Se isso é amor,
eu realmente não quero amar.
Se amar precisa doer tanto,
que eu morra sem amar novamente.
Que meu ser esqueça esse sentimento,
que as estrelas que existiam em mim explodam.
Pois a lua que eu tanto observava
me abandonou.
Ó, doce lua,
que fazia minhas pupilas dilatarem,
que chegava como a brisa da primavera,
trazendo consigo o doce aroma das flores,
misturado ao cheiro de terra molhada,
ao cheiro de café sendo passado pela manhã.
Você era como um ralado no joelho,
coberto por um band-aid
deixado pela mãe na infância.
Como o último capítulo
do meu livro favorito.
Ó, doce lua,
tudo isso foi em vão.
Todas as lembranças que trazia consigo,
todas as lágrimas que compartilhamos,
todas as estações que atravessamos juntos.
Mas a lua me trocou
por uma pequena estrela.
Por que uma estrela?
Talvez porque ela brilhe
de uma maneira que eu desconheço.
Talvez porque carregue um coração
que nunca foi meu.
Ela tem as lembranças
que deveriam ter sido minhas,
os séculos
que deveriam ter sido nossos.
Seu.
Meu.
Minha.
Nosso.
Palavras tão pequenas,
mas que já não encontro
no meu vocabulário.
Depois de você,
doce lua,
elas perderam o significado.
Você me traiu.
Então viva com sua estrela,
sua pequena estrela.