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Pensamento

Pensamento

cadernoPreto

A mulher que manda o Nico parar parece a única ali que já viu alguém pagar por falar. Pede cuidado como quem perdeu gente por menos.

A mulher que manda o Nico parar parece a única ali que já viu alguém pagar por falar. Pede cuidado como quem perdeu gente por menos.

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Capitulo 15 - Parafuso Solto

O cano de vapor acima do beliche soltava um chiado que vinha e ia, vinha e ia, como se o próprio metal não conseguisse decidir se aquilo era ruído ou respiração.

Adrian estava deitado de costas, os olhos abertos no escuro, a moeda de Marco fechada na mão.

Dois beliches acima dele, alguém roncava. No de baixo, do lado de Joseph, nada. Denver estava virado para a parede, uma das botas ainda calçada. Magma dormia com um braço pendurado para fora do colchão, enquanto o ronco de outro homem atravessava o alojamento em intervalos irregulares.

A forja não parava.

Durante o dia, o ruído se misturava às vozes, ao movimento e ao choque de ferramentas. Àquela hora, restava um ritmo baixo que atravessava as paredes e subia pela estrutura do beliche.

Boom. Pausa. Boom.

Adrian tentou dormir três vezes.

Não era o barulho que o impedia. Era o espaço de silêncio entre um pensamento e o próximo, onde Marco aparecia - não como imagem, só como ausência de alguma coisa que antes estava lá. Como um dente arrancado que a língua procura sem querer.

Virou de lado.

Boom. Pausa. Boom.

Adrian fechou os olhos e começou a contar os intervalos entre as batidas. Três segundos. Quatro. Três.

Por alguns instantes, aquilo foi suficiente.

Então perdeu a contagem.

Abriu os olhos. O teto do beliche estava a alguns centímetros de seu rosto. Havia uma rachadura fina na madeira e um acúmulo de fuligem na borda, escuro como carvão.

A regra era simples: nenhum recruta saía do alojamento depois do recolher sem autorização. Adrian conhecia as regras. Tinha aprendido cedo que, para um Engraxado, obedecer costumava ser menos perigoso do que perguntar por quê.

Ficou sentado na beirada do beliche, a moeda apertada entre os dedos e decidiu que regras não fariam ele dormir em paz.

Pegou as botas e decidiu sair, tentando encontrar lugares para pisar que não fizessem tanto barulho, e alguma abertura nas paredes mal parafusadas para não precisar ir pela porta da frente.

A luz amarelada e fraca, fazia um encaixe perfeito com Adrian, que naquele momento só queria passar despercebido. O corredor cheirava a graxa quente, carvão e suor antigo. Tubulações expostas acompanhavam o teto, algumas envoltas em tiras de tecido escurecido. De uma das juntas, o vapor escapava em pequenos jatos que deixavam a parede úmida.

Dois trabalhadores vinham na direção contrária. O mais velho carregava uma caixa de ferramentas presa por uma alça de couro; o mais novo mantinha as mãos envoltas em panos grossos, manchados de óleo. Passaram sem olhar para Adrian.

Mais adiante, um deles parou diante de uma tubulação e bateu duas vezes no metal. Esperou. Bateu de novo, com mais força. O som mudou. O homem resmungou, retirou do bolso uma chave curta e começou a apertar uma peça que parecia ter sido substituída por outra de tamanho errado.

Adrian continuou.

A Fornalha Leste não era diferente do lugar onde crescera. Era feita do mesmo material, obedecia à mesma lógica e mantinha as mesmas pessoas trabalhando até o corpo ceder. A diferença estava nos acabamentos - ou na falta deles. Ali, canos e cabos corriam à vista, paredes descascadas revelavam camadas antigas de tinta, e as lâmpadas pareciam ter sido instaladas em qualquer lugar onde alguém conseguisse fazê-las funcionar.

Um homem passou empurrando um carrinho com duas rodas de tamanhos diferentes. A carga balançava a cada irregularidade do piso. Ao chegar a uma curva, ele precisou levantar uma das extremidades para impedir que o carrinho tombasse.

