas de quem não esperava ouvir isso. Ele se manteve sentado, levando o cigarro novamente à boca.
Miltinho, você tinha razão: não damos conselhos, contamos nossas vivências. Seu olhar direcionado à sua mesa de trabalho, sem me olhar nos olhos, demonstrava um certo ar de que “eu já passei por isso”, e é assim que a vida funciona, afinal.
Alguns anos se passaram, e o oráculo se cumpriu. Não, não foi praga rogada, foi a vida acontecendo. E a vida acontece uma única vez. Ah, e os intensos? Os intensos são bobos, perto de um homem que segue os passos da bailarina sonsa e evanescente. Intensidade é fichinha.
Ela me fez acreditar que eu saberia dançar, um dia; ela me fez acreditar que minha voz fosse boa, para cantar; ela me fez sentir força nos ombros. Aprendi a cozinhar por conta dela, aprendi a vencer o medo de puxar pelos braços e pedir um beijo. Ela me fez perder o medo do “não”.
A bailarina sonsa deu lugar a uma perversa dominadora. Ela me fez confiar que eu poderia mais uma; conheci novas posições. Descobri que o carro não é tão espaçoso quanto imaginava, e que os vidros embaçam, de fato.
Bailarina e perversa aos poucos sumiram.
E eu percebi que não sei dançar, não sei cantar. Porém meus ombros permaneceram fortes, revesti-me de coragem diante da vida.
Um processo tardio, e ao mesmo tempo no momento adequado.
E hoje, 15 anos depois, sou o homem a dizer ao garoto, num intervalo de aula: “você diz isso, mas um dia vai conhecer uma mulher que vai mostrar o quanto você ainda precisa aprender. E você vai gostar”.
A bailarina, hoje, é uma saudosa lembrança. E só isso.
Thoughts
-
PermalinkVocê tem mais textos como esse publicados por aqui?
-
PermalinkPesado.
-
PermalinkA parte que ela some e você descobre que ainda tá de pé, isso é grande demais pra processar de repente. Lê de novo e fica diferente.
-
PermalinkParece que você passou a entender o que aquele cara vivido tentava dizer. Não é conselhos, é saber que a gente carrega as pessoas pra sempre.
-
PermalinkEssa história vai ter continuação?
-
PermalinkEntendo essa dança que você tá descrevendo. Não é nunca só sobre aprender os passos. É sobre ficar marcado nos ombros de uma forma que você não tira mais.
-
PermalinkEssa coisa de não saber que você precisa aprender até alguém chegar e mostrar... é a verdade que ninguém diz. Mas depois fica.
Publicações relacionadas
-
Reflexão;Estou faltando comigo,Estou faltando no tempo
Uma medida por uma medida
-
Eu ainda estou aqui
Eu ainda estou aqui
-
João
As pequenas gotículas flutuam no ar
-
A Transição
Uma breve história da minha vida, e a transição
-
Eu tenho raiva de mim
Eu tenho raiva de mim.
-
Amor 4
Me sinto fora do padrão
-
A sequência da minha história
A sequência da minha história. A sequência da introdução que eu fiz ontem, a partir de agora os textos ficarão maiores e mais detalhados, mais crus e mais reais porque eu lembro de tudo como se fosse ontem, daqui dois textos vou falar com vocês sobre como foi ir para outro Estado e vou ter que usar outro Estado como base porque o que eu realmente fui é minúsculo apesar de ser turístico, não sou famoso e muito menos vou ser porém prefiro evitar possibilidade de problema contando o que aconteceu.
-
Relacionamento tóxico
Eu era adolescente e ingênuo quando meus amigos me apresentaram a você. Tudo era lindo e fácil. Nos relacionávamos nos finais de semana, apenas em festas. Às vezes, em uma tarde qualquer, só para…
Quando ainda bem jovem me disseram: “um dia você vai conhecer uma mulher por quem você vai fazer coisa que nem sabia que era capaz”. Veio de um cara vivido, mas de quem não esperava ouvir isso. Ele…