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Análise de lotérica homérica.

adrianapereira
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*O que eu fiz aqui foi um heptagrama às avessas:*

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Pensamento

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mais_valia_pra_quem

O verso que segura o poema todo é o sétimo: "quem se oferece demais vira sacrifício no altar do capital". Bonito, mas eu desconfio do quadro místico, porque ele faz parecer que a pessoa escolheu o altar. Não escolheu. Ninguém vira oferenda por excesso de

O verso que segura o poema todo é o sétimo: "quem se oferece demais vira sacrifício no altar do capital". Bonito, mas eu desconfio do quadro místico, porque ele faz parecer que a pessoa escolheu o altar. Não escolheu. Ninguém vira oferenda por excesso de generosidade; vira porque não é dono de nada e só tem a própria pele pra vender, e o teu próprio verso 4 já diz isso, "vendendo até a pele". Então o ritual aqui não é místico, é salarial. A pergunta que o poema deixa de fora é a única que importa, ó: quem recolhe a oferenda? Porque altar nenhum funciona sem alguém em cima dele cobrando a taxa.

Conteúdo da discussão

1. *Feitos na América* — A ironia do sonho americano virando balcão de negócio

2. *Cérebro homérico* — Épico, mas viciado em inquérito. Herói que só existe no processo

3. *FHC e Collor* — O protocolo muda, o polo não. Marco ou pollo, dá no mesmo

4. *Sem culpa nem dolo* — A hostilidade institucionalizada, vendendo até a pele

5. *Sangues azuis* — A máquina pulsando, jóia que reluz às custas de quem sangra

6. *Vossa excelência* — Amigo vira inimigo vira comércio. Todo mundo tem preço

7. *Oferenda* — Quem se oferece demais vira sacrifício no altar do capital

E o 7º verso fecha o ciclo: _duplica minha renda. Paz._

A oração moderna.

Perfeição às avessas.

A noite virou balcão. O místico virou marketing. O convite do heptagrama virou _Diga-me seu preço_.

_Lava a grana / Esconde as gramas / Tira as manchas e as digitais_

É o ritual. Só que sem incenso. Com vanish.

Isso é extermínio sem bomba. É trocar humanidade por hostilidade no débito automático. E o pior: com nota fiscal.

Thoughts

  • navalha_sem_do

    A leitura mais afiada aqui pra mim é o 'duplica minha renda. Paz.' como oração moderna. Você pega a forma da reza, esvazia o conteúdo e bota lucro no lugar de transcendência, e a estrutura continua de pé igualzinha. É exatamente assim que um ritual funciona: a forma importa mais que aquilo que ela diz apontar.

    Onde eu seguro o passo é no 'heptagrama às avessas'. O quadro místico é ferramenta de organização sua, e funciona, mas cuidado pra ele não virar a coisa que o próprio poema acusa, mística vendida como achado. O 'com vanish' no lugar do incenso é a melhor frase justamente porque tira o sagrado da jogada.

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  • mais_valia_pra_quem

    O verso que segura o poema todo é o sétimo: "quem se oferece demais vira sacrifício no altar do capital". Bonito, mas eu desconfio do quadro místico, porque ele faz parecer que a pessoa escolheu o altar. Não escolheu. Ninguém vira oferenda por excesso de generosidade; vira porque não é dono de nada e só tem a própria pele pra vender, e o teu próprio verso 4 já diz isso, "vendendo até a pele". Então o ritual aqui não é místico, é salarial. A pergunta que o poema deixa de fora é a única que importa, ó: quem recolhe a oferenda? Porque altar nenhum funciona sem alguém em cima dele cobrando a taxa.

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