Ninguém se ofereceu para ajudar. Ninguém pareceu achar estranho. Ninguém na verdade se importava.

Uma mulher vendia comida em uma bandeja presa por um cordão ao pescoço, protegida por um pano que já perdera a cor original. Três trabalhadores esperavam diante dela. Um deles já transferindo 5 horas de relógio por um ensopado de batatas.

Adrian passou sem parar. O cheiro da comida - gordura aquecida, massa e alguma coisa amarga - acompanhou-o por alguns metros.

Mais à frente, o corredor se alargava perto de uma oficina. Uma porta estava escorada por uma peça de metal, e a luz de dentro iluminava um chão coberto de limalha. Dois homens discutiam sobre uma máquina desmontada. Um deles segurava uma peça rachada; o outro apontava para uma fileira de engrenagens sobre a bancada.

- Eu disse que isso não aguentava mais um turno.

- E eu disse que não tem outra.

- Então espera ela estourar com alguém do lado.

O primeiro homem largou a peça sobre a bancada e saiu. O outro permaneceu parado, olhando para as engrenagens.

Adrian diminuiu o passo.

Na ala de onde viera, a precariedade também existia. Ele conhecia ferramentas improvisadas, roupas remendadas e máquinas mantidas em funcionamento muito além do que deveriam suportar. Mas ali tudo parecia exposto, sem a tentativa de esconder o desgaste atrás de uma pintura nova ou de uma ordem pendurada na parede.

Não era um lugar pior. Era um lugar mais honesto sobre o que era.

Virou à esquerda, seguindo o corredor até uma área onde várias passagens se encontravam. Havia mais gente ali. Alguns voltavam do trabalho; outros se preparavam para sair. Um grupo dividia uma garrafa junto a uma parede, enquanto uma mulher tentava remendar a alça de uma bolsa com um pedaço de arame.

Foi então que ouviu uma voz.

- ...e quando a máquina quebra, a culpa é de quem estava operando. Quando falta material, a culpa é de quem não produziu o suficiente. Quando alguém perde tempo, dizem que foi porque não soube trabalhar.

Adrian parou.

A voz vinha de uma pequena área entre duas oficinas. Um homem de rosto estreito e barba grisalha falava diante de seis pessoas. Não havia cartaz, bandeira ou qualquer sinal de organização. Parecia que tinham parado ali por acaso, embora ninguém estivesse indo embora.

O homem usava um casaco de trabalho remendado no cotovelo. Uma das mangas estava enrolada até o antebraço, revelando uma queimadura antiga que se estendia até perto do pulso.

- Mas ninguém pergunta por que as máquinas continuam quebrando - prosseguiu. - Ninguém pergunta por que falta material. Isso não aparece nos relatórios. Só aparece o nome de quem estava no turno quando tudo deu errado.

Uma mulher de cabelo preso olhou para a passagem atrás dele. Um homem mais jovem, com as mãos enegrecidas de fuligem, manteve os braços cruzados. Outro escutava com a cabeça baixa, esfregando o polegar contra a unha.

- Falar é fácil - disse o mais jovem. - Amanhã você volta para o mesmo turno que nós.

- Eu sei onde vou estar amanhã.

- Então sabe que não muda nada.

O homem de casaco não respondeu de imediato. Olhou para os seis rostos diante dele, como se procurasse alguém que ainda não tivesse desistido de ouvi-lo.

- É isso que eles querem que você pense.

A mulher de cabelo preso soltou um suspiro curto.

- Cuidado com o que fala.

- Cuidado com o que fala, cuidado com o que faz, cuidado com o que olha... - O homem abriu as mãos. - A gente passa a vida tomando cuidado. E, mesmo assim, o tempo continua acabando.

Adrian sentiu os dedos se fecharem em torno da moeda no bolso.

- O Conselho chama isso de ordem - continuou o homem. - Diz que cada um tem seu lugar, que as regras mantêm a cidade de pé. Mas quem decide as regras não trabalha aqui. Não respira essa fumaça. Não precisa escolher entre comer hoje e guardar grifos para amanhã.

