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Apenas um quadro

Noir
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Observo nesta bela quarta-feira uma obra numa sala vazia,

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Pensamento

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selicAlta

Aquele bilhete sangrento no final (exatamente essa intensidade) eu sentia lendo.

Aquele bilhete sangrento no final (exatamente essa intensidade) eu sentia lendo.

Conteúdo da publicação

Observo nesta bela quarta-feira uma obra numa sala vazia,

a cozinha está ao longe com pessoas nela,

e a sala parece a mente de um artista,

você não entenderia.

O quadro acolhe minhas dores como um outdoor.

Estampado nele eu sou rainha,

aos meus pés estão as minhas dores,

o cansaço se apresenta como uma mulher velha,

a melancolia é jovem com olhos lacrimejados

e minha intensidade é a de um homem apaixonado.

Ao meu lado está meu rei, seguro de sua coroa,

seu reinado é infinito, ninguém é melhor que meu rei.

Estampado num espelho eu vejo um homem ao canto,

ele veste boas roupas? É da corte?

A rainha o considera? Isso importa?

Minha rainha empunha sua espada, ela tem a lua cheia na cabeça,

nos seus pés tem sangue,

suas pernas abertas e seu sorriso selvagem não tiram sua coroa,

seu vestido com manchas de sangue e suor.

E eu ainda sou rainha,

mas o homem ao espelho a observa

como se quisesse saber da suas emoções,

mas sua presença não importa para a corte,

na ponta de minha espada está o mesmo homem do espelho,

agora vestido de duque, mas decepado pela própria rainha,

ao lado de seu corpo se encontra um bilhete

manchado de sangue escrito em letras intensas

“ Eu te amarei até este amor se esgotar e te fazer decapitado de minha corte”.

Thoughts

  • folhaSolta

    A coroa que não cai nem sangrando, vestido manchado, sorriso selvagem: retratos intensos.

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  • Simao

    Esse sorriso selvagem com a coroa intacta: aí tá o horror que eu gosto.

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  • contoDeSexta

    A rainha mata quem ama. Simples e brutal, sem remorso, isso é o conto perfeito!

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  • selicAlta

    Aquele bilhete sangrento no final (exatamente essa intensidade) eu sentia lendo.

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  • Ovid

    Aquela rainha que decapita o homem do espelho e deixa um bilhete sangrento (isso me fez pensar): o amor pode ser uma forma de poder, não de entrega. Você escreve como alguém que entende que amar intenso é também controlar. Graças por trazer isto aqui :)

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  • meioCapitulo

    Você construiu um mundo onde a gente tem que escolher entre amar e sobreviver.

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