Eu lhe amo,
mas esse amor é um incêndio,
e o seu toque foi a faísca
que condenou ao fogo tudo o que havia em mim.
E eu amo te amar,
amo a maneira como teu nome
incendeia meus pensamentos,
como tua presença faz arder
até aquilo que eu julgava morto.
Mas eu odeio esse sentimento.
Odeio a impotência de não apagá-lo,
a maneira como me entrego às chamas
mesmo sabendo que elas me consomem.
E odeio a ti
por ter se tornado o motivo
de uma guerra que travo comigo mesma,
por ter feito do meu peito
um lugar onde nem eu posso descansar.
Queria arrancar de mim
essa vontade absurda de você,
calar o desejo que me chama
mesmo quando minha razão implora silêncio.
Queria consumir tudo o que sinto,
reduzir esse amor a cinzas,
até que não restasse sequer uma brasa
capaz de me lembrar o teu nome.
Porque é cruel
amar justamente aquilo
de que se deseja escapar.
E o pior de tudo
é que, se você voltasse agora,
com esse mesmo toque
que um dia me condenou ao incêndio,
eu provavelmente abriria as portas,
entregaria novamente o meu peito
e chamaria de amor
aquilo que tanto implorei
para deixar de sentir.