- E você quer que a gente faça o quê? - perguntou o homem mais jovem.

- Quero que pare de achar que isso é natural.

Por um instante, ninguém respondeu.

Um ruído de metal veio de dentro da oficina. Uma das seis pessoas virou a cabeça para olhar. Outra recuou um passo, como se tivesse acabado de perceber onde estava e com quem poderia ser vista.

O homem de casaco continuou, agora mais baixo:

- Eles penduram cartazes dizendo que a cidade precisa de nós. Que cada hora trabalhada mantém Nova Arcádia viva. Mas, quando é a nossa vez de precisar de alguma coisa, sempre dizem que não há recursos.

- Chega. - murmurou a mulher.

Não parecia uma ordem. Parecia medo.

O homem olhou para ela e, por um momento, a raiva em seu rosto deu lugar ao cansaço.

- É, Chega.

Ninguém aplaudiu. Ninguém respondeu. O grupo começou a se desfazer sem combinar nada. O homem mais jovem saiu primeiro. A mulher puxou o casaco para junto do corpo e seguiu na direção oposta. Os outros se dispersaram em silêncio.

O homem de barba grisalha permaneceu onde estava, olhando para o chão.

Adrian continuou andando.

Não sabia se concordava com tudo o que ouvira. Algumas coisas lhe pareciam óbvias; outras, simplificadas demais. Mas conhecia o peso de uma regra que ninguém podia questionar e de uma decisão tomada por pessoas que jamais precisariam sofrer suas consequências.

A moeda roçou sua coxa dentro do bolso.

Ele seguiu por um corredor mais estreito, onde o barulho da forja diminuía e as conversas se tornavam menos frequentes. As lâmpadas estavam mais distantes umas das outras. Em alguns trechos, a iluminação vinha apenas de portas entreabertas.

Dois homens estavam encostados junto a uma parede, conversando. Um deles olhou para Adrian e interrompeu a frase no meio. O outro acompanhou seu olhar.

Adrian percebeu, mas não parou.

Mais adiante, três pessoas ocupavam a entrada de uma passagem lateral. Uma delas tinha um pano escuro amarrado ao redor da cabeça. As outras duas estavam sentadas sobre caixas de madeira, dividindo alguma coisa embrulhada em papel.

Quando Adrian se aproximou, o homem de cabeça coberta levantou os olhos.

O olhar desceu até o uniforme, demorou-se no equipamento e voltou ao rosto de Adrian.

- Âncora - disse, sem elevar a voz.

Uma das pessoas sentadas virou a cabeça.

Adrian continuou andando.

- Olha só - disse o outro homem. - Um deles resolveu passear.

Não houve risada. Só um silêncio curto, atento demais para ser casual.

Adrian sentiu a tensão antes de conseguir identificar sua origem. Não era uma ameaça explícita. Era a maneira como os três passaram a ocupar a passagem, como se estivessem decidindo se ele deveria continuar.

Ele poderia ter voltado. Poderia ter perguntado o que queriam. Em vez disso, manteve o passo, sem acelerar nem encará-los por tempo demais.

O homem de cabeça coberta se levantou.

- Você desceu mesmo?

Adrian não respondeu.

- Estou falando com você.

Ele estava a poucos passos da passagem quando uma mão agarrou seu braço e o puxou para o lado.

Adrian reagiu por instinto, girando o corpo e tentando se soltar. Bateu o ombro contra a parede de um beco estreito. Antes que pudesse empurrar quem o segurava, uma voz conhecida sussurrou:

- Fica quieto, porra.

Joseph.

Adrian parou de se debater.

Joseph o soltou, mas permaneceu entre ele e a entrada do beco. A luz do corredor mal alcançava seu rosto. Ele olhou para a passagem, depois para Adrian, com uma expressão que misturava irritação e incredulidade.

- Você é doido ou burro?

Adrian puxou o braço para perto do corpo.

- Que diabos você está fazendo?

- Tentando impedir que você faça uma estupidez maior do que a que já fez.

- Eu só estava andando, é proibido isso por acaso?.

- Proibido? Não, mas com certeza é um problema.

Joseph espiou pela lateral do beco. Os três homens continuavam junto à passagem. O que se levantara ainda olhava na direção em que Adrian desaparecera, mas não parecia disposto a procurar muito.

Joseph esperou alguns segundos antes de se afastar da entrada.

- Você conhece aquela gente? - perguntou Adrian.

- Não preciso conhecer cada um deles para saber o que podem fazer.

- O que poderiam fazer?

Joseph olhou para ele de forma impaciente.

- Você acabou de ouvir o sujeito perguntando se você desceu. Não percebeu como eles olharam para o seu uniforme?

- Percebi.

- E continuou andando.

- Não vou me intimidar com qualquer coisa, ou qualquer um.

Joseph passou a mão pelo rosto e soltou o ar pelo nariz.

- Escuta. Tem gente nesta parte da Fornalha que não suporta os Âncoras. Não por causa da farda ou porque vocês recebem equipamento melhor. É por causa da superfície.

- O que tem a superfície?

- Para eles, nenhum ser humano devia pisar lá. É uma blasfêmia. Uma coisa que não devia ser feita. - Joseph fez uma pausa, procurando as palavras. - Olha... tem gente que acha que nós estamos desafiando alguma coisa que deveria ficar intocada, algo diabólico, essas coisas assim. Outros acham que somos os cães do Conselho. Às vezes, as duas coisas.

Adrian franziu a testa.

- E isso dá a eles o direito de tentar me atacar?

- Direito? - Joseph soltou uma risada curta, sem humor. - Idiota, você acha que alguém vai pedir autorização? Falando assim até se parece com um civil.

Do outro lado do corredor, ouviu-se uma gargalhada. Os três homens tinham voltado à conversa, embora um deles ainda olhasse ocasionalmente para o beco.

Joseph esperou até que o ruído das vozes se misturasse novamente ao barulho das máquinas.

- Você não conhece essa ala e resolve sair por aí como se estivesse fazendo turismo. Queria o quê? Levar uma surra? Perder tempo do Relógio?

Adrian olhou para o próprio pulso.

O Relógio estava ali, preso à pele, o metal gasto pela rotina e pelo tempo. Ele o carregava havia anos. Raramente precisava pensar nele para lembrar que existia.

- É. Não pensei nisso. - Adrian continuou olhando para o Relógio.

- É... deu pra notar mesmo, gênio. - Joseph deu mais uma olhada para o corredor.

Joseph tinha razão sobre uma coisa: ele não conhecia a região. E não havia pensado no uniforme como algo que pudesse torná-lo um alvo até ouvir o homem chamá-lo de blasfêmia sem sequer vê-lo de perto.

- Por que você está aqui? - perguntou Adrian. - Estava me seguindo?

- Vi você saindo do alojamento. Achei que fosse dar uma volta e voltar. Quando percebi que estava indo para esse lado, resolvi ver até onde ia sua falta de juízo.

- Você podia ter me chamado.

- Não sou tua mãe, mas também não ia deixar você se lascar sem nem saber como as coisas funcionam aqui.

- Valeu, mas e agora? - Adrian disse já mais calmo.

- Agora? agora a gente espera.

Por alguns segundos, os dois ficaram em silêncio. O beco era estreito demais para que permanecessem lado a lado sem encostar nos tijolos úmidos. Um cano passava acima deles, e uma gota de condensação caiu sobre o ombro de Adrian.

Ele limpou a água com a mão.

- E todo mundo aqui pensa igual esses caras?

- Não. - Joseph respondeu sem hesitar. - Mas você não precisa de todo mundo contra você. Basta encontrar os errados.

A resposta ficou entre eles.

Adrian pensou no homem que discursava contra o Conselho. Na maneira como as seis pessoas haviam se dispersado quando a conversa se tornou perigosa. Na mulher que pedira cuidado, como se até falar fosse um risco que pudesse custar alguma coisa.

- E o homem que estava falando do Conselho? - perguntou. - Ele também corre esse risco?

Joseph estreitou os olhos.

- Que homem?

- Um sujeito de casaco remendado. Estava falando sobre as regras, o Relógio, o Conselho. Tinha umas seis pessoas ouvindo.

Joseph olhou novamente para a saída do beco.

- Sei quem é. O Nico. Dizem que faltam alguns parafusos nele.

- Igual a todas as paredes e equipamentos dessa ala. - Disse Adrian olhando para o telhado.

- Você tem um humor interessante até.

- Mas você concorda com o que ele diz? - Adrian encarou Joseph por alguns segundos. - Sobre o conselho, o relógio, as regras.

Joseph ficou quieto por um momento. Ele pareceu avaliar Adrian, como se tentasse descobrir se aquilo era curiosidade ou se o rapaz estava procurando alguma coisa para acreditar.

- Não muda nada eu acreditar ou não no que o Nico fala por aí. E você não precisa sair procurando problemas. Às vezes, eles encontram você.

- Isso é um conselho?

- É o que você vai receber de graça esta noite.

Joseph saiu primeiro do beco e olhou para os dois lados. Esperou até que a passagem estivesse livre antes de fazer sinal para Adrian acompanhá-lo.

Voltaram por um corredor mais iluminado, sem passar novamente diante dos três homens. Joseph caminhava com a segurança de quem conhecia cada desvio, cada porta e cada trecho onde o chão afundava ligeiramente sob o peso das botas. Adrian percebeu que ele nunca precisava parar para decidir o caminho.

Passaram por uma oficina fechada com correntes. Uma das lâmpadas acima da porta piscava, apagando por um instante e voltando com um estalo. Perto dali, um trabalhador dormia sentado sobre um caixote, a cabeça apoiada contra a parede e as mãos ainda sujas de graxa.

Adrian olhou para ele ao passar.

- Ele vai dormir aí?

- Se ninguém precisar do caixote, sim.

Joseph não explicou mais nada.

O som da forja voltou a crescer. O ruído das máquinas, que antes parecia ocupar todo o lugar, agora se misturava a outras coisas: o ranger de uma porta, o assobio de alguém no fim do corredor, uma discussão distante sobre o preço de uma peça.

A Fornalha Leste continuava funcionando.

- Joseph.

Joseph parou, sem se virar completamente.

- O quê foi agora?

- Só queria agradecer.

A frase saiu baixa e pareceu incomodar Adrian mais do que ele esperava.

Joseph olhou para ele por um instante.

- Da próxima vez, pensa antes de sair andando.

- Tudo bem, estou te devendo uma.

Adrian ficou alguns segundos no corredor. A moeda de Marco estava no bolso, pressionada contra sua perna. Ele a retirou e passou o polegar pela borda, sentindo as pequenas irregularidades do metal.

Pensou no homem que falava contra o Conselho, nos rostos que tinham se afastado e nos três que haviam parado para observá-lo. Em poucos minutos, tinha visto duas formas diferentes de medo: o medo de dizer alguma coisa e o medo de ser reconhecido por aquilo que era.

Boom. Pausa. Boom.

Thoughts

  • cadernoPreto

    A mulher que manda o Nico parar parece a única ali que já viu alguém pagar por falar. Pede cuidado como quem perdeu gente por menos.

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  • linhaTorta

    O Joseph anda por aquela ala sem parar pra escolher caminho e sabe o nome do Nico de cabeça. Esse aí já ouviu o discurso mais de uma vez, e não foi passando por acaso.

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  • Ovid

    A batida da forja abrindo e fechando o capítulo vira o relógio da noite inteira do Adrian. E o Nico, com a queimadura antiga até o pulso, falando que só aparece o nome de quem estava no turno, deve ser alguém que já foi esse nome uma vez. Fiquei curioso pra ver se o Joseph concorda com ele mais do que admite :)

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